Insira um título sobre livros e memes aqui.

Começo este texto dizendo que estou com vontade de comer, mas não qualquer coisa. Estou com vontade de comer coração. Muita vontade. Só que é claro que não é sobre isso que vim falar! Vim foi responder um meme literário, a qual fui indicada pela Paloma. O meme foi criado pelo canal InesBooks e chegou até mim através da Ana Luísa, ou melhor, da Del.

São 15 categorias às quais devo mencionar pelo menos um livro e, ok, isso poderia ser feito por vídeo, mas devo confessar que a preguiça para vídeos anda mais do que grande – ainda mais depois de ter terminado de ler um livro, fato que sempre me dá uma vontade abrupta de escrever qualquer coisa que seja. Até sobre o fato de eu estar morrendo de vontade de comer coração. E só pra clarificar quanto à isso, falo de coração de galinha. Ainda não adquiri as habilidades da Regina (ou melhor, do Rumpelstiltskin – sdds OUAT) para comer os de gente, quem sabe um dia.

1. Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)

Aprendi com Colin Singleton, de “O Teorema Katherine” que cada livro é meu preferido até que eu leia o próximo e, sinceramente, já não sei se foi com ele ou com o Charlie (As Vantagens de Ser Invisível) que aprendi isso – li os dois livros em um curto período de tempo e não faço a menor ideia de quando estou quotando um ou o outro. O fato é que toda vez que eu termino de ler um livro, gostaria que o universo inteiro lesse e tivesse a mesma sensação e pudéssemos entrar um um maravilhoso baile acrobático de danças literárias maravilhosas. À parte isso e toda a traição que essa escolha cruel gera, indico “Felicidade Conjugal”, do Tolstoi. É curto, dói a alma e diz coisas que todos deveríamos enfiar na nossa cabeça e nunca mais tirar, além de ter uma narrativa incrível e a melhor personagem feminina construída por um autor masculino que já li.

2. Maldito Plágio (um livro que gostaríamos de ter escrito)

Sinceramente, nunca pensei nisso. Não consigo me imaginar sendo capaz de escrever algum tipo de ficção absurdamente genial, mas em um universo paralelo – com habilidades narrativas hiper desenvolvidas e uma criatividade absurda – gostaria de ser Tolkien e ter inventado “O Senhor dos Anéis”, não só os livros, mas todo aquele universo. Acho uma das coisas mais geniais possíveis.

3. Não vale a pena abater árvores por causa disto

Pelo fato de eu sempre me desfazer dos livros que não gosto, é impossível encontrar um que se encaixe nessa categoria olhando para a minha estante. Então resolvi pensar nos últimos livros que encaminhei para o sebo e não consigo eleger um, mas digo que não vale apena gastar árvores com Nicholas Sparks e coisas semelhantes a Marian Keys. Eu sei, são os tipos de livros mais populares das livrarias, os mais vendidos etc e tal. Ao meu ver, o mundo seria muito melhor se suas leituras fossem limitadas a e-books e as árvores fossem destinadas as coisas mais relevantes.

4. Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)

Isso aconteceu com Shakeaspere, que comecei a ler muito nova e não entendia bulhufas e também com Memórias Póstumas de Brás Cubas, que depois descobri ser maravilhoso. Mas acho que o principal caso – e uma das minhas maiores frustrações literárias – é “Na Natureza Selvagem”, porque é uma das minhas histórias preferidas da vida, um dos personagens mais incríveis da minha existência e um dos livros que eu li mais arrastado e com raiva por não terminar nunca. Acho que hoje, cinco anos depois, a leitura seria completamente diferente e muito mais proveitosa. Tanto que é um dos poucos que deixo na minha lista de “releituras”. Quem sabe um dia.

5. Eu tentei… (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)

Ano passado foi cheio dessas tentativas furadas. “Casório?” da Marian Keys foi um deles. O começo era até interessante, mas depois as folhas brancas começaram a me irritar, a fonte, as personagens, a história. Larguei. O mesmo aconteceu com “Um Mundo Chamado Timidez”, que comprei na promoção pra ver qual era e descobri: era chato. Confesso que até hoje tenho vontade de saber como era o final da história, mas simplesmente não tive paciência. “Histórias Extraordinárias”, do Poe, também foi bem complicado. Lia um conto e pulava dois, só pra ter a ilusão de que tinha terminado. Por fim, vale citar “Um Certo Capitão Rodrigo”, que já tentei três vezes e nunca vai pra frente. Tenho muita vontade de me apaixonar por Erico Veríssimo, mas cada vez concluo com mais certeza de que não é pra mim.

6. Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro que teve um final surpreendente)

De finais surpreendentes sempre é bom citar Chuck Palahniuk, pois todos os seus livros terminam de um jeito muito WHAT THE FUCK, mas também cito “A Menina que Brincava com Fogo”, foi um bom final. Já dos que foram insignificantes, cito “Um Porto Seguro”, do Sparks e a explicação é só essa: é um Sparks.

7. Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)

“A Menina que Brincava com Fogo” está no topo dessa lista por ter mais de 600 páginas e eu ter lido em menos de 24h por pura impossibilidade de largar. O mesmo aconteceu com “A Culpa é das Estrelas” e “Felicidade Conjugal” – que li rapidíssimo, mas porque a leitura era tão agoniante que PRECISAVA ser encerrada e com “O Teorema Katherine” e “Minha Querida Sputnik”, ambos por serem leves, agradáveis e manterem a curiosidade em voga.

8. Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)

Nessa categoria eu retorno ao Nicholas Sparks, porque em “Porto Seguro” as pessoas trabalham com comida e o livro dá muita vontade de comer a comida das pessoas. Não consigo me lembrar de nenhum outro livro com personagens que parecem bons na cozinha, mas ressalto que ler Lovecraft (estou terminando “A Tumba”) me dá uma vontade absurda de comer frutos do mar.

9. Fast Foward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)

“Casório?” da Marian Keys. Eu não terminei de ler o livro, mas tenho certeza de que a história poderia ter sido resumida em 100 páginas ao invés de ter 500 e poucas. O mesmo com “A Rainha do Castelo de Ar” – que não consegui terminar ainda justamente por ter cheiro e cor de enrolação pura.  O mesmo com “A Sonata a Kreutzer”, do Tolstoi – tinha tudo pra ser bom, mas podia ter acabado na metade.

10. Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Sou fresca e nunca vou à livraria comprar livros aleatórios, só porque parecem bacanas. Preciso de estatísticas, indicações ou vontade própria. A única vez que me aventurei foi com “Um Mundo Chamado Timidez”, parecia interessante e tava dez reais. Não compensou.

11. O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)

Sou uma pessoa muito visual e não consigo engatar em leituras de livros feios – isso inclui uma capa mal diagramada, textos não justificados e páginas brancas. Com isso, acredito que nenhum dos meus livros tenha capa feia.

12. Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)

“O Teorema Katherine”, do John Green. Certamente foi um livro feito para rir. Ri do começo ao fim, em cada nota de rodapé matemática, em cada anagrama aleatório, em cada piada do amigo engraçado dele. Ri o tempo inteiro. É um livro ótimo! E também sempre rio nas sátiras sarcásticas do Chuck Palahniuk, especialmente com “Condenada”, é genial.

13. Tragam-me os Kleenex, se faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

Impossível iniciar isso aqui sem falar de “A Menina que Roubava Livros”. Foi o primeiro livro na minha vida que me fez chorar, nem HP7 teve essa proeza. E como toda boa primeira vez, não foi um simples choro, foi um lavar a alma. Terminei abraçando o livro em posição fetal na cama, peguei trauma nem consigo pensar em chegar perto. Quase a mesma coisa aconteceu com “A culpa é das estrelas” que pensei seriamente em largar na metade, só porque os soluços já estavam me enchendo o saco (e nesse caso sei que estava chorando bem mais pela minha vida do que pelo livro), talvez isso também tenha influenciado minha enorme pirraça para com a história. Depois disso tiveram choros mais leves, como em “As Vantagens de Ser Invisível” (aquele poema de natal me mata) e “Coisas que Ninguém Sabe” – o que é aquele final. Claro que também tiveram lágrimas em “O Apanhador nos Campos de Centeio” e “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, mas esses quase não contam.

14. Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Sou parte do grupo que demonstra amor pelas pessoas a partir de livros, se eu empresto é porque gosto e confio na pessoa, caso contrário nem pensar. Não há nenhum livro que eu olhe e pense “jamais emprestarei”, isso porque aprendi com um bom amigo que livros são feitos para serem lidos, logo, é muito melhor saber que alguém o está devorando por aí do que que ele está mofando na minha estante. Nunca emprestei um livro que não fora devolvido, isso porque sou um pé no saco nesse quesito (e em vários outros, claro).

15. Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)

“Um Dia” do David Nichols e todas as coisa da Stephanie Perkins que estão na lista de preferidos das minhas amigas, mas nunca passaram de verdade a fazer parte da minha lista de possível leitura. Assim como “50 Tons de Cinza”, “Jogos Vorazes” e essas novas sagas que sempre alguém diz pra eu ler e eu “já vou” e nunca vou. Infelizmente também adio autores que parecem realmente bons, como Zafon, Borges e alguns outros latinos, além – claro – de toda a minha prateleira na estante reservada aos livros do “quem sabe um dia”. Sei lá, não é sempre que rola uma química.

Findado isso, devo dizer que cansei de escrever e falar de livros. A vontade de comer coração ainda não passou, a hora do almoço chegou e decidi que vou caçar um meio de me deliciar com aquela coisinha. Ah, não vou indicar o meme pra ninguém, faça se quiser. Até mais ver!

Stand up Comedy

Dizem que com quinze anos viramos mocinhas. Eu nunca parei pra pensar se acreditava nisso antes de completar quinze anos, mas uma vez me disseram que quando a gente tinha 12 era adolescente e eu, mesmo me considerando criança, me fingi de adolescente só pra poder fazer mechas no cabelo. Com 15 anos resolvi que era mocinha e fiz isso porque eu queria muito viajar sozinha nas férias de Julho.

O destino escolhido foi a cidade em que passei minha infância, Cachoeira Paulista, mas na verdade era só uma desculpa para que, quando eu estivesse lá, conseguisse convencer minha mãe a passar um final de semana em São Paulo. Consegui, baseando-me em argumentos como “vou visitar minha tia” e “eu tenho amigos lá!”. E eu realmente tinha. Amigos que conheci pela internet e com os quais conversei arduamente por muito tempo da minha vida e sempre quis conhecer. Uma delas eu já conhecia, porque o pai mora em Curitiba e a gente se encontrou aqui várias vezes, ela foi até na minha festa de aniversário! Mas o meu amigo, que era a pessoa que eu mais queria conhecer na história do mundo, eu só veria se fosse a São Paulo. E eu fui.

Fiquei na casa da minha tia e passeei com ela por dois dias, até que chegou o dia em que eu iria ao shopping com meus amigos paulistanos. O shopping ficava longe e minha tia nem sabia como chegar lá, mas Lola – minha amiga – me buscou na estação do metrô e fomos ao shopping juntas. Lá chegando eu fui apresentada a todos os amigos dela e, entre eles estava Jay. Foi aquela efusão maravilhosa de sentimentos e a gente riu e se divertiu horrores. Assisti Harry Potter pela primeira vez na vida e chorei com a morte do Dumbledore porque ele me lembrava o Gandalf e depois tomamos Starbucks, algo que eu nunca tinha visto. Rimos e conversamos e anoiteceu e a gente tinha que ir embora e ninguém ia embora de metrô e eu não sabia voltar da estação de metrô para a casa da minha tia e morria de medo de andar sozinha em São Paulo no escuro. Minha tia estava trabalhando e eu estava sem celular, logo a única coisa plausível a fazer foi pegar o ônibus com eles e parar na rua perto da minha casa.

Só que a gente se empolgou conversando e passamos pela rua que eu supostamente deveria descer. E a partir disso eu não sabia o que fazer, porque eu não tinha o endereço anotado, não tinha pra quem ligar, não tinha nada. Estava perdida em São Paulo em um ônibus com as amigas da Lola, porque ela morava perto do shopping e foi a pé e Jay já havia descido do ônibus. A única coisa que me restou foi ir até a casa de uma das meninas, a Karina. A casa dela ficava num bairro muito longe do da minha tia e a gente demorou um tempão no ônibus até chegar lá e acho que depois do ônibus ainda pegamos outro meio de transporte.

