Corel Draw e o devir Designer

Eu tinha 14 anos quando jogava no Neopets e tive que fazer uma apply pra conseguir um pet específico e, para isso, precisava criar um site dedicado a ele. Para esta empreitada, baixei o programa que parecia ser mais fácil e funcional da época – Adobe Fireworks. E comecei a fuçar até fazer um layout bacaninha, um header decente e poder começar a escrever em paz. O site ficou gigante, porque eu era criativa na época e inventei a história do pet desde o seu nascimento até a necessidade de adoção, passando pelo momento em que ele se encontrava comigo e com os outros pets e a gente se demonstrava a melhor família possível para ele naquele momento. Aprendi o básico de HTML e publiquei a primeira página feita inteiramente por mim. Ganhei o concurso e o pet (Hindt, aquela LINDA <3) e continuei a arranjar desculpas para fuçar cada vez mais no Fireworks.

No outro ano, tive a oportunidade de realizar um curso de Photoshop básico, o que me decepcionou um pouco. Veja bem, o legal do Fireworks era poder criar as minhas próprias coisas e o que o curso ensinava era a corrigir fotos e afins, coisas que eu não conseguia me imaginar fazendo. Ok, aprendi a aplicar alguns filtros e deixar uma pessoa não muito bonita gatíssima e fotogênica, mas isso nunca foi de meu interesse, mesmo porque eu sou um tanto quanto contra o uso de photoshop como efeito modificador em fotos. Mas isso é outra história. Depois do curso, com o programa instalado no meu computador, pude começar a fuçar outras coisas e descobrir que os layouts e headers passíveis de serem feitos ali eram ainda mais legais. Porém, como eu nunca soube desenhar e sou uma canhota utilizando mouse para destros, não fui com muito afinco nessa história. Afinal de contas, eu podia apenas brincar com imagens já prontas, cores, efeitos, texturas, letras, símbolos e afins, mas nunca criar algo totalmente meu – porque eu não sabia desenhar.

Mudei de computador e desisti do Photoshop. Nunca mais tive acesso ao Fireworks – que depois do PS começou a parecer um programa tosco. E esse ano me vi obrigada a utilizar o Corel Draw para realizar a redação/edição dos textos do jornal Tribuna do Bairro Alto, cuja equipe faço parte. Só que, ocupada com uma série de outras coisas, nunca tive tempo de fuçar o programa e nas poucas vezes que tentei o achei menos funcional e bacana que o PS, me fazendo morrer de saudades dele. Eis que hoje eu decido que preciso renovar a identidade visual do blog e equiparar com a do Youtube (transformei aquilo lá em um canal do blog) e ainda criar uma página no Facebook onde eu pudesse compartilhar todas as minhas coisas. Só que, bom, como eu ia fazer isso em um computador recém zerado? Fui lá e baixei o Corel novamente. Cumpri todas as etapas do procedimento de instalação e tã-dã estava livre para fuçar. Pela primeira vez, o header que está aí em cima tem a minha letra. E eu escrevi com a mão direita e acertei de primeira. A assinatura ficou péssima, mas dá pra entender. O teste com os efeitos, os desenhos, as texturas e as imagens que eu vi serem possíveis de se realizar através do programa me deixaram apaixonadas.

Aí eu lembrei que Design era um dos cursos desejados na época do vestibular. Junto com história, letras, jornalismo e, claro, ciências sociais. Desisti porque a nota de corte era muito alta e a prova específica era desenho. Eu realmente não sei desenhar, mas sempre fui fã número um das minhas amigas que sabem (tenho uma pasta com mais de 60 desenhos feitos por uma delas), mas eu gosto de pintar. Também não sei fazer super efeitos e coisas lindíssimas, mas eu vivo pintando e meu sonho utópico de futuro é justamente a minha pessoa na frente de montanhas lindíssimas colorindo telas. O ponto é: estou com muita vontade de resolver essa etapa não resolvida da minha existência. É claro que não vou me tornar ilustradora ou uma real designer, mas quero aprimorar essas habilidades a fim de construir o meu próprio layout – inteiramente desenhado por mim e programado em CSS para quando eu comprar um domínio no WordPress (finalmente) que é um dos meus mais próximos planos. Vou jogar isso como meta pra 2016. Espero que cole.

