Pedidos de Páscoa

Vejo filmes de drama porque eles são a desculpa perfeita para que eu chore. Eu não posso deixar ninguém morrer e com isso acabo matando a mim mesma. Sempre carregando o mundo inteiro nas costas. Sempre se sentindo responsável por todas as coisas. Causa e consequência de tudo. Não por egocentrismo, mas sim para poupar os outros. Entre ver alguém sofrendo e sofrer, fico com a segunda opção. Desde que me entendo por gente escolho a segunda opção. Odeio simplesmente não poder fazer nada. Nunca desmorono, sempre pareço forte. Sempre sorrindo, fazendo piadas e falando friamente das coisas. Sempre me mantendo longe dos sentimentos, sempre racionalizando e falando. Na verdade sou um neném. Daqueles pequenos e inocentes que não sabem o que fazer senão dormir depois de se cansarem chorando. Só consigo dormir depois que choro. Vi isso em Clube da Luta e não entendi, agora faz sentido. Chorar cura a insônia. Quero ter o direito de fazer isso. Quero ter o direito de consertar as coisas, todas elas. Fazer com que todos se sintam felizes e confortáveis. Um mundo ideal seria aquele sem nenhum problema, sem nenhuma doença. O paraíso resumiria-se em um lugar onde a saúde pairasse. Esse foi o principal motivo para que eu gostasse tanto de “Admirável Mundo Novo”. Ninguém morria de doenças por lá, elas não existiam. Odeio como o ser humano só valoriza as coisas quando perde ou está prestes a perder. Odeio o fato de por mais que eu deseje ser um alien, eu seja apenas uma garota. Uma garota tola que acha que consegue segurar todas as barreiras em suas tortas costas. Não aguento mais vê-los sofrer. Não faço nada direito por causa disso. Tento fugir, espairecer, desencanar, mas não dá. Não dá pra simplesmente fingir que está tudo normal. Nada está normal. O normal não existe. E fico a confabular, a tentar me encaixar nos problemas de garotas comuns, mas eu sei que na verdade pouco me importo com garotos e o que quer que eles tenham ou façam. Pouco me importo com picuinhas de amigos ou com shows perdidos e séries canceladas. Minha vida agora gira em torno de vocês. Passo o dia pensando em maneiras de ajudá-los e como nada me vem em mente eu simplesmente sento e obedeço cada uma das coisas que me pedem. Abraço e tento fazer com que saibam o quanto os amo. Dentre todas as dores que já senti – e não foram poucas – essa é a pior. Ver a coisa mais importante para você esvaindo-se é a pior coisa do mundo. Sei que não posso fraquejar e estou me esforçando para isso. Espero conseguir. Espero não decepcioná-los. Não agora. Não mais. Desde já peço perdão pelas minhas falhas, por não ter poder suficiente para fazer com que tudo volte ao normal, mas prometo tentar. Prometo. Porque eu amo vocês e o amor consegue ser maior do que toda a dor que sinto agora. Do que todo esse aperto que consome o meu peito profundamente e me faz ter vontade de agarrá-los e fugir para um deserto, na tentativa – talvez frustrada – de salvá-los da perdição que está cada vez mais próxima. Eu só queria abraçá-los e garantir que tudo ficará bem. Só quero que tudo fique bem.

