As Margaridas…

Procurando algo para ler lembrei-me de que há muito tempo havia em mim uma grande vontade de concluir a leitura de “Orgulho e Preconceito”, sabendo que a Analu ama tal história e possui o livro, pedi para que me emprestasse. O livro, já com a capa razoavelmente gasta, trouxe dentro uma pequenina supresa, não tão surpresa assim, porque veio seguida de imensas recomendações. Ao abrir a obra encontra-se uma pequena Margarida, remanescente da última peça da Ana, em que Clara despetalava margaridas durante o tempo todo. O detalhe é que para mim detalhes nunca são insignificantes e ao me comprometer que não perderia tal flor de maneira alguma, não fiz simplesmente por medo de ser decaptada, mas principalmente pelo fato de ser uma Margarida e branca ainda!

Margaridas são minhas flores preferidas desde que me entendo por gente, acho que grande parte de meu amor por elas advém do fato de ter sido a primeira flor que eu soube o nome, o fato é que Margarida era o nome da minha avó paterna e nunca vai existir uma flor que signifique mais para mim do que esta.

Aquele pistilo amarelo ligado em várias pétalas brancas e fininhas representa muito para mim. Relaciono o formato da flor com o formato do Sol, mas é um Sol mais delicado, fofinho e bonito. As margaridas representam leveza, simplicade, pureza e elegância para mim. É como se aquilo não fosse apenas uma flor.

Margarida era o nome da minha avó paterna e ela era minha melhor amiga de infância. Mamãe ficava em segundo lugar, logicamente, pois vovó não podia sentar-se ao chão para brincar de barbie comigo, como mamãe fazia, mas vovó tinha todo um charme que a tornava imensamente especial. Ela foi a pessoa mais velha que eu já conheci, nasceu em 1918, isso significa que quando eu nasci ela tinha 76 anos! Casou-se muito jovem com um rapaz sete anos mais velho que vinha de uma família humilde, era uma jovem bonita e mineira, o que significa que sabia fazer comidas deliciosas. Seu marido acabou tornando-se fazendeiro, cafeicultor para ser mais exata e ela teve que abandonar seus estudos para cuidar da fazenda, aos poucos vieram aparecendo os filhos e não foram poucos, 13 no total, sendo que um nasceu morto. Vô Mário era muito nervoso e estressado, sistemático e eu acredito que não seria um velho fofo, caso tivesse vivido o suficiente para se tornar um velho (não o conheci), ele batia muito em todos os filhos e sempre brigava com todos, mas vovó era muito paciente, o ouvia e tentava ajudá-lo. Ele nunca a desrespeitou e sempre a amou muito, demonstrando de todas as formas que conseguia. Seus filhos cresceram e foram para a capital estudar, nessa época a família já tinha se mudado para o Norte Paranaense, que era o novo foco do café na época, então a capital era Curitiba, onde eu moro atualmente. Depois de alguns anos vovô morreu com câncer não sei aonde e ela se mudou para Brasília, onde uma de minhas tias morava e cuidava dela, mas ela não gostava de “depender dos outros” e por isso tinha seu próprio apartamento. Com a idade avançando cada vez mais e o fato de ela não se adaptar a Curitiba de maneira alguma, acabou se mudando para Cachoeira Paulista, junto com a minha tia que morava em Brasília e lá se submeteu a morar em uma casa que não era dela, foi nesse momento que tive o máximo de contato com tão inspiradora senhora.