Pakistani Way

Eu vivo dizendo que odeio fazer planos para a minha vida. E odeio mesmo. Perguntas como “O que você se vê fazendo em cinco anos?” são impossíveis de ser respondidas pela minha pessoa, porque eu não faço a menor ideia e adoro a sensação de não fazer a menor ideia. Mas toda vez que eu sei que tenho que fazer algo, a minha parte preferida em fazê-lo é justamente planejar. Eu adoro a sensação de fazer uma lista de passo a passo sobre como chegar àquilo que esperam que eu chegue. Adoro fazer rascunhos. Adoro escrever, apagar e escrever tudo de novo. Adoro fazer cinco listas diferentes, considerando as probabilidades de erro. E depois eu leio tudo e me acho sensacional por ter conseguido planejar aquela belezura. Eu planejo conversas, textos e ultimamente tenho planejado exaustivamente cada passo do meu trabalho. Eu deito na cama e só durmo horas depois, quando já planejei o que farei no dia seguinte, com quem encontrarei, o que direi e o que pretendo almoçar.

Se expectativas geram decepções, planos geram preocupações. Não conseguir seguir o rascunho, passar a limpo e achar péssimo, tentar seguir o plano e perceber que é inviável, mesmo com as cinco listas diferentes. Ficar preocupada com cada micro centímetro de erro, com cada pessoa afetada, com cada pessoa que deveria ter sido afetada e não foi. Com cada detalhe que não desencadeou as reações esperadas e gerou linhas soltas sem arremates visíveis.

No Paquistão não dá para viver assim. Você dorme sem saber se no outro dia quando acordar terá luz, água, internet ou algo para fazer. Você sai de casa e não faz a menor ideia do que vai acontecer no seu dia antes de você ser hábil a voltar para casa. Você é incapaz de planejar o que vai comer, embora tenha certeza de que será apimentado e terá pão e frango. É plenamente impossível esperar que o dia siga algum tipo de roteiro pré estabelecido, porque a cada hora tudo está prestes a mudar e surpresas e mais surpresas tendem a acontecer. De repente você se vê acostumado com a loucura que é não ter rotina nenhuma e considera impossível imaginar-se voltando para casa e fazendo as cinco refeições diárias nos horários certos e usando talheres. Pouco depois as incertezas começam a te irritar. Os compromissos marcados para hora x, mas que na verdade começam na hora x+40min passam a ser um pé no saco e tudo que você deseja é alguém que saiba usar o relógio, é dormir sabendo o que esperar do dia que se encaminha, é ter algo para se preocupar. Enquanto o desespero por um plano para as próximas horas toma conta do coração, os paquistaneses simplesmente falam “relaxa, se tiver que acontecer simplesmente vai” e ao mesmo tempo que morro de inveja da fé cega deles, fico com raiva, porque o incerto é temeroso.

Tenho tentado aplicar o tal “Pakistani way of life” em diversos aspectos da minha vida. Em vão. Ainda perco noites pensando no que vou trabalhar depois que me formar, em como vou conseguir dinheiro para ter um plano de saúde bom e uma casa com banheiros decentes e limpos. Em como vou fazer vinte anos e preciso começar a trabalhar e ser alguém na vida. Perco tempo pensando em como vai ser quando eu chegar em casa e encontrar todas as pessoas, como elas estarão, como eu estarei, como nós estaremos. Fico pensando em tudo que vou perder e em tudo que vou ganhar, tentando ver se compensa e não chegando à conclusão nenhuma. Fico fazendo planos detalhados para os meus primeiros dias em casa e para minha nova organização de estudos, mesmo tendo a mais absoluta certeza de que não vou segui-los. Li em algum livro que planejar é muito mais legal do que agir e não poderia concordar mais.

No fim, percebo que os paquistaneses estão é certos. Que talvez seja por isso que a vida deles parece mais leve e feliz. A angústia volta, junto com a desolação, a falta de palavras, a vontade incessante por abraços plenamente impossíveis no momento e o desejo angustiante de voltar logo pra casa, enquanto os olhos olham ao redor e clamam por um pouco de mais tempo apreciando essa beleza tão diferentemente drástica.

Angústia

Eu entendo as razões para a existência do feminismo. Entendo que as mulheres são tratadas como inferiores em quesitos que realmente não são e que por causa de tamanha desvalorização elas acabam objetificadas e tratadas como nada. Eu entendo que por causa dessa cultura massificada que ensina os homens desde sempre que mulheres possuem ótimos buracos e que peitos são a oitava maravilha do mundo, muitas mulheres sejam estupradas, abusadas, violentadas de maneiras absurdas e mortas todos os dias. E entendo que muitas delas não tenham coragem de contar nada disso, por medo da revolta do agressor. Por medo de sofrer mais pelo simples fato de ser mulher. Eu entendo tudo isso. E acho uma palhaçada. Assim como acho uma palhaçada que todas essas coisas aconteçam com negros, indígenas, mendigos, homossexuais e quaisquer outra subdivisão considerada inferior e mais fraca por algum modo. E é por isso que defendo o direito de todas essas pessoas a irem à luta, por igualdade e por respeito. Coisas que deveriam nos ser garantidas, tendo em vista que fazem parte da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, mais precisamente do artigo II que diz “Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição”.

A questão é que a Declaração de Direitos Humanos é só uma proposta de acordo de paz, como muitos outros, que servem como aparatos para algumas coisas, mas não como bases reais de fundamentos para atitudes humanas. A maioria das pessoas nunca leu essa Declaração e, convenhamos, ninguém nunca foi perguntado se concordava com ela ou não. A gente simplesmente nasceu. Aqui, num universo repleto de regras e convenções às quais tivemos que aprender a lidar, até que isso nos sufocasse o suficiente para que, os que não aprenderam a lidar, se revoltassem e começassem suas revoluções em prol das minorias.

Descobri-me uma pessoa revoltada para com o feminismo. Eu sempre achei que gostava dele, porque eu concordo com vários de seus preceitos e porque adoro o fato de eu poder ter voz e poder tomar decisões sobre a minha vida, coisas que jamais teriam acontecido sem ele. Só que uma das linhas do feminismo é a da “teoria queer”, que pretende uma igualdade social total entre os gêneros e isso me incomoda de um tanto que nem consigo expressar. Não a teoria em si, se ela se tornasse realidade ok, eu até conseguiria me acostumar, eu acho, a questão é que vejo essa e algumas outras linhas do feminismo tão utópicas quanto o lindo comunismo marxista. E isso me irrita. Porque é impossível que a classe oprimida se reconheça como oprimida e se una em prol de uma revolta de paradigmas. A gente nunca vai conseguir uma revolta comunista, porque ao mesmo tempo que detestamos a desigualdade social e todo o mal que ela trás para a humanidade, adoramos o fato de podermos comprar o celular que a gente quer e todos os outros privilégios de “classe média” e, ok,  a ideia não é empobrecer as pessoas, é tornar todo mundo igual em um patamar econômico mediano, suficiente para todos serem felizes com seu dinheirinho e tal, mas eu não consigo ver uma aplicação prática disso. Não consigo imaginar um mundo sem desigualdade e se eu conseguisse, não sei se ia querer viver nele. Pode parecer ridículo e talvez seja, mas é a verdade. O mesmo acontece com o feminismo. A intenção não é tornar o mundo uma enorme supremacia feminina, é apenas promover a igualdade entre os sexos/gêneros, visando o respeito. Tecnicamente é uma coisa bem simples, o problema é que até as pessoas que lutam por isso foram criadas sob preceitos machistas e até elas vão reproduzir o machismo em algum momento, não é como se fôssemos capaz de extirpar uma cultura da gente, só porque de repente a vemos como errada.  Por mais feministas que sejam, as mulheres vão continuar em busca de um parceirx para a vida. Vão continuar sabendo menos sobre fios elétricos e mais sobre pregar botões e para mudar isso teriam que mudar toda a mentalidade de uma geração que está sendo formada, mas como mudar essa mentalidade, se os próprios formadores de opinião não sabem direito o que expressar?