Por isso escrevo hoje, no dia da Páscoa. A Páscoa que durante meus dez primeiros anos foi o meu feriado favorito, onde eu ganhava grandiosos quilos do meu alimento preferido e pulava de felicidade. A Páscoa que no meu décimo ano representou o dia mais triste da minha infância. A Páscoa em que minha avó morreu enquanto me levava um pedaço de chocolate. A Páscoa que Jesus renasce que Moisés foge com seu povo do Egito, abrindo os mares e tudo! A Páscoa da libertação, vitória, renascimento. A Páscoa que fez com que minha avó se tornasse um anjo de verdade, guiando-me em todos os tortuosos momentos que vieram depois. Escrevo hoje porque a esperança é a última que morre e assim sendo eu ainda espero que haja alguma salvação. Espero que isso sirva para que nos libertemos, renasçamos e saiamos vitoriosos dessa batalha. Escrevo hoje porque talvez eu não acredite mais nos Entes sobrenaturais que nos guiam, mas acredito nos meus avós que estão em algum lugar fazendo o melhor por nós. Escrevo porque sei que eles estão vendo. Eles vão me ajudar ou pelo menos me mostrar o que vai acontecer ou o que eu posso fazer. Escrevo porque nessa páscoa, pela primeira vez na vida, estou trocando todas as toneladas de chocolate do universo – por mais que eu as queira – pela certeza de que continuaremos a ser unidos e venceremos.

É… Feliz Páscoa!

As Piores Coisas do Mundo

Calor. Sol quente e suor pingando. Calor sem água por perto. Não poder andar pelada no calor. Não ter ar condicionado/ventilador. Andar de ônibus no verão. Verão em Curitiba. Pessoas se vestindo no verão de Curitiba. Cabelos compridos no verão. Sol. Céu azul e sem nuvens. Cheiro de gente suada. Gente suada no ônibus. Gente suada ouvindo funk no ônibus, ou falando alto no telefone.

Gente que ronca. Gente que ronca muito alto e não há o que faça parar. Não conseguir dormir porque está ouvindo roncos. Colchão mole demais. Travesseiro baixo/alto demais. Falta de lençol. Gente que não usa lençol e não tem em casa, te obrigando a usar cobertor mesmo no verão. Roupa de cama com cheiro de suor. Dormir sem abraçar vacas. Dormir sem abraçar nada. Dormir pouco. Não dormir. Dormir bem e acordar no meio de um pesadelo terrível. Sonhos tão reais que quando você acorda fica assustada. Ser acordada antes de terminar um sonho. Fugir de alguém em sonhos e não conseguir correr o suficiente. Sonhar que está fazendo xixi e acordar molhada. Não sonhar. Dormir super bem e não lembrar de nenhum sonho. Acordar cedo demais. Acordar cedo em dias chuvosos e friozinhos. Acordar tarde no calor. Acordar cedo no calor e não ter o que fazer.

Ficar muito tempo sem comer chocolate. Ficar sem comer chocolate porque não pode. Ficar sem comer chocolate porque não te deixam. Ter que comer o que não gosta. Carne de porco. Fígado. Verduras e frutas em geral. Gente idiota tentando te fazer comer o que você não gosta. Gente idiota tentando me fazer comer o que eu não gosto. Gente idiota tentando me fazer tomar refrigerante, parar de comer chocolate ou virar vegetariana, sabendo que eu não como nenhum tipo de vegetal. Gente que te obriga a comer demais. Visitar pessoas e ser obrigada a comer em todas as casas. Gente que não te oferece comida. Ficar horas na casa de alguém e não ser convidada sequer para um lanchinho. Ficar com fome e não ter possibilidade de saciá-la. Ficar com sede. Ficar com sede e não ter água por perto. Ser convidada para festas que não servem água. Ser convidada para festas que não têm brigadeiro. Ser convidada para uma festa e não ter roupa. Não ser convidada para a festa que você esperou séculos para acontecer.

Não ter roupa para a ocasião e nem maneiras de conseguir. Chorar e virem te perguntar a razão. Gente falando a mesma coisa pra você em velórios de entes queridos. Gente desconhecida falando a mesma coisa para você em velórios de entes queridos. Gente que não fala nada pra você em velórios de entes queridos. Gente que você gosta e nem vai em velórios ou tenta confortar você quando alguém querido morre. Gente que não se importa. Gente que não se importa, mas finge se importar. Gente que não se importa, mas deveria se importar e finge se importar. Gente metida. Gente que prefere ter do que ser e não cansa de falar de suas novas posses ou do que pretende comprar. Gente burra. Gente burra que não se esforça para melhorar. Gente preguiçosa e que vive às custas dos outros. Gente folgada. Gente. Revolucionários de Facebook. Revolucionários de Facebook sem ideal algum. “Revolucionários”. Gente que segue a moda. Gente que segue a moda não só de roupa, mas de modo de vida e acaba sendo apenas um produto do meio, sem individualidade alguma.

