Grace & Frankie – Série de 2015

Quem faz a série?

      A série é produzida pela Netflix e criada por Marta Kauffman e Howard J. Morris. Mistura comédia e drama, em episódios que duram no máximo 30 minutos. Até o momento foram ao ar 22 episódios, distribuídos em 2 temporadas. A terceira temporada já foi confirmada pela produtora e tem estreia prevista para maio de 2017.

       O elenco é composto por Jane Fonda, Lily Tomlin, Martin Sheen, Sam Waterston, June Diane Raphael, Craig T. Nelson, Timothy V. Murphy, Ethan Embry, Christine Lahti e Baron Vaughn.

Sobre o que se trata?

      A série conta a história de Grace e Frankie, duas idosas que, logo no primeiro episódio, recebem um pedido de divórcio por parte de seus maridos, visto que eles decidiram formar um casal. A partir disso, Sol e Robert moram juntos, na casa em que Grace vivia, fazendo com que ela e Frankie acabem por dividir uma outra casa que pertencia a ambas as famílias, na praia. 

    Grace e Frankie são mulheres muito diferentes. Enquanto a primeira é sofisticada e conservadora, a segunda é hippie e holística. A princípio elas não se dão bem juntas e conforme os episódios passam, elas desenvolvem uma grande amizade. 

        Para além da amizade das duas e do relacionamento homossexual de seus ex-maridos, também idosos, a série aborda a vida familiar dessas pessoas, como um todo. Grace é mãe de duas filhas e fez a vida em uma empresa de cosméticos, criada e gerida por ela. Após ter decidido se aposentar, deixou a empresa sob os cuidados de sua filha mais velha, Briana. Sua outra filha, Lydia, é casada e mãe, mas tem uma história amorosa passada com Coyote, um dos filhos adotivos de Frankie, que teve problemas com drogas e álcool. O outro filho adotivo de Frankie, Bud, é um advogado de sucesso.

      Assim, cada uma dessas relações e personagens vai sendo desenvolvido no decorrer da narrativa, que tem como pano de fundo Grace e Frankie tentando encarar a vida de solteiras – e uma amizade forçada – após estarem na terceira idade.

O que eu achei dela?

     A série me ganhou pelo elenco acima da idade comum das contratações de Hollywood. Em um mundo que Meryl Streep precisa se pronunciar avisando que as mulheres de Hollywood deixam de ser convidadas para papéis bacanas depois de atingirem certa idade, é bastante louvável ver uma produtora crescente como a Netflix investindo nesse tipo de produção. Ter duas mulheres com mais de 60 anos no pôster da série foi o que me fez assistir o primeiro episódio, mas foi a qualidade da atuação e a curiosidade por trás da história e de como a narrativa seria desenrolada que me mantiveram ali.

      Frankie é uma personagem excepcionalmente cativante. Ao mesmo tempo, ela é maluca demais e acaba tendo uma série de defeitos – ainda mais ressaltados ao lado de Grace. Eu assisti a todos os episódios muito rapidamente, porque as duas me fizeram continuar a ver sem parar. 

     A segunda temporada, a meu ver, é melhor do que a primeira. Enquanto a primeira aborda mais o coração partido das duas e a necessidade de se reinventarem, a segunda mostra a amizade que já floresceu e o quanto ela foi positiva para ambas. O cuidado que nasce na relação delas é muito bonito de se ver, por ser inesperado e por surgir com motivações frustrantes para ambas as partes. Querendo ou não, Grace é a única que pode entender a dor de Frankie e vice-e-versa. 

   O último episódio da segunda temporada é um show de empoderamento feminino e me fez perceber o quanto essa série é importante por abordar um campo bastante inexplorado: a importância do empoderamento e da amizade na terceira idade. Enquanto o senso comum imagina idosos solitários e improdutivos, a série consegue mostrar que a idade não carrega inutilidade consigo e que é possível passar dos 60 anos e ainda conseguir se redescobrir, aprender e contribuir com o mundo. 

    Apesar de ser uma série leve, a história é bem contada e consegue ser empolgante. Não posso dizer que é uma das minhas séries preferidas, mas guardo ela no coração com carinho, recomendo sempre que posso e tenho certeza que assistirei à próxima temporada num piscar de olhos.

Helena de Curitiba, documentário de 2005

Características Técnicas

         O documentário é de 2005, produzido por Josina Melo. À cores, tem duração de 32 minutos. Josina Melo também foi responsável pelo roteiro e parte da edição – que dividiu com Fernando Severo – e finalização, que dividiu com Ricardo Pettraca. A direção de fotografia foi realizada por Lourivalde Vieira Filho e as músicas originais foram compostas por Octávio Camargo. O filme foi produzido a partir de diversos apoios entre empresas e da Lei Municipal de incentivo à Cultura. Helena Kolody faz aparições no decorrer do filme.

Sobre o que é o documentário? Como foi feito?