Vivo em um mundo muito ativo politicamente, vivo rodeada de militantes das mais diversas coisas e, ao mesmo tempo, vivo em uma família ultra-conservadora que odeia tudo isso. Para ser diferente da minha família, forcei-me a acreditar cegamente em todos os padrões militantes sem nem pensar sobre eles, porque eram diferentes dos da minha família, então deviam ser bons. Só que eu me sinto tão oprimida pelas pessoas que pregam o libertarismo, o feminismo e a igualdade, quanto pelos que pregam a opressão, o conservadorismo e a supremacia. Consigo verificar pontos negativos e positivos das duas posições e me é impossível decidir de qual lado eu quero ficar. Sou uma completa indecisa e em cima do muro, em todos os quesitos, porque eu nunca vou conseguir discordar completamente de alguém e, ao mesmo tempo que isso me irrita, eu acho fantástico. Porque eu realmente me acharia uma babaca se estivesse comendo kinder bueno enquanto saía gritando por uma igualdade econômica ou se tivesse indo gritar pela liberdade feminina após ter pedido permissão para o meu pai para isso.

Meu pai nunca se importou com o que eu faço ou deixo de fazer, então eu simplesmente faço. Mas eu sei que isso decepciona tanto a ele quanto à minha mãe. Saber que eu tento pensar e que não quis ser um robô programado para seguir preceitos da moral cristã os assusta, tendo em vista que foi para isso que eles me criaram e eu acho divertido esse embate familiar que tenho que lidar todos os dias, acho que é um ponto forte do feminismo existente em mim. Isso e o fato de eu ser uma maluca por quebrar convenções sociais que impõem que eu tenha um cabelo comportado, use roupas bonitinhas, coma salada e tenha planos para casar. Mas acho que é só isso. Eu prezo muito pela liberdade perante o meu próprio corpo e pelo direito de poder estudar e trabalhar e receber a mesma remuneração que um homem no mesmo cargo. Eu detesto as cantadas dos pedreiros que sou obrigada a ouvir todos os dias e me enojo ao ver as crianças brincando de ser mães, porque elas poderiam estar brincando de uma série de outras coisas, mas não pelo fato de “estarem treinando para ser mães”. Acho legal a noção de que uma mulher não PRECISA ser mãe, mas ao mesmo tempo, acho legal quem respeita aquelas que querem. Aquelas que acreditam no casamento, numa vida comportada e conservadora.

Se Doctor Who aparecesse na minha vida hoje e me perguntasse em qual época e lugar eu gostaria de ser largada, pediria para estar na Inglaterra do século XVIII, para ter a chance de viver um dos romances da Jane Austen. Porque eles são lindos, eles são românticos, mas são a representação perfeita de como uma sociedade machista funciona e de como uma mulher acaba por se render a ela quando encontra o amor, porque só o amor salva. Eu nem sei se ainda acredito no amor, mas queria ter a chance de viver naquela época, porque lá eu acreditaria, lá eu não precisaria pensar, lá eu não teria que viver essa eterna angústia de pessoa insatisfeita com a própria insatisfação. Lá eu poderia apenas reproduzir o que minha mãe me ensinaria, poderia bordar em paz (como eu tenho saudades de ter tempo para bordar!) e poderia criar um monte de pirralhos, do jeito que eu sempre quis.