Pseudo-cults. Gente que fala e não faz. Gente que fala demais. Promessas não cumpridas. Promessas feitas por pessoas que sequer pretendem tentar cumprí-las. Amor não correspondido. “Amor”. Sofrimento. Sofrimento sem razão. Sofrimento em vão. Dor. Doenças. Doenças incuráveis. Doenças curáveis, mas com tratamentos caros. Doenças passageiras, mas que surgem em horas impróprias. Remédios com gosto ruim e que não fazem efeito. Ser doente o suficiente para que nenhum remédio faça efeito. Coração partido. Coração partido sem super bonder por perto. “Eu te amo” dito sem ser sentido. “Eu te amo” não dito. Amor não pronunciado. Vida não vivida em prol de algo que nem aconteceu. Fanatismo. Religiões que tiram a liberdade das pessoas. Pensamento quadrado. Conservadorismo. Pessoas racionais demais. Pessoas sem sentimentos. Pessoas que não permitem que seus sentimentos tenham voz. Censura. Medo de dizer que gosta de algo. Medo. Insegurança para fazer o que acha que é certo, porque os outros te fizeram crer que não é. Preconceito. Preconceito racial. Preconceito sexual. Maus tratos a crianças. Maus tratos a mulheres. Famílias falsas. Famílias que não existem. Famílias de comercial. Famílias de aparência. Falta de amor. Carência. Não ter quem preste atenção em você. Solidão. Falta de amigos. Amigos falsos. Amigos superficiais. Relacionamentos superficiais. Relacionamentos de comercial de margarina. Relacionamentos sustentados apenas por sorrisos falsos. Solidão em momentos em que se precisa de alguém. Solidão em momentos difíceis.

Gente que não gosta de arte. Gente que não respeita a arte. Gente que se acha superior. Gente que maltrata quem considera inferior a eles. Guerra. Guerra sem motivo. Guerra que obriga os civis a participarem, mesmo sem saber porquê. Guerra mal solucionada. Guerra não declarada, mas que mata tanto quanto. Mídia. Manipulação de massas através da Mídia. Mídia mentirosa. Big Brother Brasil. Sertanejo. Gente que ama sertanejo e só fala disso. Gente que quer casar com o Luan Santana. Gente que quer casar com o Justin Bieber. Gente que quer casar com qualquer famoso que nunca vai conhecer, ao invés de tentar encontrar um marido real e possível. Gente que idolatra demais. Gente que xinga estilos musicais sem sequer tê-los ouvido. Gente que cria opiniões baseando-se no que ouviram ou leram por aí, sem procurar mais informações do assunto. Gente que acha letras de funk legais. Gente que não lê. Gente que só lê best sellers. Gente que diz que lê, mas na verdade só leu gibi da Mônica. Gente que passa o dia inteiro vendo o mesmo canal de televisão e só sabe falar sobre isso. Gente que só sabe falar sobre futebol. Gente que tudo que faz é correr atrás de notícias de futebol, sem ser jornalista esportivo. Gente que só tem um assunto e só sabe falar sobre ele.

Filmes previsíveis. Histórias previsíveis. Filmes de comédia. Filmes de comédia brasileira. Atores ruins. Legendas mal feitas. Ler um livro mal traduzido. Erros de ortografia. Quem fala errado. Quem escreve errado muitas vezes, sem tentar corrigir-se. Quem nunca muda o corte de cabelo. Quem tem muitos piercings e tatuagens. Quem trabalha no que não gosta só pra ter dinheiro. Quem está sempre mal humorado. Quem sorri demais. Tiques nervosos. Dentes tortos. Olhos separados demais. Sorrisos forçados. Pessoas que não se aceitam como são e insistem em tentar mudar.  Telefone. Ser obrigada a atender telefone. Ter que ligar para alguém. Ficar muito tempo falando no telefone. Escrever cartas e não ter resposta. Escrever e-mails e não ter resposta. Escrever e não ter resposta. Não ser compreendido. Sentir-se a última bolacha do pacote. Considerar-se um alien.

E por fim, fazer uma lista enorme de piores coisas do mundo e só conseguir pensar em meia duzia de coisas boas.

Que as coisas boas purifiquem a maldade que pairou por aqui hoje.

As lágrimas…

Chorar é algo natural do ser humano, instintivo. A primeira coisa que fazemos assim que saímos das barrigas de nossas mães. É nossa maneira de dizer que estamos com fome, dor, sono ou avisar que sujamos a fralda e precisamos que ela seja trocada. Depois que aprendemos a falar, tal artíficio perde várias de suas principais funções, mas vai adquirindo outras ao longo da vida. Chorar é natural. É humano.

Nossas glândulas lacrimais funcionam 24 horas por dia, lubrificando nossos olhos para que consigamos enxergar perfeitamente o mundo ao nosso redor. Perfeitamente, lógico, é apenas um modo de dizer, tendo em vista que grande parte das pessoas possui problemas de visão, porém eles seriam piores caso suas glândulas lacrimais deixassem de funcionar.

O fato é que a gente cresce e o choro continua presente, seja para exigirmos que nossos pais nos deem tal coisa, ou para contar que nosso irmão nos bateu. Choramos quando nos machucamos, quando brigamos, estamos bravos, felizes, apaixonados ou simplesmente tristes, mesmo que não tenhamos motivos concretos para tal, choramos.

Só que com o passar do tempo o choro deixa de ser simples e natural e passa a ser um encargo, um peso em nossa vida, algo vergonhoso e que não deve ser feito na frente de qualquer um. Tendemos a tentar controlar nossas glândulas lacrimais, a ponto de ficar com os olhos lotados de água e esforçar-nos ao máximo para mantê-las exatamente onde estão, tudo porque ser visto chorando não seria socialmente adequado.

Velórios são engraçados por causa disso. É o único lugar em que todos podem chorar o quanto quiserem e jamais serão julgados. Alguns o fazem por estarem sentindo falta do falecido, estarem realmente tristes com aquilo, outros simplesmente porque precisavam chorar e sabiam que ali ninguém os perguntaria suas razões. Em velórios todos choram abraçados e não têm vergonha disso. Um limpa as lágrimas dos outros e se afoga em lágrimas no meio de tentativas fracassadas de consolos, sem o menor medo.

Em um de meus filmes favoritos (Clube da Luta), o personagem principal começa a frequentar grupos de apoio a pessoas com câncer, viciados em álcool e portadores de várias doenças, mesmo sem possuir nenhum desses problemas, apenas para ter um bom motivo para chorar. Ele queria chorar, mas não conseguia, então ia a esses lugares e acabava chorando desesperadamente.

Esse é o nível em que chegamos!

Algo antes tão natural e simples, torna-se objeto de vergonha quando crescemos um pouco. Temos necessidade de chorar, é algo natural e necessário, mas temos vergonha de fazê-lo. Chorar por aí agrega muitas perguntas indesejadas, explicações e momentos desagradáveis. Sim, porque ninguém vai te consolar e te abraçar se não souber exatamente porque você está chorando e se você disser que é simplesmente porque teve vontade, vão te chamar de fresco e dramático e vão te deixar ali, sozinho, afogando-se em suas próprias lágrimas.

A verdade é que muitas vezes choramos só para chamar atenção mesmo, para que nos notem, olhem para nós diferentemente, nos abracem e digam que somos especiais. As vezes choramos simplesmente para nos sentirmos amados e não há nada de errado nisso. Somos humanos. Precisamos nos sentir amados. É uma de nossas necessidades básicas e é completamente normal nos sentirmos sozinhos, abandonados e desabarmos a chorar, mas esses momentos passam, mesmo que pareçam ser eternos.