Vovó era a mais velha da família e eu a mais nova, ninguém tinha paciência de ficar conversando com ela, também não tinham paciência comigo, acabávamos sempre juntas, talvez por falta de opção, inclusive, o fato é que sempre que eu estava vendo meus desenhos animados e filmes, ela estava logo ao lado fazendo crochê, várias vezes tentou me ensinar, mas eu nunca consegui aprender realmente, uma pena. Ela estava ao meu lado na primeira vez que resolvi cozinhar, sempre me ajudava em tudo que eu precisava e uma vez eu estava passando mau e acabei vomitando no chão da sala, depois disso ia pegar um pano para limpar e ela não deixou, foi até a cozinha, pegou um pano e se agachou para limpar. Ela tinha as mesmas doenças que eu, então entendia as minhas dores e várias vezes fomos à fisioterapia juntas. Vovó também era dona do cabelo mais legal do universo, ele era super branquinho, curto e enrolado, parecia de um anjinho e eu sempre que podia o penteava, prendia e inventava coisas diferentes, ela deixava só para me ver sorrir. Foi ela que me ensinou a adoçar meu café, a amar pão de queijo e a assaltar a geladeira de madrugada. Vovó também dizia que eu era uma das melhores manicures que ela já tinha conhecido, por isso sempre permitia que eu pintasse suas unhas, eu também passava creme no corpo dela e ajudava ela a se vestir, principalmente a colocar as meias! Uma vez ela resolveu escrever cartas para todos os parentes, mas não se lembrava direito como escrevia, então eu passava grande parte das minhas manhãs dedicada a ensiná-la, até que ela finalmente conseguiu escrever uma carta, foi tão gratificante ver aquilo! A principal característica da vó Guida, no entanto, era a oração. Acredito que a família inteira é católica somente por causa da fé dela, era algo tão lindo e contagiante que tornava-se impossível sequer pensar em não crer em Deus quando ela estava por perto. Sua rotina iniciava às 5 da manhã, quando ela acordava para rezar e ela rezava pela família inteira. Com doze filhos é de se imaginar que seja uma família grande, mas além de seus filhos e netos, ela também rezava por seus irmãos, sobrinhos e para todas as outras pessoas que ela conhecia e queriam orações. Eram raras as vezes que não a via rezando e foi ela que me ensinou grande parte da minha cultura cristã. Ela ia à missa todos os dias e quando não havia quem a levasse, assistia pela televisão. Ela era surda, então colocava uma cadeira bem perto da televisão e o volume no máximo. Eu tinha que gritar para falar com ela, acho que é por isso que falo alto até hoje. No fim, são escassas as minhas recordações da época de Cachoeira Paulista que não envolvam a minha querida avó. Em um fatídico domingo de páscoa, porém, ela ganhou um ovo que era metade de chocolate preto e metade de chocolate branco e sabendo que branco era meu sabor favorito, separou tal metade e chamou minha tia para levar a minha parte até a minha casa, quando estava na esquina começou a ficar tonta e perder o ar, minha tia começou a gritar desesperadamente e saímos correndo para ajudá-la, carregamos vovó para casa e a colocamos no sofá, enquanto um tentava ligar para a ambulância, outro tentava contatar o resto da família e outro ficava tentando acudí-la das mais diversas maneiras possíveis, ela olhou diretamente em meus olhos e disse “Reze por mim, por favor. Nunca deixe de rezar por mim.” e então tudo que eu pude fazer foi ajoelhar-me ao seu lado, segurar em sua mão e rezar desesperadamente, qualquer coisa que me viesse à cabeça (rezo por ela até hoje). Eis que chega a minha mãe me pedindo para sair dali e ir correndo até a Igreja procurar meu pai, que depois de muitas semanas tinha resolvido ir à missa, eu fui e não o encontrei, então voltei para casa e minha vó não estava mais lá e eu nunca mais a vi, pelo menos não viva. Falaram-me que o carro chegou e levaram-na para o único hospital da cidade, mas ao chegar lá ela já não respirava. Mesmo assim um padre foi até lá para dar-lhe a extrema unção e na hora que ele começou a rezar, ela reviveu, quando a oração terminou, porém, ela foi embora, para sempre. Eu tinha apenas nove anos, mas aquele dia nunca será esquecido por mim. Passei uma semana inteira sem ir para a aula e nem me importei com o fato de uma multidão ter comparecido ao seu enterro, minhas tias terem ido até lá de taxi aéreo, minha escola ter acabado a aula mais cedo somente para que as professoras pudessem ir ao cemitério, nem vi nada disso. Eu chorava desesperadamente, mais do que qualquer uma das outras pessoas e tinha medo de encostar na minha avó, porque jurava que ela estava apenas dormindo e encostar nela não parecia certo, mas minutos antes de fecharem o caixao dei-lhe um beijo na testa e encostei pela última vez naquele lindo cabelo.

O caixão estava todo enfeitado com Margaridas brancas, as flores preferidas da minha avó, que originaram o seu nome. Desde então, todas as vezes que vejo Margaridas por aí, lembro-me de seu sorriso, seu rosto um tanto amarelado e os cabelos brancos, leves e suaves saindo de sua cabeça, exatamente como as pétalas da flor. Minha avó era tão margarida quanto todas as outras que vivem até hoje e, talvez como uma forma de me conformar por ela ter me deixado (egoísta, eu sei), acredito que há um pouco da minha avó em cada uma das margaridas brancas existentes no planeta.

É, esse livro tem tudo para ser interessante.

As muitas identidades de mim.

Ela é dessas que a cada filme, seriado e novela que vê procura um personagem com o qual se pareça, se rolar uma identificação entre ela e qualquer um dos personagens, no ato aquele programa já se torna um de seus favoritos. A cada livro que lê, encontra um personagem com várias de suas características e na mesma hora, tal personagem assume seu corpo. Sim, ela imagina todos os personagens dos livros e sempre tem um que tem a sua cara e a sua voz, quando isso não ocorre é porque há um filme de tal livro, então os personagens já tem os rostos dos atores que lhes interpretaram anteriormente. Ao ouvir uma música, é a mesma coisa, ou ela admite a personalidade da pessoa que escreveu a música, ou assume-se como sendo a pessoa para quem a música foi escrita, sempre assim, como se tudo girasse ao seu redor.

Ela gosta de se encontrar em personagens porque assim consegue ver o que acontecerá se tomar certas atitudes ou for de certo jeito.

E é assim, buscando-se em cada um dos personagens que ela encontra as melhores maneiras de definí-la como pessoa.

Alice de “Alice no País das Maravilhas”

Muito mais do que alguém que corre atrás de um coelho e encontra um mundo completamente diferente.

Alice é alguém que sonha com absolutamente tudo a todo o tempo e acredita piamente que seus sonhos possam ser reais, mesmo quando tentam prová-la do contrário. Alice dorme e se vê num mundo completamente diferente, onde coisas fantásticas ocorrem, ela não teme o novo, gosta de aventurar-se, é sábia, corajosa e ao mesmo tempo extremamente ingênua e inocente. Acredita na bondade das pessoas e que tudo vai dar certo no final.

Eu sonho como a Alice, na mesma quantidade e com as mesmas loucuras. Talvez com um pouco de chá de cogumelo eu realmente seguiria um coelho e pararia num mundo completamente diferente, é algo que pretendo experimentar algum dia. Logicamente me falta a coragem de Alice, mas tudo que ela tem e eu não me inspira completamente.

Lenina Crowne de “Admirável Mundo Novo”

 

Lenina nunca foi desenhada por seu criador, a imagem ao lado é apenas o modo como algum fã a imagina e a desenhou, eu não sei desenhar, mas falei um pouco sobre sua história aqui.

Em meio a uma sociedade completamente sem liberdade, Lenina é uma das poucas pessoas que apresenta certa vontade de saber como as coisas seriam caso Ford não tivesse existido. Quando o selvagem se apaixona por ela e a quer somente para ele, ela surta, porque aquilo é completamente o contrário do que sempre foi ensinada a crer, então, mesmo gostando dele, o abandona, por não ser capaz de prender-se a apenas uma pessoa.

Infelizmente, sou muito parecida com ela. Desse tipo bobo que gostaria de ser várias coisas, mas não tem coragem suficiente para realmente sê-las. Que se submete a um modo de vida que a desagrada totalmente, somente porque dá trabalho demais tentar mudar algo. Sou tão acomodada quanto a Lenina, tão “sem amor” quanto ela e com certeza eu preferiria me embebedar de soma do que buscar a felicidade verdadeira em algum lugar por aí, dá trabalho demais e talvez não valha tanto a pena. Eu não gosto da Lenina, mas ela se parece muito comigo.

Blair Waldorf de “Gossip Girl”

Não que eu tenha seu estilo, um terço do seu dinheiro ou um Chuck, mas vejo muito de mim em Blair Waldorf.

Ela é uma garota mimada, que tem todas as suas vontades atendidas por todo mundo, vive rodeada de gente, mas tem apenas uma amiga de verdade e essa amiga sempre recebe todas as atenções, enquanto ela é deixada de lado. É grossa, estúpida, se acha melhor do que o mundo inteiro e acredita que o resto das pessoas são infelizes apenas por não parecerem com ela. Ama Chuck Bass com todas as suas forças e é capaz de fazer qualquer coisa pelo seu bem. Quando fica magoada com algo, realmente fica magoada e demora muito tempo para perdoar as pessoas. Está sempre disposta a ajudar seus amigos e fica extremamente irritada quando seus planos não dão certo.

Eu acho que tenho muito da Blair, principalmente essa coisa de ter pena do resto do mundo por fracassar enquanto tenta ser ela, porque sim, eu acho que se o mundo inteiro fosse um pouco mais parecido comigo, a maioria dos problemas atuais da humanidade simplesmente não existiria.

Ah! E eu sempre quis ter esse casaco amarelo.

Vampira de “X-Men”

 

Ela tem o poder mais legal de todos, é capaz de sugar toda a força das pessoas com apenas um toque, mas ela não se aceita. Acredita que não vale a pena ter um poder legal, se ela não pode encostar em ninguém. Sente falta de abraços, carinhos, do toque em sí e assim que surge uma oportunidade, ela abre mão de seus poderes, para poder ser livre para beijar seu grande amor.

Identifico-me com ela pelo fato de eu não me aceitar, não que tenha algo muito extraordinário em mim para ser aceito, mas é muito mais fácil me ver xingando a mim mesma do que às outras pessoas. Isso não faz de mim uma pessoa ruim, pelo contrário, como disse anteriormente, me acho boa até demais, mas não sou autêntica o suficiente. Se eu tiver que mudar o meu jeito de ser para conseguir me encaixar no mundo e ser mais aceita pelas pessoas, certamente o farei. Acredito que a Vampira seja a parte “fraca” do meu ser, aquele que é facilmente manipulada e surrupiada. Não gosto de ver os outros fazendo tudo que eu gostaria, mas não posso por algum motivo. Certamente trataria de acabar com esse motivo e me tornaria igual aos outros. No fundo, mesmo amando a instabilidade e a excentricidade, não me considero boa o suficiente para assumir tais características e a Vampira representa muito bem isso.

Effy Stonem de “Skins” (Geração 2)

Não sou bonita, rebelde ou corajosa como ela, mas certamente me considero tão louca quanto.

Effy foi o “pé no chão” da família a vida inteira, era ela quem ouvia as reclamações da mãe, suas brigas com o pai e até os problemas do irmão, mas ninguém ali estava interessado em ouví-la e por isso ela se rebelou. Perto de sua família agia como santa, mas na verdade de santa não tinha nada. Quando ela se apaixona pela primeira vez, aquilo sobe em sua cabeça e ela enlouquece. Na verdade, são vários os fatores que a fazem enlouquecer, mas eles não vêm ao caso no momento. O fato é que a Effy louca lembrou muito eu, quando estava quase louca. Indentifico-me absurdamente com a Effy, porque na minha família acontece basicamente a mesma coisa. Eu queria ter um pouco da coragem dela, para sair por aí e fazer o que me desse na telha e também queria ter amigos como os dela, que acompanhavam suas loucuras, mas a apoiavam sempre que precisava.

Luna Lovegood de “Harry Potter”

 

Luna Lovegood representa o meu lado “insano“. Identifico-me completamente com seu estilo, o modo como ela se veste, os acessórios que ela escolhe, usaria cada uma daquelas coisas, por mais “anormais” que possam parecer.

Luna nunca ligou muito pra essa coisa de “normal“, nunca se importou com o que os outros pensavam a seu respeito, apenas fazia tudo que dignava certo, contava para os outros tudo aquilo que acreditava, sem medo de ser rechaçada por isso, simplesmente não ligava para os outros. Ela é meu maior exemplo de excentrismo e autenticidade. Mas o mais admirável é a garra da Luna, ela faz tudo que é possível pelos seus amigos, está sempre disposta a ajudar a todos, mesmo quando riem dela. Ela se aceita do jeito que ela é e não tem medo de nada.

Ela é meu exemplo de vida. Sempre que eu faço algo não-usual e as pessoas riem, se assustam ou simplesmente perguntam “Por que você fez isso?“, eu fico com certo receio de mostrar quem gostaria de ser, mas daí me lembro da Luna, olho para as pessoas e digo “Porque eu quis.“, não me importo muito com o que os outros pensam, na maioria das vezes nem ligo quando ouço comentários toscos, afinal, os bobos são os que comentam, não eu, que estou apenas vivendo a minha vidinha normalmente. Acredito possuir a mesma simplicidade da Luna e a mesma boa vontade e altruísmo dela também.

Clementine de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”

 

Clementine é uma daquelas pessoas que não simplesmente existe, ela vive, bela e simplesmente. Muda constantemente a cor de seus cabelos, faz tudo o que der na telha e é completamente espontânea, é sua intensidade que faz com que o filme tenha uma história.

Eu sempre gostei de cabelos coloridos, desde pequena imploro para a minha mãe para pintar os meus, cada semana de uma cor, mas ela disse que só depois que eu tiver 18 anos e esse é o principal motivo para eu querer logo ter 18 anos. Fora isso, considero-me tão impulsiva quanto a Clem. Falo tudo que tenho vontade, sem realmente pensar antes, as vezes acabo magoando as pessoas, mas é inevitável, é meu jeito de ser. Quando fico brava com algo, tendo a ser tão explosiva quanto a Clem e acredito que quando eu for adulta, pelo menos no início da vida adulta, serei livre e espontânea quanto ela. Fora isso, ela trabalha numa livraria, outro dos meus sonhos de consumo. No fim, rezo para ser no mínimo parecida com a Clem daqui a alguns anos, tomara que minhas preces sejam atendidas.

 

Grace Violet Blood de “Skins” (Geração 3)

falei sobre quem ela é, portanto limitarei essas linhas a dizer em que somos parecidas. Grace é exatamente aquilo que ela precisa ser, o que significa que ela é completamente diferente conforme as pessoas que a rodeiam. Ela vive atuando, interpretando papéis e é difícil saber quando ela está realmente sendo ela mesma. Exatamente como eu faço a minha vida inteira.

Ela gosta de artes e tem uma família engraçada e diferente das demais, acredita nas histórias infantis e sempre corre atrás de seus sonhos, por mais impossíveis que eles possam parecer. E fora tudo isso, ela tem o namorado mais perfeito do mundo, que é a personificação de tudo que eu gostaria de ter, pelo menos atualmente.

No fim, ver a Grace sempre foi o mesmo que ver a mim ali, participando de todas aquelas maravilhosas festas que só Bristol tem. Acho que nunca outra personagem de séries será tão eu quanto a Grace consegue ser.

 

Cristina de “Vicky Cristina Barcelona”

Se eu conseguisse me imaginar no futuro, acredito que seria extremamente parecida com a Cristina. Ela tem a mesma visão de amor que eu tenho e a mesma vontade incessável de conhecer coisas novas, sem nunca se satisfazer com nada. Ela atinge o auge da felicidade, mas simplesmente enjoa daquilo e abandona tudo, extamente como eu faria/faço sempre que me vejo “bem” demais. É como se nós duas precisássemos sempre de algum motivo para nos manter um pouco tristes, como se gostássemos disso.

Ela não sabe o que quer da vida ou o que gosta de fazer, por isso tenta fazer várias coisas, descobre seu refúgio na fotografia e passa a viver para aquilo. Possui uma vida simples, bela, espontânea e sem pressões para se encaixar em algo. Possui uma melhor amiga que a acompanha em tudo, mesmo que discorde da maioria de suas atitudes e, principalmente, ela possui um relacionamento maravilhoso ao longo do filme, algo que eu já me imaginei fazendo várias vezes e que realmente gostaria de fazer acontecer. Cristina é a personificação exata de grande parte do que eu sou agora e de tudo que eu gostaria de poder ser algum dia. Nós compartilhamos muitas coisas, muitas indignações e teorias. E eu realmente me imagino como ela, livre, leve, solta, espontânea e sem medo de fazer o que tenho vontade. Não sou assim agora, mas estou trabalhando nisso, porque realmente acho maravilhoso quem consegue viver, no melhor sentido da palavra, sem se preocupar com quem estará incomodado com isso. Cristina é a junção do que eu sou com o que eu quero ser, é uma das identidades mais perfeitas de mim.

 

Mia Termopolis de “Diário da Princesa”

Finalmente cheguei à personagem que me fez ter vontade de escrever este texto. Gostaria de saber desenhar para fazer a Mia exatamente como eu imagino, porque a escolha de atores para o filme foi péssima. Na verdade, o filme inteiro é péssimo. Filmes baseados em livros geralmente são ruins, mas pelo menos contam a mesma história, os filmes desse livro foram um fiasco, o primeiro é até bonzinho, mas o segundo, me dá raiva só de lembrar. Fora que os atores (mesmo sendo bons) não têm absolutamente nada a ver com os personagens descritos na obra literária de Meg Cabot. Sou completamente revoltada com isso. Mas enfim, vim aqui falar da Mia.