     O filme conta a história de Helena Kolody, poeta paranaense. Helena é descendente de ucranianos e fez sua carreira sendo professora de biologia. À parte, ela escrevia poemas. É considerada a primeira poeta realmente moderna do Brasil. A primeira mulher a publicar haikais (poemas de inspiração japonesa, que se tornaram populares com Paulo Leminski), em 1941. Fora criado uma premiação anual em sua homenagem e ela foi convidada a ocupar uma cadeira na Academia Paranaense de Letras. Publicou o primeiro livro aos 29 anos, chamado Paisagem Interior. Dele seguiram-se outros cerca de 20 livros. Sua primeira poesia fora escrita aos 16 anos. Sua obra é dividida em duas partes, a primeira mais lírica e a segunda mais filosófica. É na segunda parte que os Haikais se acumulam, visto que é sua característica falar muito em poucas palavras.

     O documentário conta toda a trajetória da poetisa, com um viés biográfico. Iniciando do momento de seu nascimento, percorrendo por todas as cidades em que ela morou, sua vida familiar e seu trabalho. Trechos de uma entrevista concedida pela própria Helena, dois meses antes de falecer, são mesclados com imagens que remontam seu passado. Alguns poemas são recitados por ela durante a entrevista, outros foram retirados de gravações prévias. O documentário, portanto, mescla poemas, fatos histórico-biográficos e cenas que remontam alguns momentos da vida de Helena. Tudo feito de forma bastante cuidadosa.

O que eu achei do documentário

      Eu acho bastante interessante o bairrismo cultural que existe no Paraná. Apesar de artistas e escritores do Brasil inteiro e de outros lugares do mundo serem admirados, há uma grande cultura popular em torno dos artistas daqui. Não só os atores que se tornam famosos, como os escritores e poetas. 

        No caso de Helena Kolody, a coisa é ainda mais interessante. Por ser mulher e publicar desde a década de 40, ela foi bastante revolucionária no âmbito da poesia nacional. Mesmo assim, fora do Paraná ela é pouco conhecida por pessoas não especializadas na área. Da mesma forma, paranaenses não conhecem poetas e poetisas populares em estados outros. Eu acredito que falta uma interesecção das culturalidades e expressões regionais, pois todo mundo que conclui o ensino médio deveria saber de uma série de coisas regionais que não sabe.

      A história de Helena é bastante inspiradora, por sua origem humilde e seu sucesso em uma época que os únicos escritores e poetas brasileiros reconhecidos eram homens. Apesar de Helena não ter se sustentado com seu trabalho como poetisa, sua poesia revolucionou a área e inspirou diversos outros poetas. Sua obra segue sendo reconhecida, a ponto de já ter sido alvo de exposições.

        As mulheres artistas e escritoras brasileiras são fenomenais e é muito incrível entrar em contato com essas histórias e perceber que nós, mulheres de agora, podemos também ser tão importantes no futuro. Como a própria Helena diz, cabe a cada uma de nós fazer de nossa estrela própria um sol.

    O documentário é muito bem amarrado, simples, rápido, bem musicado e gostoso de acompanhar. Recomendo.

The Game, Volume 1 – Ander de la Motte

          O livro foi escrito em 2010 e publicado no Brasil pela editora DarkSide em 2015. A história é uma trilogia e a editora lançou apenas os dois primeiros livros, por enquanto. A edição é muito bem trabalhada, o livro é capa dura e as folhas internas são de alta qualidade. A leitura é extremamente confortável de se realizar. Há notas de rodapé explicativas, escritas pelo editor, sobre todas as palavras estrangeiras ou siglas que se referem a coisas suecas, tornando a compreensão mais fácil.

          O livro é dividido em vinte e dois capítulos e tem 266 páginas. Conta a história de dois personagens principais: HP e Rebecca. Porém, ao contrário da maior parte dos livros que trabalha com duas narrativas em paralelo, este não separa um capítulo inteiro para cada narrativa. De forma que, no mesmo capítulo, há parágrafos referentes à história de HP e outros referentes à história de Becca. Não há, porém, algum indicativo de que a história irá ser diferente no próximo parágrafo, o que deixa a leitura inicialmente confusa, requerendo tempo e continuidade para se acostumar com este estilo e conseguir acompanhar a história integralmente.

          A história se passa na Suécia, país de nascimento do autor. HP é um jovem com cerca de trinta anos (ou um pouco menos, não é deixado claro), que tem passagem pela polícia e mora sozinho em Estocolmo. Trabalha em empregos secundários e é infeliz, tem um melhor amigo recém revertido ao islamismo, que é dono de uma loja de informática. Gosta muito de computadores, jogos e afins. E de repente se vê dentro do Jogo. Rebecca tem mais ou menos a mesma idade de HP e é policial. Também mora sozinha, na mesma cidade e foi aceita recentemente para o cargo de guarda-costas da polícia especial da Suécia, que pelo o que entendi é como o FBI. A ligação entre as duas histórias e os dois personagens é obtusa nas primeiras cem páginas do livro, mas depois é bem explicada e interessante, pois foge do padrão normal dessas histórias de narrativa dupla, onde geralmente as pessoas formam um par romântico. Inclusive, um dos pontos positivos, para mim, é que o livro não é romanticamente apelativo. Há conotação sexual e relacionamentos, mas nada muito romântico ou meloso, o que torna a história mais interessante de ser lida – a meu ver.