Tentamos controlar nossos reflexos naturais, nossos traços animais, inutilmente.

Essa coisa de chorar apenas em ambientes fechados e quando se está sozinho apenas piora as coisas. Mas eu, por exemplo, já não consigo chorar na frente dos outros com a mesma facilidade de alguns anos atrás. Não me acho digna de requerer tamanha atenção. Não acho correto sensibilizar os outros com coisas que muitas vezes são inúteis. Não gosto de preocupar terceiros por simplesmente suprir uma necessidade natural do meu corpo. Tenho vergonha de chorar na frente dos outros. Quando isso acontece, é seguido de vários pedidos de desculpas. Morro de vergonha. Não gosto de ser frágil e sensível, acho que isso me torna menos respeitável. Criei uma máscara de ferro sobre minha face. Procuro sorrir e ser feliz o tempo todo. As pessoas já têm muito com o que se preocupar em suas próprias vidas, não é correto roubar um pouco dessa atenção. Sou completamente fria e insensível por fora, mas meu interior é exatamente o oposto. Então quando eu fujo ou fico um pouco calada é porque o encargo da máscara está pesado demais, está difícil de carregar. Afasto-me porque sei que se ficar perto de qualquer um não conseguirei me controlar mais e eu não posso ser vulnerável. Sou forte. Sempre fui e sempre serei.

Sou apenas mais um resultado dessa sociedade banal, desse mundo tosco em que vivemos. Deixo de agir de acordo com o que sinto, simplesmente porque penso que assim estarei tornando a vida alheia um pouco mais fácil. Ser verdadeiro é difícil e incompreensível demais. Todos estão tão acostumados com futilidades e mentiras, que um mínimo pedaço de verdade já é capaz de derrubá-los por completo. Não quero ser a causa da queda de ninguém. Não sou cruel o suficiente.

Por isso digo que ninguém me conhece de verdade. Os que conhecem melhor são aqueles com quem falo via internet, porque aqui eu posso chorar o quanto quiser, ninguém vai estar vendo, ouvindo ou sequer sabendo disso. É seguro.

Saiba que se você já me viu chorando é porque eu realmente gosto de você. É o meu jeito de demonstrar isso.

(Sei que prometi para mim mesma parar de escrever minhas vulnerabilidades por aqui, mas torna-se inevitável. Depois que constato algo novo a meu respeito preciso contar ao mundo, na esperança de que algum interessado em minha existência aproveite as informações. Sei lá, só estou tentando ser menos arredia, estou tentando ser aquilo que meu rosto demonstra. Talvez eu consiga um dia, quem sabe.)

Escassez Literária

Eu leio. Desde os quatro anos de idade é o que eu mais faço ao longo dos meus dias. Se no começo lia apenas os outdoors e placas de trânsito, pouco depois comecei a ler de verdade, livros considerados “sérios“, aqueles que ninguém da minha idade tinha paciência para ler.

Eu sempre gostei de ler. Sou daquelas que devora a maior quantidade de livros possíveis sem o menor esforço. Leio não por obrigação, mas por prazer. Nada nunca vai se comparar ao maravilhoso cheiro de livro novo ou ao maravilhoso cheiro daquele bom livro guardado há anos. Nada nunca vai se comparar a terminar aquela leitura tão aguardada ou a sensação que se tem quando  o livro dos seus sonhos é encontrado.

Ler é e sempre será a melhor coisa já inventada pelo homem, porque com isso a gente desenvolve o nosso raciocínio, melhora a capacidade de escrita, argumentação e até o modo como pensamos. Acredito que dentre todas as matérias inúteis que aprendemos na escola e dentre todas as falhas do sistema de ensino, o fato de eles sempre nos obrigarem a ler pelo menos um livro por bimestre é maravilhoso. Acredito que se todos os alunos realmente lessem os livros que lhes são indicados, a quantidade de idiotas existentes no ambiente escolar diminuiria consideravelmente, o problema é que ao invés de abrir um livro a maioria das pessoas prefere assistir Malhação ou ler coisas com 140 caracteres no twitter.