Eu sou absolutamente idêntica a ela.

Destrambelhada, feia, com o menor tamanho de sutiã existente, impopular, antissocial, viciada em filmes, sorridente, sistemática, cheia de manias, meio chata e metida, inconsequente, sonhadora e, principalmente, sem talento algum. Eu e a Mia somos a mesma pessoa, só que com nomes diferentes. Inclusive, sempre que penso em colocar um nome artístico, o primeiro que me vem à cabeça, certamente é “Mia“. Sim, porque não é apenas na mania de fazer listas a respeito de tudo que somos parecidas, somos parecidas no modo de agir, pensar, falar, tu-do. As vezes acho que acabei ficando igual a ela porque lia seus livros enquanto era pré-adolescente e é mais ou menos nessa época da vida que a gente se define como pessoa, realmente não sei, mas a cada problema que surge na minha vida, cada impecilho, cada coisa pela qual eu passo, simplesmente me lembro nitidamente da carinha da Mia Termopolis que me diz o que devo fazer para melhorar a situação. Somos igualmente medrosas, covardes e até na pira com os namorados, nos considero parecidas. Logicamente eu não tenho um Michael Moscovotiz e nem um JP, mas isso é apenas detalhe. O fato é que todas as vezes que aprendo sobre uma nova doença, vou logo achando que a possuo, sempre que penso me apaixonar por alguém, a coisa começa do jeito mais bizarro possível, tenho uma auto-estima baixíssima, gosto de me intrometer na vida das minhas amigas, sempre faço promessas que não cumpro, sou absurdamente mentirosa – minto sobre a mais ampla variedade de coisas, as vezes sem mesmo perceber -, já passei muito tempo da minha vida procurando a tal “auto-atualização“, precisei frequentar aulas de etiqueta, não tenho bom gosto para roupas, gosto de estudar sobre meus antepassados, uso óculos e as pessoas sempre se aproximam de mim quando querem algo e me abandonam assim que conseguem o que queriam. Já estraguei a melhor das amizades que tive, mas consegui recompô-la com o tempo, gosto de listar todas as coisas possíveis, analiso e penso muito antes de tentar fazer algo, escrevo sobre tudo que acontece no meu dia-a-dia, minha mãe é artista e… enfim, acho que a única coisa que nos difere é o fato de eu não ser princesa, não ter um mordomo ou uma limosine, não ter uma avó chata, nem um professor de matemática que vira meu padrasto e, infelizmente, não ter um Fat Louie (é o gatinho dela) por perto.

O incrível é que ultimamente, com toda essa pira de “futuro” me assombrando, paro pra pensar na Mia e lembro que ela era tão perdida na vida quanto eu, até que contaram pra ela que ela tinha sim um talento, ela escrevia o dia inteiro no diário dela, escrever era o talento dela. Daí eu fico pensando “Puxa, eu escrevo um bocado também, será esse o meu talento?“, mas as minhas notas nas redações me fazem ver que, infelizmente, não é. O importante é que ainda tenho tempo suficiente para descobrir qual é realmente o meu talento e espero descobrí-lo rapidamente. No fim, até o fato de gostar de nerds a Mia tem e no ano em que eu estava super depressiva, comecei a ler o livro novo dela e ela também estava, por motivos bem parecidos inclusive! Sério, Mia Termopolis foi um personagem baseado em mim, pela querida Meg Cabot. Não sei, ela estava dormindo, sonhou comigo, acordou e resolveu começar a escrever o livro, porque olha… Nunca encontrei uma explicação mais plausível. Sei que as vezes até me assustava com a nossa semelhança enquanto a lia, mas grande parte de mim acredita que fui eu quem herdei algumas das várias características Termopolescas e não o contrário, no fim, acho que isso nem importa muito.

Bom, gostaria de pedir desculpas pelo texto extremamente enorme, sei que muitos não têm tempo para ler coisas assim, mas eu estava precisando falar um pouco sobre as minhas identidades, tendo em vista que utilizei esses 15 dias de folga para tentar encontrar um pouco de mim dentro de mim mesma, a conclusão chegada é basicamente que se você fizer a conta: Alice + Lenina + Blair + Vampira + Effy + Luna + Clementine + Grace + Cristina + Mia, vai chegar a um resultado bem próximo da chamada Mayra.

Oh! Admirável Mundo Novo!

Dentre os muitos livros lidos durante a minha pequena vidinha, esse certamente merece um lugar muito especial.

Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932 e escrito por Aldous Huxley. 1932, mas extremamente atual. Deixem-me explicar a vocês:

Imaginem uma sociedade estável em que todos são absolutamente felizes. Esse é o “Mundo Novo” (ou “civilização”). Lá não existem relações afetivas entre as pessoas. Não existem “pais” e “mães” e muito  menos a noção de “família“. Todos são criados em laboratório, feitos em um monte de vidro com água. São fecundações de espermas e óvulos de desconhecidos. A sociedade é dividida em castas e cada uma delas tem sua função, sendo treinadas para cumprí-las com eficácia. Assim sendo, todos os membros passam por um longo treinamento antes de poderem realmente entrar na civilização. Enquanto dormem os auto-falantes tocam as lições que eles precisam decorar para a vida inteira. Eles aprendem dormindo. As coisas são repetidas tantas vezes que é impossível não sabê-las de cor.

Então as pessoas acordam e fazem aquilo que lhes foi determinado, sem nenhuma reação a isso. Quando há a possibilidade de algum sentimento aparecer, elas tomam “soma” que é uma droga que as mantém sempre submissas à sociedade. Ninguém pensa em fazer algo contra a civilização, porque todos gostam daquilo. Como não há conceito de sentimento, ou relações afetivas, todos são de todos e é mau visto quando uma mulher tem apenas um homem por uma semana inteira e vice-e-versa. Não há noção de infância também e ninguém nunca envelhece. A medicina é super desenvolvida então não existem doenças. No fim das contas, é uma sociedade boa, estável e feliz.

Então existe Bernard Marx, um cara que dizem ter caído álcool em seu tubo de “gestação”, por isso ele é meio deformado fisicamente. Bernard está saindo com Lenina, com uma certa frequência e a chama para fazer um passeio pela aldeia de nativos, que fica próximo dali. Bernard tinha recém começado a encontrar algumas falhas no sistema e não estava mais feliz ali, precisava de algo a mais, buscava coisas novas, por isso sugeriu conhecer a aldeia. Ao chegar lá eles encontram uma mulher que era civilizada, mas fatalmente engravidou e foi abandonada ali pelo “pai” da criança. (Para não engravidar as mulheres passavam por um tratamento maltusiano de hormônios e afins e essa mulher não participou de tal tratamento) Seu filho foi criado segundo as leis dos nativos, mas não era bem aceito, por ser loiro e branco. Ao ver dois civilizados adentrando na aldeia, a mulher fica feliz e conta a sua história na esperança de que a tirem dali, porque os nativos não gostam dela, porque ela tem um modo de vida completamente diferente. Então, Bernard descobriu que o tal “pai” do filho dela era o chefe dele, que estava pensando em mandá-lo para o exílio. Aproveitou e levou os dois para a civilização, para expor o chefe e continuar na sua vidinha boa.

Uma pausa para eu mostrar as referências: Bernard Marx vem de Karl Marx e Lenina refere-se a Lênin. Ambos contra o sistema e tentando mudar alguma coisa.

Voltando ao livro.

Chegando à civilização, Linda (a mãe do nativo) foi super mau recebida, porque ela era gorda e estava velha e tinha algumas doenças e isso não era bem visto. Além de que ela era mãe de alguém e isso era um completo absurdo. Por sua vez, John, o filho dela, foi super bem recebido, porque todos queriam saber como era um “selvagem”. Ficaram ao redor dele, tietando e querendo saber detalhes sobre seu modo inferior de ser. John, no entanto, se apaixonou por Lenina. Não conseguiu se adaptar ao novo lugar em que vivia, não aceitava tomar soma e depois de algum tempo passou a ficar em seu quarto na maior parte do tempo, enquanto lia os velhos livros de Shakeaspere, que já sabia de cor. Lenina também gostava do John, queria tê-lo. Foi até ele e se ofereceu completamente, ficou nua e disse para ele possuí-la. Ele bateu nela e fugiu. Achou um absurdo o que ela estava fazendo, não deveria ser daquele jeito, ele havia imaginado algo bem mais Shakeasperiano, mas ela simplesmente não conseguia entender isso. A mãe de John morreu. Ele foi até o hospital vê-la e enquanto chorava ao seu lado, as pessoas o achavam estranho por fazer aquilo. Todos eram ensinados a não sentir falta dos mortos. Se alguém morreu, é porque deveria morrer, não era mais útil. Ninguém chorava pelos mortos. Ele ficou possesso. Na hora da nova dosagem de soma que seria dada aos pacientes do hospital, ele pegou todos os frascos e jogou pela janela, enquanto gritava que aquelas pessoas deveriam querer a liberdade e o direito de serem realmente felizes ao invés de viverem se submetendo a todas essas besteiras. Bernard e Helmholtz (amigo de Bernard que está ajudando John a se inserir na civilização, mas acaba gostando das ideias de John e “mudando de lado”) estavam por perto e acabaram entrando na muvuca que se forma quando os pacientes vão agredir John por jogar fora a soma deles. A polícia chega e controla a situação. Prende os revoltosos que são levados a conversar com o Admnistrador do local, Mustapha Mond, este explica a cada um deles o papel de toda a civilização, como ela funciona, o que os torna superior e porque revoltosos como eles devem ser levados para longe. Bernard e Helmholtz acabam sendo levado para ilhas longínquas, onde estão outros revoltosos. Lá eles podem fazer tudo que quiserem e viver da maneira que consideram correta, mas nunca podem sair de lá e não há como sair de lá. John é obrigado a continuar na civilização, para servir de experimento à Mond.

Não vou contar o final do livro para não estragar. Agora contarei a vocês algumas das coisas que pensei quando terminei tão agradável leitura.

Acho que nossa sociedade se encaminha a passos cada vez mais largos para algo parecido com o descrito nesse livro. A falta de sentimentos vem reinando a cada dia mais e as pessoas se distanciam muito de tudo aquilo que as tornaria humanos. O que me deixou com mais raiva de mim mesma, é que na maior parte do livro eu acho o mundo novo muito bom, muito legal e bom de ser convivido e quando a Lenina vai na casa do John, me senti muito mau por achar que faria a mesma coisa se estivesse no lugar dela. Fiquei com raiva do John por ser tão preso a seu Shakeaspere e aos amores que jamais serão reais, ao invés de aproveitar aquilo que poderia ser real, mesmo que não fosse shakeasperiano. Ao mesmo tempo, fico com muita pena do John por ter que ser submetido a tudo aquilo, teria sido muito melhor continuar na aldeia de nativos. No fim, a relação deles é um retrato perfeito entre o racional e o sentimental e é incrível porque você acaba se identificando com os dois lados. O que me fez pensar mais ainda que estamos na fase de transição entre os dois mundos. Quando li as coisas que Mustapha Mond disse a eles, lá no fim do livro, parei para pensar e concluí que aqueles pensamentos regem a atual sociedade, quase que inteiramente. A gente está sendo dominado e manipulado e sequer estamos notando isso. Principalmente, o que me fez amar esse livro com todas as forças foi o conflito interno que ele me causou. Foram três meses tentando chegar a uma conclusão, afinal, sou uma selvagem ou uma dominada? E, porra… Sou uma dominada. Completamente. Sou exatamente como Bernard Marx. Gosta das ideias revolucionárias, mas não o suficiente para praticá-las. Tenho trocentas mil teorias, mas, infelizmente, se o Estado algum dia me dissesse que não posso tê-las, me desfaria delas. Isso fez com que minha auto estima caísse abruptamente, afinal, se nem eu sou autêntica, quem será?

Enfim, estamos em férias, vocês terão um bom tempo livre, leiam esse livro. Vale a pena. Muito. Muda completamente sua maneira de enxergar as coisas. Muito foda. Além de ter os diálogos e situações mais fodásticos do universo.

E se você já leu 1984 e gostou, vai gostar desse também. E se você já leu esse e não leu 1984, leia, porque George Orwell também era um cara esperto.

Obrigada querido Huxley.

P.S.1: Não há doentes, mas o hospital é necessário para fornecer soma a todos. As pessoas precisam de soma, porque é ele quem traz a sensação de felicidade que todos tanto amam. Quando as pessoas estão para morrer são internadas para um tratamento de soma, que as deixa tranquilas o suficiente para aceitarem o destino.
 
P.S.2: Era para eu ter escrito isso há MUITO tempo, mas sempre acho que vai ficar faltando algum detalhe, caso eu chegue a essa conclusão farei uma segunda parte para este post. Realmente amo esse livro.
 

UK > US

Desde meados de 1600 o Reino Unido comanda os EUA, foram eles que colonizaram aquelas terras e levaram civilização àquele povo. Foi seu método de colonização por povoamento que garantiu que eles antingissem a evolução mais rápido que nós, os brasileiros, mas em  1776 os EUA acharam que já eram autônomos o suficiente para se virarem sozinhos e declararam sua independência no famoso 4 de Julho, bobos. Como todos sabem declarar a independência não significa que o país seja realmente independente, tanto que até hoje é possível encontrar muita coisa dos britânicos na cultura de sua colônia americana.

Não só a língua foi herdada, mas também o modo de vida e com o passar do tempo os ingleses necessitaram da ajuda de seus colonos, que foram prestativos e ajudaram, lucraram e se tornaram a nova potência mundial. Eles estavam por cima da cocada preta, eram o novo mundo, espalharam para todos os lugares o “American way of life”, foi um dos países menos atingidos com as Grandes Guerras Mundiais e todas as outras coisas que qualquer bom estudante de História conhece.

Reconheço que se não fossem os EUA a língua inglesa não seria tão disseminada, talvez sem eles nós tivessemos aulas de chinês na escola, ao invés do bom e velho inglês, no fim… Eles fizeram coisas boas para nós, mas ainda não aprenderam a ser totalmente independentes.

Os Estados Unidos são mundialmente conhecidos por suas grandes produções culturais, os grandes espetáculos da Broadway atraem espectadores de diversos lugares do mundo, assim como a indústria cinematógrafica e a musical, que possuem fans espalhados pelo mundo inteiro. Mas eles não são os únicos que sabem fazer essas coisas.

Os ingleses tiveram Shakespeare, com peças teatrais extraordinárias, antes mesmo de os americanos saberem o que era atuação. Os britânicos disseminaram o rock pelo mundo com Queens e Beatles e tantas tantas outras coisas!

Nas últimas décadas a produção cultural britânica têm se demonstrado muito desenvolvida, não que a americana esteja ficando para trás, mas certamente possui uma boa concorrente.

O fato é que os EUA estavam acostumados a ter toda a glória do cinema, dos best sellers e das séries adolescentes de televisão por um bom tempo e não gostaram nada de quando os Britânicos começaram a passar em sua frente.

Em 1997 a britânica J.K Rowling lançou um livro que mudaria a história da humanidade. Pareço presunçosa falando isso, mas é a verdade. A partir da história de um menino bruxo, a vida de uma geração inteira foi transformada. Não somente dos britânicos, de todos os jovens do mundo. Mesmo quem nunca leu ou viu Harry Potter, sabe muito bem do que se trata. Os livros bateram recordes de vendas em todos os países e a tornou mais rica do que a rainha de seu país. Depois dessa série, ela não precisa mais fazer NADA da vida e ainda vai ser rica, pode escrever só por diversão, qualquer um compra um livro que foi escrito por ela. Porque ela é J.K Rowling, mas ainda pode melhorar! Ela conseguiu que filmassem a história de seus livros e como honra ao seu país exigiu um elenco inteiramente britânico, gerando assim muito dinheiro para o cinema do país e criando muitas novas carreiras de atores que se tornariam tão bons quanto os famosos americanos e mundialmente conhecidos. Esses filmes já tiveram várias indicações ao Oscar e venceram vários prêmios secundários também, bateram recordes de bilheterias e renderam bilhões de euros para a Warner.