Chegando na casa dela comemos um macarrão muito gostoso que sua avó havia feito e meu plano era dormir ali e esperar amanhecer para falar com a minha tia e ir pra casa dela. Só que, para não preocupá-la, resolvi ligar dizendo onde estava, que ia dormir fora e passando um telefone para contato. Eis que minutos depois minha tia liga altamente desesperada, brigando horrores comigo e querendo saber todas as explicações possíveis e eu sem saber direito o que dizer, disse a verdade e ela ficou assustadíssima, porque supostamente o bairro era perigoso e era a casa de desconhecidos. Então ela ligou para os meus pais, contou o que estava acontecendo e fez com que eles ligassem para a casa da menina, eu, no auge da vergonha, atendi o telefone e ouvi mamãe dizer que eu poderia dormir lá sem problemas, enquanto papai estava esbaforido ao seu lado dizendo que eu deveria era morrer porque isso não se faz. Liguei pra minha tia, falei o que minha mãe disse, mas ela disse que não se sentia segura com isso e que iria me buscar.

E ela foi. Demorou um bom tempo até que ela chegasse e quando chegou nos contou que a estação de metrô estava quase fechando e que de lá até a casa ela foi de carona com um desconhecido. Agradeceu à família da Karina e eu também, enquanto morria de vergonha, pedia desculpas pelo transtorno e dizia que a comida estava muito boa. Então voltamos pra casa e combinamos de deixar os detalhes sórdidos da história desta parte da aventura guardados no nosso subconsciente para que jamais fossem compartilhados com alguém.

Voltei pra casa no outro dia, mamãe e Mário me buscaram na rodoviária. A viagem foi tranquila, a companheira de poltrona de ônibus era legal e passamos o tempo todo conversando sobre livros. Mamãe disse que eu não poderia usar internet por um bom tempo e meu irmão concordou. Papai nunca tocou no assunto. Eu conversei por cartas com meus amigos por mais algumas vezes e depois que voltei a usar a internet pedi desculpas a eles pelo que tinha feito. Vi e conversei com a Lola várias vezes depois, mas com os outros nunca mais.

E eu aprendi que a gente não vira algo automaticamente, só porque chega a certa idade.

Eu não era adolescente com doze anos. Não era mocinha com quinze e não era adulta com dezoito (embora tenha voltado a mais uma aventura com amigos de internet em São Paulo e me dado bem). Nós não somos obrigados a agir de acordo com um determinado fluxo de pensamentos, sentimentos e ideias que dizem ser apropriadas para o momento da vida em que estamos. Não me sinto inferior a ninguém por ter brincado de barbies alucinadamente até os treze anos ou por ter feito e continuar fazendo inúmeras merdas juvenis. Não é porque a gente atinge determinada idade ou passa por outros processos de socialização, como a faculdade ou um primeiro emprego, que devemos automaticamente nos sentir aptos a nos portar como adultos amadurecidos. A gente pensa que não, mas nem nossos pais foram assim. Eles também eram irresponsáveis, imaturos e imprevisíveis, porque ninguém aprende a lidar com as responsabilidades da “vida real” repentinamente. Porque esquecem disso na hora que nos contam sobre o decorrer da vida, mas o amadurecimento demanda tempo.  E é aí que a gente entende Peter Pan, mas no nosso mundo não há Neverland. E por mais que a gente queira retardar esse processo e ficar velho em idade, mas jovem em pensamentos por toda a eternidade, não podemos. Não é uma escolha plausível. Em algum momento a gente cresce e, do mesmo jeito que simplesmente paramos de brincar de bonecas sem saber porquê, seremos tão adultos quanto nossos pais.

Enquanto isso, resta-nos aproveitar as viagens loucas, encruzilhadas, e cicatrizes, medos, tristezas, dificuldades, irresponsabilidades e insanidades, pois elas nos farão crescer, mesmo que não pareça. Porque é assim que a vida é, uma peça teatral completamente improvisada.

Help me to retard this process, dear friend.

E a minha é um stand up comedy.

P.S.: Foi proposta para esta semana a brincadeira de escrever uma crônica por dia e eu aceitei, mas não sei diferir gêneros literários, então preparem-se para uma semana de tentativas de crônicas que nunca serão crônicas!

Aleatoriedades

Aí que há mil anos eu vi na internet uma tag chamada “25 fatos sobre mim” e fui lá e fiz um vídeo tosco com 25 coisas aleatórias sobre a minha pessoa. O vídeo durou quase meia hora, mas teve gente que viu. Eu fui rever outro dia, inclusive, e morri de rir das minhas respostas.

Aí que Analu viu por aí uma tag parecida, só que com 50 fatos sobre a gente e ela convocou a máfia – que há muito estava longe desse mundo dos memes – a fazê-la. Eu não ia fazer porque já tinha feito essa outra e não gosto de ficar falando demais sobre mim, mas não resisti, afinal, eu adoro vídeos.

Então fui lá e gravei pela webcam e não deu certo, gravei com minha câmera e não deu certo. Desisti. Desisti de desistir e gravei com a câmera do celular mesmo. A ideia era tentar fazer em 5min, mas é claro que eu não consegui, mas acabei sendo bem mais rápida do que esperava! O único problema da coisa é: fiquei vesga. Mas isso só torna o vídeo mais engraçado ainda!

Vamos lá, riam da minha cara que eu já estou rindo 😀

Peter Pan

Se não fossem as músicas, os filmes e as crises existenciais, o chocolate e o sono crônico não seria eu. Se não fosse a cara blasè, as cores, os amores, abraços, sabores e momentos sonhadores, não seria eu. Se não fosse a poesia, a literatura, a arte, o drama e o teatro não seria eu. Se não fosse a antropologia, a sociologia, as revoluções imaginárias e a pedreiragem, não seria eu. Se não fossem as madrugadas ativas, o café, a pressão e a família, não seria eu. Se não fosse a vontade incessante de ser sempre criança e nunca largar a dança, não seria eu.

Se o fato é que eu amo outubro, o churrasco, os carrascos da vida, as reclamações, os textos sem sentido e a paranoia de só olhar pro próprio umbigo, isso é tudo parte de mim. Você pode até perder horas tentando entender o que eu falo ou qual a minha linha de raciocínio, mas não seja cínico quando descobrir que não é possível, afinal foi com você que aprendi a ser assim.

Se não fossem as viagens de carro, ônibus ou avião. Se não fosse a paixão, o marzão e a zoação, não seria eu. Se não fossem os amigos,  os inimigos e os conhecidos, as redes sociais, a internet, os diários, os blogs, os textos em guardanapos e paredes, os dias perdidos em banheiros aleatórios, a impulsividade e loucura que insistem em aparecer, as cantorias pelas ruas, as tristezas depressivas insistentes, a vontade de fazer todo mundo feliz e de dar muito carinho, o desejo de encher as pessoas de beijos e de nunca ficar sozinha, de dormir quentinha e nunca abandonar minhas sobrinhas, não seria eu. Se não fosse essa vontade constante de deixar de ser o dissonante nesse mundo cinza, de vestir saia descombinada da camisa e de nunca ir na missa, não seria eu. Se não fossem as mudanças radicais, o desejo de ter sempre mais e os universos paralelos que estão sempre rodando a minha mente, mesmo quando estou sem minhas lentes, não seria eu.

(Meme inventado pela Analu, baseado na música Capitão Gancho da Clarice Falcão. Fui indicada pela Anna e não faço ideia de quem indicar, porque, pra variar, sou uma das últimas a postar e acho que todo mundo já foi indicado, se você não foi e quiser fazer, sinta-se convidado!)

Se eles estivessem vivos…

Ah, eu casava. Quem me conhece sabe que eu sempre digo que não pretendo casar, porque deve ser um tédio passar a eternidade ao lado de uma só pessoa enquanto há 7 bilhões zanzando ao nosso redor. Eu sei que já fiz muitos textos com listas de possíveis maridos, mas, bem, se de fato eles se apresentassem como meus possíveis maridos eu certamente recusaria a maioria, mas duvido muito que recusaria algum destes. Todos eles são absurdamente geniais, a ponto de me encantar TANTO com sua obra que eu nem sei o que dizer. Se qualquer um deles de fato quisesse uma pontinha do meu coração, eu me debruçava e dizia “te dou inteirinho”, porque pra eles e por eles, ah… Vale qualquer coisa.