No mundo atual eu me vejo cada vez mais obrigada a aperfeiçoar o meu intelecto, a conviver com pessoas que acreditam em coisas que acho duvidosas, a olhar para as crianças às quais dou aula com pena, porque sei que um dia elas vão ter que encarar o mundo e vão se decepcionar. Mas não consigo deixar de ter um pingo de esperança e fico com vontade de mudar a vida deles de algum modo, de fazer eles pensarem, talvez se todo mundo tiver senso crítico as utopias se tornem reais. Talvez o que falte seja a gente acreditar. O Chapeleiro Maluco de Once Upon a Time disse que o problema dos humanos é que eles querem sempre uma solução mágica, mas não acreditam nela. Eu realmente não acredito. As vezes eu acho que não acredito em nada. Se não consigo acreditar nem em mim, como serei capaz de acreditar em qualquer uma dessas milhares de teorias fenomenais com as quais vivo entrando em contato? Como serei capaz de achar que um dia seremos iguais, mas ainda assim haverá um jeito do romantismo existir? A visão que eu tenho é a de que o romantismo é tão antiquado e dominativo, que em uma sociedade igualitária simplesmente desapareceria e a gente ia se relacionar com as pessoas só para suprir a ânsia de não sermos sozinhos. E eu já cansei disso, de tentar tampar o Sol com uma peneira e continuar queimada pelos raios UV que passam por cada buraquinho. Eu já cansei de me ver obrigada a sorrir e concordar com as coisas só para não parecer uma conservadora-reprodutora-de-senso-comum mesmo estudando antropologia. Porque tem uma assim no meu curso e ela é deplorável e eu não quero ser ela e eu não acho que eu seja. Mas também não sou aquela que vai sair por aí gritando que quer que o mundo seja perfeito, porque eu odeio coisas perfeitas, porque eu preciso dos meus problemas imaginários e dos motivos para passar o dia inteiro angustiada e sofrendo e comendo mil e um doces e ficando com peso na consciência porque vou sair do padrão de beleza implantado na minha mente!

Eu jamais lutaria contra o padrão de beleza, inclusive, porque eu adoro ele. Por mais opressivo e exclusivo que seja, eu gosto da ideia de que as pessoas tem que se depilar, ter dentes brancos e não tortos, cabelos ajeitados, unhas bonitas, roupas não grotescas e um peso que condiga com sua estrutura óssea. Acho triste as pessoas que se submetem a mil plásticas porque querem ser a barbie, mas nisso eu enxergo apenas um exagero e não uma razão para acabarem com as barbies, mesmo porque, elas são bonecas simples, que proporcionam que as crianças continuem criativas e continuem a inventar histórias e qual é graça de ser criança se você não pode inventar histórias? Se você não pode achar que um dia vai ser uma princesa, como as da Disney, ou até mesmo como a Mia Thermopolis? Eu odeio a robotização infantil que vem sendo pregada constantemente, se elas não puderem inventar histórias, não vão conseguir desenvolver seu raciocínio a ponto de se tornarem bons pensadores e sem bons pensadores a humanidade acaba. As indagações acabam, a arte acaba, a literatura, música, cinema… tudo vira reprodução do que já foi, repetição do que já foi dito. E é isso que me incomoda. E não o fato de uma mulher pedir para um homem trocar uma lâmpada ou fazer a bateria do carro funcionar, não são coisas que interessam muitas delas. Assim como pregar botões e fazer cachecóis não interessa muitos dos homens. E eu não sei qual é o problema disso. Não sei qual é o problema em cumprirmos alguns papéis diferentes. Não sei qual é o problema em sermos diferentes e ao mesmo tempo tão intensamente dependentes uns dos outros.

As vezes eu acho que todos esses movimentos sociais apenas ampliam o individualismo e o enfraquecimento de laços sociais, enquanto acreditam estar fazendo o exato contrário. E isso me irrita, me incomoda, me deixa enfurecida. Porque eu odeio ser sozinha, porque eu sou uma pessoa absurdamente dependente. Porque um dia minha mãe vai morrer e eu vou precisar de alguém que me dê liberdade o suficiente para eu chorar no colo, dormir abraçada e pedir para pentear meu cabelo nos dias que meu braço resolve não funcionar. E eu não me vejo conseguindo nada disso em um universo em que as pessoas vivem pregando que não precisam umas das outras, exceto no momento da revolução. Porque eu odeio as pessoas, mas eu preciso delas. O tempo inteiro.

Casamento

Não tenho uma visão muito acertada sobre o matrimônio, acho impossível que duas pessoas se amem pelo resto de suas vidas, mas os casais apaixonados insistem em me dizer que só acho isso porque nunca achei o meu amor. Não sei. Mas como toda garota já perdi um bom tempo da minha infância planejando o meu “grande dia”. Só que quando eu parei de acreditar na sua concretude, passei a desconsiderá-lo e nunca mais passou pela minha cabeça a hipótese de me casar algum dia. No máximo eu moraria com a pessoa, mas sem uma cerimônia com uma festa gigante, porque seria desperdício de dinheiro, bobeira e ai, eu detesto ir em casamentos, não quero fazer as pessoas passarem por isso.