Eu acredito piamente que a tecnologia está estragando com essa tão maravilhosa invenção humana. Depois que resolveram transformar os melhores livros em e-books ou fazer deles meros arquivos em PDF, o prazer anteriormente encontrado na leitura decaiu bastante. Qual é a graça de ler um Machado de Assis num e-book? Você não pode nem virar as páginas, não sente aquele cheiro maravilhoso, não consegue ver suas lágrimas se espalharem pelas folhas de papel assim que caem sobre ela. É completamente sem graça. Não entendo como é que certas pessoas conseguem substituir o magnífico universo do papel encadernado por essa coisa tosca chamada e-book. Eu sou super cabeça aberta e tal, mas nunca vou me contentar com essa invenção. Sério. Nem adianta vir me falar das vantagens disso, não acredito e ponto.

Fico triste em saber que ao invés de com o tempo a cultura de leitura brasileira evoluir, está é decaindo. Entristeço-me ao ver que cada vez menos gente se interessa por clássicos, enquanto continuam se interessando por Paulo Coelho e afins. Não há nada de errado em ler best-sellers, mas livros educativos, clássicos literários e aqueles que tem o intuito de te fazer refletir sobre algo são sempre melhores. Best-sellers são necessários, porque há momentos em que os livros densos acabam te enchendo o saco, mas acho bobo quem só lê isso e se digna conhecedor da cultura literária. Por favor, não ofenda os livros dessa maneira. Obrigada.

Enfim, o que me motivou a escrever isso, no entanto, foi um fato muito triste. Esse ano há alguma coisa muito errada acontecendo comigo, eu não estou conseguindo ler! Exato. Leio um capítulo e já estou morrendo de sono, cansada ou com vontade de fazer outra coisa. Ler está sendo tão cansativo que as vezes faço somente por obrigação, embora a vontade de conhecer palavras, histórias e momentos novos seja abundante, o ato de ler está se tornando muito chato. Acredito que seja porque é ano de vestibular e tenho que ler 15 livros por obrigação. Eu adoro ler, sempre adorei, mas ler por obrigação, sendo pressionada a compreender as coisas nunca foi algo muito apetecedor. Gosto é de ler livros que ninguém lê e não aqueles que todo mundo sabe a história, nesse último caso, a graça de comentar simplesmente some. É tão chato.

Fora isso tem também o fato de que sempre que estou na metade do livro começo a protelar o final da leitura, porque não quero me despedir dos personagens. Acho que isso eu herdei de Harry Potter, porque terminar aquela série foi tão doído, despedir-me daquelas pessoas foi tão triste que desde então conhecer novos personagens para dizer tchau a eles semanas depois tornou-se algo tão difícil de ser feito que tenho preferido nem ler. O resultado disso é que esse ano só li 5 livros inteiros e já estamos em Agosto e até Novembro é para eu ter lido mais 9, só não sei como isso vai ser possível, tendo em vista que está sendo um tremendo sacríficio permanecer numa leitura por muito tempo.

Eu realmente não sei o que está acontecendo e isso me entristece muito. Morro de vontade de passar minhas tardes na biblioteca, devorando histórias, personagens e palavras, mas não tenho forças para isso. Acho que estou cansada demais de ter que conhecer novas pessoas e despedir-me delas pouco tempo depois na vida real e acabo levando isso para obras literárias também. Quer dizer, quando você para de falar com as pessoas, pelo menos sabe que elas ainda existem e continuam levando uma vida normal, mesmo sem você por perto, mas e os personagens dos livros? O que acontece com eles depois da última página? Morrem? Acabam? Ficam ali para sempre? Sei lá, isso é muito triste. Não gosto da ideia de ter abandonado a Mia, por exemplo. Assim como não gosto da ideia de ter que abandonar o Mr.Darcy quando terminar de ler Orgulho e Preconceito. Não é agradável.