1 – Salvador Dali

Gato, me chama de relógio e vem ni mim que já estou derretidinha te esperando.

O que é esse homem? Com esse bigode sensacional e as melhores frases do universo? Com todas aquelas cores e formas exuberantes? Com as colaborações mais fantásticas já existentes na história da arte? Com aquela voz e sotaque catalão DIVINOS? Dalizinho nem precisava pedir pela minha presença, porque se ele e eu vívessemos ao mesmo tempo, certamente eu saberia onde era sua casa e me esforçaria pra conseguir um intercâmbio lá perto. Já imaginou um retrato surrealista da minha face? Provavelmente ficaria mais bonita do que a face real!

Salvador Dali fez muito mais do que salvar a arte do tradicionalismo, ele salvou a minha vida. Desde que o conheci artes plásticas começaram a fazer sentido, exposições pararam de ser chatas, bigodes viraram bonitos e gatos viraram meus amantes número um. Desde que o conheci encaro pra vida a frase “I don’t do Drugs, I am Drugs” e me esforço diariamente pra ser genial o suficiente para não precisar de drogas para enxergar o mundo colorido, torto e frenético do jeito que ele é. Do jeito que Dali viu. Só ele ia ser capaz de não se importar com meus cabelos, maquiagens, unhas e roupas malucas, só com ele eu poderia ser surreal ao invés de simplesmente admirar essa escola artística. Ai… Salvador, sai dali e vem pra cá.

2 – Clifford Geertz

Me dá uma piscadela e vem fazer uma descrição densa da minha cama, seu lindo.

Geertz é o meu antropólogo favorito da vida. Pelo menos dos lidos até agora. É aquela pessoa GENIAL que consegue explicar como é que a mente e a cultura se desenvolveram, explicando que o evolucionismo biológico ocorreu ao mesmo tempo que o cultural. Geertz é o cara das ideias mais geniais possíveis, dos textos mais bem escritos, daquela elucidação clara, com coisas tão absurdamente fantásticas e maravilhosas que a única coisa que você consegue professar após terminar o texto é “POR QUE EU NÃO CASEI COM ESSE CARA?”. Mas eu casei. Nos meus sonhos eu casei. Nos meus sonhos eu e Geertz fomos pra Bali juntos e ficamos observando as pessoas de acordo com seu método, depois discutimos o que vimos e escrevemos um livro juntos. Geertz é aquele companheiro pra vida inteira, aquele cara que jamais ia achar esquisito algum de seus pensamentos, pelo contrário, ia se interessar por eles, por mais esquisitos que fossem.

Geertz tem um nome muito legal de ser pronunciado e conseguiu me conquistar tão fortemente que eu até esqueci o fato de ele ser da Filadélfia (tinha que ser da Califórnia, ou do Kansas, bem mais massa), porque mesmo que ele tivesse nascido no interior do interior do interior, se fosse gênio desse jeito, me conquistaria na hora. Ai Geertz, me acode que acli tá ford.

3 – Renato Russo

Você gosta de meninos e meninas, né? Então, eu me encaixo na segunda opção. Vamos nos abraçar forte e ficar longe de tudo?

Eu não sei cantar o Renato Russo, gente. Não sei. Não consigo. Perto dele eu seria um nada, porque ele seria a estrela do relacionamento. Ele deteria todas as palavras e eu ia sofrer um bocado com essa coisa de ter que ficar quieta, mas valeria a pena porque eu ia chegar em casa e ter a barba mais linda do mundo e a voz mais doce chamando o meu nome e me dizendo versos bonitos no pé da orelha.

Renato podia ser o cara mais chato do universo que ainda assim eu ia me derreter toda. Acho plenamente impossível que não nos déssemos bem porque, convenhamos, se a pessoa escreveu todas as músicas da sua vida é porque vocês têm uma série de coisas em comum, não? Eu voto que sim. Voto que ao meu lado as músicas dele teriam sido ainda melhores, afinal, sou uma ótima musa inspiradora. Por ele eu moraria em Brasília a vida inteira e ainda o deixaria livre para ficar com os garotos dele quando ele quisesse, desde que em algum momento ele voltasse pra me fazer companhia na cama e me fazer carinho. Porque carinho já é bom, agora imaginem um carinho do Renato Russo.