Recentemente, porém, encontro-me numa fase completamente romântica e cheia de firulas, na qual me pego lendo Lord Byron no meio da madrugada e derramando lágrimas por qualquer sinal de amor, achando tudo lindo e morrendo de inveja do universo por acontecer com todo mundo que me cerca, menos comigo. Como se o cupido simplesmente ignorasse a minha existência. Em busca de uma conformidade para tal fato, resolvi planejar o casamento dos meus sonhos e gostaria de convidá-los a fazer o mesmo!

Pedido:

Eu sou uma criança nerd que cresceu lendo livros e vendo filmes repletos de amores românticos e pedidos de casamento fofos. O pedido tem que envolver alguma referência que seja a minha cara e o sentimento entre eu e o pretendente tem que ser semelhante a Beatrice e Lemony ou Snape e Lily Potter. Tem que ser uma coisa que eu consiga imaginar uma perpetuação e uma concretude, que me faça bem e deixe-me ser eu mesma, sem precisar fingir nada. Se tem uma coisa que eu sempre repito para o mundo é: se fez uma declaração com boas referências, eu caso.

Aliança: 

Aliança baseada em Khal Drogo e Daenarys Targaryan – Game of Thrones

Detesto a ideia de ter que usar um anel pelo resto da minha vida e sempre disse que se eu fosse casar e soubesse que seria pra sempre ia tatuar alguma coisa significativa para mim e o respectivo, como sinal do nosso amor eterno. Só que essa semana me deparei com a aliança dos meus sonhos e resolvi mudar de opinião: se eu casar, além da nossa tatuagem poética, por favor me dê essa aliança, é claro que só vale se você entender a referência. E se você entender a referência, me der essa aliança e tiver feito um pedido bonito é claro que eu vou aceitar.

Vestido:

Eu não sei como vai estar meu cabelo e sei que não vou conseguir usar salto, então estarei com tênis ou no máximo uma sapatilha. Sei que vou exigir uma maquiagem simplista e que vou torcer pra ter pouca gente na plateia, porque é um casamento e não um espetáculo. E sei que quero um vestido como o dessa foto. Eu preciso do vestido dessa foto. Porque ele é absurdamente maravilhoso e absurdamente a minha cara e porque se meu casamento for colorido, as chances de ele funcionar são muito maiores, porque nada de ruim acontece quando há muitas cores envolvidas e essa é uma das minhas maiores filosofias de vida.

Local:

Las Vegas

Despedida de solteiro em um cassino, casamento que já vem acoplado com Lua de Mel, ao invés de gastar com festa, gasta-se com passagens. Não é necessário convidar todos aqueles parentes que você nem conhece direito e nem os amigos dos amigos dos amigos do seu irmão, dá pra se divorciar e, por favor, quem celebra é o Elvis.

Votos: 

O processo ocorreu muito bem até agora e está tudo lindo e dentro dos conformes. Mas é lógico que pode melhorar e a hora de melhorar é a hora dos votos. A opção número um é cada um escrever os próprios votos baseando-se no outro, porque isso parece lindo. Se por um acaso isso não puder se concretizar, faremos os votos de Game of Thrones.

“Pai, mãe, velha, ferreiro, donzela, guerreiro e estranho. Eu sou dele e ele é meu, deste dia até o fim dos nossos dias.”

Dança Final: 

Eu não sei dançar ritimadamente e torço para que meu concumbino também não saiba, caso contrário a dança de casamento será vergonhosa. É claro que de acordo com o contexto, assim que o Elvis disser que podemos nos beijar vamos embarcar em uma playlist empolgante que misture vários ritmos musicais e nos faça morrer de rir, para depois irmos pro hotel descansar e começar o casamento de fato! A única premissa é que a gente possa dançar que nem o Carlton. Porque dançar que nem o Carlton com um vestido de noiva é um paraíso.

E ai de quem disser que esse não seria um casamento genial!

Um post com vários mapas…

Estou em ano de vestibular, como já mencionei aqui trocentas mil vezes. O fato é que em um ano como esse pessoas convencionais estão preocupadas em estudar, estudar, estudar e estudar mais um pouquinho, mas eu não gosto de convencionalidades, não gosto de estudar e não me submeterei a tal ato somente para satisfazer a massa da sociedade que deseja que eu seja qualificada para poder servir ao capital com eficácia, porque nossa única serventia para o mundo é essa. Não. Eu passo meus dias pensando no que vou fazer da vida, não na profissão, no que vou fazer para realmente viver. Uma das coisas que me deixa mais nostálgica são viagens, pois as faço desde que me entendo por gente, então decidi fazer uma lista das principais viagens que pretendo fazer, para que eu nunca esqueça e possa fazê-las quando tiver oportunidades.

Os objetivos são os mesmos: conhecer novos lugares, pessoas, culturas, maneiras de ver as coisas, jeitos de se viver. Adoro diferenças culturais, acho extremamente necessário vivenciar tais coisas.

Pretendo começar a cumprir essa lista muito cedo, tanto que trabalharei assim que possível para iniciar o acúmulo de capital, que se faz necessário quando há o desejo de realizar facetas como essas.

Não quero fazer nenhuma dessas viagens sozinha, porque acredito que a felicidade só é real quando compartilhada, então pretendo compartilhá-la, com quem é algo a ser decidido com o tempo, tendo em vista que planos feitos com muita antecedência nunca funcionam, pelo menos não na minha vida.

Vamos lá!

1 – Tour pelo Brasil, em uma Kombi, especificamente. Conhecer todos os estados, as partes mais bizarras deles, descobrir a fundo como é a vida no Brasil, como são as pessoas, as diferenças existentes etc e tal. Durante esse tour ainda pretendo levar um pouco de cultura às crianças da região, só não decidi ainda se vou carregar um grupo de teatro inteiro ou inventar outra maneira de fazer isso.

2 – Fazer uma viagem de barco pelo Mar Negro, visitando todos os países de sua encosta. Não me contento em somente conhecer os lugares, quero viver como gente nativa de tais lugares. Quero ter experiências muçulmanas e judaicas, usar burca etc e passar alguns dias com os grupos extremistas também, para tentar entender o sentido que tais pessoas encontram para fazer as atrocidades que fazem.

 

3 – Ir pra Rússia e pegar um trem que vai de Moscou até Vladivostok, com algumas paradas estratégicas no meio e na volta uma bela visita à Sibéria!

4 – Tour pelo “Mundo Antigo”, passando por Itália, Egito e Grécia.

5 – Tour pelo Oriente, visitando o Japão, China e Índia.

6 – Fazer uma viagem bem underground pela África, para conhecer a maior quantidade de etnias possível. Várias tribos e modos de vida diversificados, levando ajuda humanitária aos necessitados, lógico.

7 – Passear pelo Caribe e ficar um bom tempo em Cuba, estudando sobre o modo de vida deles e pegando umas aulas sobre cinema.

8 – Fazer um tour à lá Christopher McCandless pelos EUA, para chegar ao Alaska, mas quero passar pelo máximo de estados possível e viver com afinco a cultura de cada um.

9 – Passear pelo Canadá, indo do Oeste para o Leste começando de Yukon.

10 – Cruzar a costa Oeste da América do Sul em um ônibus, conhecendo o máximo de coisas possíveis. Dando ênfase no Chile, Peru e Bolívia.

11 – Visitar a Islândia quando algum vulcão bem grande estiver em erupção. Quero ver a Aurora Boreal lá também e a neve e tudo mais, Islândia deve ser muito lindo! Só não decidi ainda o meio de transporte utilizado para tal aventura…

12 – Eurotour básico, tenho que conhecer França, Inglaterra e esses outros países não tão legais também, né. França é interessante por causa dos museus e do cinema e Inglaterra só porque parece bonito mesmo… Mas já é segundo plano isso.

Bom, os seis primeiros passeios eu pretendo fazer antes de completar 30 anos, os outros posso fazer até com 100 anos, desde que faça!

É isso, alguém se candidata para ser meu acompanhante? Se souberem de mais destinos interessantes, aceito dicas.

Groenlândia, talvez? Parece legal, hein!

(Como diria meu professor de geografia “A geografia explica tudo!”)