Sabe, a Analu diz que é muito apegada às pessoas e que eu não sou assim, eu pratico o desapego. Verdade. Pratico mesmo, mas só aparentemente. Sorrio e finjo que não estou sentindo a menor falta das pessoas ou das situações previamente compartilhadas, mas diversas vezes isso está me matando por dentro. É a incrível habilidade de ser falsa para manter a felicidade alheia. Sou mestra nisso. Também sou boa no contrário, lógico. Afinal, fazer-se de triste e sofredora é sempre válido. No entanto, quando tenho que parecer desapegada de pessoas tudo bem, sei que elas existem, mas com os personagens não funciona desse jeito e não é legal.

O fato é que estou passando por uma época negra na minha vida, em que estou com muito medo de um dia olhar para um bolo de livros e pensar “Como é que alguém consegue ler isso?“, quer dizer, se eu parar de gostar de ler, preciso repensar toda a minha vida, porque até o meu curso da faculdade foi escolhido baseando-se no fato de ter leituras abundantes. Se eu parar de gostar de ler, o que vai ser de mim? Não posso fazer isso comigo mesma! Quer dizer, eu sou a menina que participou de uma “entrevista” sobre a leitura entre os jovens, como posso trair tanto o movimento? Logo esse movimento?

Sério, estou com muita vergonha de mim no presente momento. Preciso de ajuda.

Belezas e Fotos de Formatura

A gente não devia se sentir feio, quer dizer… Quem foi que inventou o ideal de beleza vigente? Quem foi que colocou na nossa cabeça que devemos sempre tentar sermos o mais perfeito possível, o mais bonitos e atraentes possível? Como é que alguém pode saber o que é ser “atraente” ou “bonito“? Eu acredito na frase que diz “A beleza está nos olhos de quem vê“, sendo assim todos somos bonitos, sempre haverá alguém para nos confirmar isso, mesmo que esse alguém seja a nossa mãe.

Muitas meninas baseiam seus relacionamentos em aparências, jamais namorariam um garoto que não fosse bonito, ou sexy, mas qual o sentido disso? Uma pessoa não tão bonita vai te abraçar com menor intensidade ou vai te amar menos? Acho uma tremenda burrice basear as coisas pelas aparências que elas têm, é aquela velha história de “julgar o livro pela capa“, sabem? Completamente inútil e irrelevante. Sim, porque o que você considera feio pode ser extremamente maravilhoso para alguém e vice-e-versa, então é completamente idiota essa coisa de ficar tentando estar sempre dentro de um padrão incerto inventado por desconhecidos. Antigamente as mulheres mais bonitas eram aquelas gordinhas, peludas e em quem os homens teriam no que pegar, hoje em dia as mulheres só são bonitas se forem extremamente magras e elas têm que ao mesmo tempo ser magras, altas e possuírem curvas, só que isso é humanamente impossível, porque se você é magra, não sobra gordura para preencher os seios e a bunda. Sou dessas que acha isso muito mais bonito do que isso e talvez por pensar assim pouco me importo com as aparências alheias.

Não digo que nunca olho para alguém e digo “uau, que pessoa linda!“, mas geralmente quando isso acontece são pessoas vistas na televisão, revistas, jornais ou mesmo na internet e eu não conto essas pessoas, pois para mim elas não são reais, estão um nível acima, logo é ridículo ficarmos nos comparando a elas, principalmente porque ao contrário de nós que temos infinitas coisas para fazer, elas possuem cabeleireiras, maqueadoras e manicures sempre dispostas a deixá-las lindas (pelo menos quando estão prestes a aparecer em algum meio de comunicação certamente passam por esses tratos)  e enquanto isso nós dificilmente temos tempo para ir a uma manicure ou arumar o cabelo no salão, mas sofremos uma pressão imensa para sermos tão maravilhosamente perfeitos quanto tais pessoas televisivas. Acho isso completamente ridículo.