Não achei uma imagem dela + um livro escrito por ela.

Vendo que essa coisa de best-sellers de histórias sobre criaturas fantásticas deu certo lá no Reino Unido, a americana Stephenie Meyer teve a brilhante ideia de fazer uma saga de livros sobre vampiros, mas não vampiros maus como o famoso drácula, vampiros diferentes, brilhantes, pomposos… É. E ela conseuguiu muita fama e dinheiro também. Os livros dela também marcaram uma geração, mas mesmo depois de seus livros, Harry Potter continuou em primeiro lugar em tudo. Em 2008 adaptaram seu livro para um filme, com atores americanos ops… O vampiro principal é britânico hehe foi mau aê. Ah! E sabem da onde vocês já o conheciam? Sim! De Harry Potter! O primeiro filme, mesmo com efeitos especiais ridículos, atraiu muitos espectadores e também foi indicado e ganhou vários prêmios secundários, o segundo filme bateu recordes de bilheteria, mas não foi indicado para nenhum prêmio e o terceiro filme da série? Ah sim! Ele é o principal indicado ao prêmio “Framboesa de Ouro”, concorrendo como “Pior Filme, Pior Diretor, Pior Ator (Taylor Lautner e Robert Pattinson), Pior Atriz (Kristen Stewart), Pior Ator Coadjuvante (Jackson Rathbone), Pior Dupla ou Elenco, Pior Roteiro e Pior Sequência, Refilmagem, Prelúdio ou Derivado”

Mas parece que os americanos nem assim aprenderam a não copiar os britânicos!

E então eles inventam a grande calamidade, a coisa mais abominante e BIZARRA que eu já vi…

Skins US.

Desculpa aew se você gostou, mas se isso aconteceu é porque você nunca viu Skins UK.

Skins estreou em 2007 no Reino Unido, foi indicado a vários prêmios e chocou muita gente por mostrar a juventude como realmente é, sem pudores ou medo, sem preconceitos ou piedade. A série contava com elenco britânico e foi feita para passar somente lá, mas obteve tanto sucesso que de repente o mundo inteiro assistia e amava Skins. A primeira geração era formada por Anwar (muçulmando),  Maxxie (homossexual), Michelle (mãe se relaciona com caras mais novos), Cassie (anoréxica), Sid (pais recém divorciados) , Chris (abandonado pelos pais), Jal (negra) e Tonny (família desestruturada – sofre acidente e fica lesado) , além de vários personagens secundários. A segunda geração também tratava de vários problemas, tudo feito com graciosidade e empenho, para agradar o máximo de gente possível.

Mas novamente os Estados Unidos demonstraram sua inveja e eis que a MTV resolve fazer uma versão americana de Skins. Mas não, eles não podiam inventar uma história nova, com personagens novos etc e tal, eles tinham que refazer a primeira geração. Acabar com a primeira geração. Degradar Skins. Manchar a reputação de uma das séries que mais revolucionou. Eles não se contentaram com a fama abundante de Glee, tinham que sacanear Skins. Em Janeiro de 2011 vai ao ar o primeiro episódio. Transformaram o Sid em “Stanley”, a Cassie em “Cadie”, o Maxxie em “Tea” (SIM, UMA MULHER!!!), a Jal em “Daisy”, o Anwar em “Abbud” e a Effy em “Eura”.

Agora me diz uma coisa… Se era pra eles fazerem uma série MUITO parecida com a britânica, POR QUE TRANSFORMARAM O MAXXIE NUMA MENINA? A CASSIE NUM PROJETO DE SAPATA? O QUE FIZERAM COM SKINS?

Em contra partida, UK lançou a terceira geração. A quinta temporada da série original. Ambas estão apenas no começo, mas no final disso tudo, qual delas você acha que será mais bem recebida pelo público?

Será que não está na hora dos EUA se contentarem com todo o poder e glamour que possuem e pararem de imitar a supremacia britânica? Será que eles não se tocam que mesmo tendo um país lindo, com cidades MARAVILHOSAS, nunca chegarão aos pés de sua metrópole? Nunca vão entender que a moda de Londres será sempre melhor e que o sotaque britânico PERFEITO vai ganhar o americano de lavada, tipo… Sempre?

Sabe… Tenho pena dos americanos, porque se Portugal fosse mais decente que o Brasil, ia ser uma merda muito grande morar aqui, mas ainda assim a gente ia ter nosso senso de orgulho no lugar e ia continuar fazendo filmes sobre nossa violência etc e tal, não íamos tentar copiá-los, porque podemos ser “pobres”, podemos morar em um país emergente, podemos ser do “terceiro mundo”, mas temos bom senso e sabemos que coisas boas demais não servem para ser copiadas.

Então… Se toca Estados Unidos, vocês JAMAIS serão tão glamorosos quando o país da nossa querida Rainha Elizabeth II.