Renato seria aquele marido companheiro pra todas as horas, pra todas as crises existenciais, neuras, loucuras da vida, porres, porradas, loucuras e abraços. Muitos abraços. Eu acho que se tem uma pessoa no universo que já foi capaz de entender minha mania por abraços, essa pessoa foi Renato Russo. Porque pra ele os abraços eram tão mágicos que o faziam perder a noção do tempo, criando a ilusão da existência de um tempo próprio dele e da pessoa abraçada e, ai, nunca vai existir nada mais poético e real do que isso e eu nunca vou entender porque é que tanta gente acha ele, meu marido perfeito, um “cara chato que fazia músicas legais”. Quem me dera ter essa chatice em casa, hein?

4 – Vinícius de Moraes

Não sou a Garota de Ipanema, mas tenho um doce balanço e sou cheia de graça.

Vinícius é aquele gênio que morreu de tanto amar. Ele se casou nove vezes e nunca trancava a porta de casa, porque a casa dele era a de todos e sempre era um bom momento para beber com os amigos e fazer um pouco de bossa nova. Vinícius é a representação perfeita da vida mansa que qualquer um já pensou em ter. Ele era na dele, com aquela voz doce e meiga e aquela música ritmada, poética e calminha. E além disso ele escrevia. Vinícius escrevia os melhores sonetos do universo, aqueles poemas que dóem na alma por saber que alguém por ventura sentiu algo do tipo em algum momento e ele sabia como ninguém transcrever doces sentimentos em belíssimas palavras.

Vinícius me encheria de carinhos e beijinhos pra acabar com essa coisa de ele sem eu. Ele cantaria do jeitinho dele pros nossos mil filhos as músicas infantis mais legais do universo, todos os dias o dia inteiro e as crianças seriam tão felizes que daria até orgulho de viver. Ele me apresentaria aos melhores cantores do Brasil e do mundo e minha vida seria tão boa, tão mansa, tão beleza pura que me dói só de pensar que ele morreu antes de conhecer todo o amor que eu podia ter lhe dado. Volta pra minha casa, ela fica na rua dos bobos número zero.

5 – John Lennon

Se tudo que você precisa é amor, porque é que você não tá na minha casa ainda?

Ai ai… Sr. John. Eu sou completamente apaixonada por você. Mesmo com esse seu óculos ridículo e toda essa história de ter acabado com a melhor banda do mundo, a verdade é que ela não seria a melhor banda do mundo sem você ou as suas letras. Paul, Ringo e George que me perdoem, mas você sempre foi meu preferido. Você sempre foi o que me transmitiu as melhores coisas, a maior riqueza de vida. Se você fosse meu marido eu até poderia vir a ser romântica que nada seria mais meloso que algumas de suas músicas.

Com a gente casado eu jamais deixaria que os Beatles terminassem, porque seriam suas músicas as baladas da minha vida. Haveria uma música chamada “Mayra” e seria sobre as belezas brasileiras, se você tivesse vivo eu até te ajudaria a escrever a letra. Sabe, eu já fui na casa em que você morreu, já fui no seu memorial e em vários outros lugares que você esteve, sabe qual é o problema disso? Você não estava lá. Ai Johnzinho, volta pra mim. Meu mundo ia ser tão mais feliz com você do meu ladinho fazendo juras de amor com esse sotaque perfeito que só você tinha. Eu tenho os mesmos sonhos que você! Vamos fazer do mundo um só, vem!

Esse foi o top 5 de mortos com os quais eu gostaria de ter podido jogar algo mais do que uma partida de pôker, aqueles com quem eu subiria num altar com véu, grinalda e mil daminhas nas costas. Aqueles que me conquistaram sem nem mesmo existirem ao mesmo tempo que eu. Aqueles a quem eu dedido minha vida e nunca serei capaz de esquecer. E não me julguem, porque aposto que você também tem seus mortos preferidos.

E depois dizem que essa coisa de “spotted” não causa efeitos colaterais nas pessoas…