Não sei quantificar belezas. Volta e meia alguém vem que dizer que fulano é lindo ou muito mais bonito que beotrano e eu apenas sorrio e concordo, porque para mim todas as pessoas que eu conheço são absolutamente normais, sem nada de especial em sua beleza, assim sendo todos são naturalmente belos. Eu não consigo olhar para alguém e pensar “ew, que pessoa horrorosa!“, consigo me encantar pela aparência de 99% das pessoas, então não entendo quando ficam classificando os outros por aí, só consigo fazer isso caso eu não conheça pessoalmente a pessoa, neste caso sou capaz de ser até cruel em minha opinião à respeito de sua aparência. O fato é que eu acredito que é impossível você sobreviver com alguém extremamente lindo ao seu lado, pois a pessoa vai ser linda no começo e depois você vai se acostumar com ela e ela passará a ser apenas igual a todas as outras. Não acredito que a Angelina Jolie acorde ao lado do Brad Pitt todas as manhãs e pense “Sou casada com o maior sexy simbol do planeta, ele é absurdamente maravilhoso“, acredito que ela acorde, vire para o lado, dê um beijo de bom dia e diga “Bom dia querido, quais são seus planos para o dia de hoje?” porque para ela ele não é “UAU É O BRAD PITT!!!“, pra ela ele é o marido dela e apenas isso.

Ano passado quando entramos no teatro tinha um garoto bonitinho na nossa turma, no primeiro dia pensamos “que garoto bonito!” e depois ele se tornou apenas um garoto da turma de teatro e nós passamos a abominar a ideia de sequer ter que beijá-lo em uma peça teatral, porque, bem… não seria agradável. Então, acredito que todas as coisas partam do mesmo pressuposto, acredito que mesmo que a gente passe metade da nossa vida tentando ficar lindos e maravilhosos para impressionar terceiros quem realmente nos amar vai nos amar mesmo quando estivermos com obesidade mórbida, ou com anorexia crônica, também quando estivermos velhos e enrugados ou quando acordarmos descabelados, sem maquiagem e com bafo. Acredito que essa coisa de ficar procurando um padrão de beleza seja absurdamente ridículo e que demonstra apenas atraso de mentalidade, acredito que ao invés de construir relacionamentos baseados em aparências as pessoas deveriam se preocupar em encantar-se com as essências umas das outras, isso sim faria o mundo um pouco melhor.

No fim resolvi escrever este texto simplesmente porque essa semana teremos que tirar fotos para a formatura escolar e todas as pessoas serão obrigadas a passar maquiagem (inclusive os garotos) e fazer uma porção de poses falsas para fotos que serão muito editadas no photoshop depois e vendidas por preços absurdos no início de Janeiro, fazendo com que nossos pais fiquem enfeitiçados com nossa beleza artificial e tenham vontande de adquirir tais fotos, fazendo assim com que a empresa da formatura fique ainda mais rica. Para mim tal evento é uma completa babaquice, porque fotos tiradas em poses forçadas não serão recordação de absolutamente nada, maquiar pessoas contra suas vontades é completamente ridículo e tons de pele forjados pelos efeitos do photoshop são completamente toscos e desnecessários. Se querem um book de fotos para a formatura, promovam churrascos e festas decentes, onde as pessoas estejam se divertindo de verdade e as fotos sirvam para que elas relembrem bons momentos e não um dia fatídico na última sala do corredor com uma maquiagem que foi usada na escola inteira fazendo poses em uma cadeira na frente de um fundo nem tão bonito assim. Tudo isso para que mesmo? Provar que somos belos? Não acho que tal ato seja necessário para isso.

Todos somos bonitos, somos fisicamente perfeitos, possuímos dois olhos, ouvidos, braços e pernas e não precisamos desses artifícios materiais e tecnológicos para provar isso para nós mesmos. Pelo menos eu não preciso.