          Bom, o tal Jogo é a parte que achei um tanto complicada da história – e a razão para que eu queira terminar a trilogia. É impossível parar de jogar, uma vez que se está dentro, pois o jogo atende todas as necessidades comportamentais que você demonstra precisar. Inclusive, eles escolhem os jogadores baseando-se nisso. Por exemplo: se você é loucamente necessitado de atenção, gosta de aventuras e quer dinheiro fácil, é um bom alvo para o Mestre do Jogo, que provavelmente vai te recrutar. O Jogo consiste em realizar missões arriscadas e sem explicação. Coisas como colocar uma bomba no lugar x. Isso faria você ganhar 2000 pontos, o que se reverteria a 3000 reais na sua carteira. Você filma todas as suas missões e elas ficam disponíveis em uma plataforma online para que as pessoas acessem todos os Jogadores e teçam comentários a respeito da realização das missões, elegendo seus favoritos. Estar no primeiro lugar dessa competição acaba se tornando o anseio de todos os jogadores, o que torna as missões ainda mais eletrizantes. Mas há um problema: o tal do HP (e todos os outros jogadores) aceitam realizar as missões sem medir as consequências delas. Eles não pensam em porque têm que realizar aquela missão, naquele lugar e momento. Não se interessam em saber quem planeja as missões ou quais os objetivos dela. Só se interessam em cumprir e ganhar o dinheiro e status. E, bom, isso me incomodou horrores.

          No decorrer da história, esse caráter reflexivo começa a surgir, mas não é suficientemente desenrolado – pelo menos por enquanto. O Jogo acaba virando uma espécie de teoria da conspiração e é utilizado para explicar todos os desastres e crimes que acontecem no mundo inteiro, o que eu, particularmente, acho pouco crível. Por hora, o fundo explicativo apresentado é de que grandes corporações, empresários e afins encomendam essas missões a fim de conseguirem realizar coisas que desejavam. Não duvido da capacidade manipuladora dos grandes capitalistas, mas duvido da capacidade de pessoas necessitadas de dinheiro serem tão otárias àquele ponto. Então, em geral, essa ideia de Jogo ainda me incomoda um bocado.

          Logo que o Jogo me foi apresentado, lembrei-me de Clube da Luta, do Chuck Palahniuk. Neste livro, há uma missão secreta que visa destruir os prédios dos capitalistas, através de pequenas missões, realizadas por pessoas alienadas e focadas na causa. A causa em questão é bagunçar o sistema e gerar uma pane nele, então os participantes do Projeto vão aos poucos tentando fazer coisas que tirem o mundo da ordem natural e costumeira. Bom, essa ideia me parece muito mais crível, visto que as pessoas saberiam a razão para participarem do Projeto e teriam uma motivação para tal, embora também não pensassem sobre as consequências e afins. Seriam pessoas coerentes com elas mesmas e, no fundo, pessoas um tanto melhores do que as tais Jogadoras de The Game, visto que estas ligam apenas para o próprio umbigo, enquanto as de Clube da Luta querem é bagunçar geral.

          Outro fator que me incomodou na história foi a tentativa de se parecer com Millenium, a outra obra Sueca famosa, escrita por Stieg Larsson. As semelhanças não são tão claras, mas quem já leu a primeira série é capaz de enxergá-las. Não digo semelhanças em ordem da narrativa: a história não tem nada a ver. Mas na estrutura textual. A obra de Larsson também tem essa coisa de contar várias narrativas diferentes no mesmo capítulo, mudando o foco em cada parágrafo (porém a edição da Companha das Letras fez com que isso não ficasse confuso); também é um triller policial/de suspense, que te faz querer continuar a leitura para descobrir o que acontece no final; também tem uma mulher forte que é essencial para o desenrolar da história (embora a Rebecca ainda tenha que comer muito arroz e feijão para chegar no nível da Lisbeth); há um monte de “problemas paternos” e, o que mais me incomodou: o final do primeiro livro de Millenium (“Os Homens que Não amavam as Mulheres“) dá o mesmo desencadeamento para um dos personagens que ocorre em The Game. Ok, pode ser coincidência, estilo de escrita do país, não sei. Mas fiquei incomodada.

          Por fim, acho que a história tem bastante potencial, mas tenho uma leve impressão de que ele não será bem utilizado. De qualquer forma, continuarei a ler a trilogia para ter uma opinião mais concreta à respeito. Por hora, não recomendo a leitura, mas também não a proíbo veementemente, pois continua sendo um bom livro para passar o tempo, mas ainda não se demonstrou mais do que isso – o que me causou um pouco de decepção.

          Ademais, também falei sobre o livro neste vídeo: