Não Preciso Disso pra Ser Feliz.

Nem pra me sentir completa.

Isso tudo é uma piada. A vida é uma grande piada, contada, diversas vezes, por péssimos piadistas que nos fazem rir só porque chorar na frente deles seria deplorável. A verdade é que o mundo só caminha quando passamos a dotar a ele algum tipo de sentido, não importa qual seja. Tem gente que quer ser feliz, outros querem mudar o mundo, outros querem apenas existir sem que ninguém os incomode, outros não querem nada, mas todos perdem tempo pensando em qual sentido esperam que o mundo e a vida em geral tenha para eles. E eu não me importo com o que as pessoas querem, só fico triste quando percebo que o que as motiva a querer as coisas são coisas com as quais não concordo. E eu sei que eu não deveria me importar que eu não deveria ficar indignada com as diferenças, mas sim aceitá-las, mas, bem, isso é difícil.

Porque desde que eu nasci me disseram que eu deveria viver em busca de uma coisa chamada “felicidade” e eu nunca soube ao certo o que é isso, mas todas as vezes em que senti meu estômago borboletear após algo bom ter acontecido em minha vida, denominei que tive um momento de felicidade. Aos poucos percebi que viver na felicidade é algo que não existe, aprendi que é apenas uma palavra, como todas as outras, uma palavra que tenta simbolizar um sentimento irreal. Ou real por apenas poucos segundos. E isso foi terrível. Porque ver sentido na música de natal que diz “papai Noel, vê se você tem a felicidade pra você me dar/ já faz tempo que eu pedi, mas o meu papai Noel não vem, com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem” é algo absurdamente absurdo. E todas as vezes que me pego refletindo abruptamente sobre temas que ninguém se importa lembro-me de meu primo assistindo a Clube da Luta e comentando só e unicamente “as cenas de ação são massa, mas esse cara é muito pilhado” e penso que, bem, eu sou muito “pilhada”, o que quer que isso queira dizer. Porque eu simplesmente não consigo engolir determinadas situações sem que isso gere em mim uma reação em cadeia de pensamentos terríveis que, na maioria das vezes, resultam ou em textos chatos, ou em eu descontando minhas neuras em gente nada a ver. Já descontei as neuras hoje, mas não foi suficiente. Precisava fazer um texto.

Eu tinha cinco anos quando disseram que eu tinha casado. Estava sendo daminha do casamento do meu primo, junto com o irmão da esposa dele e disseram que a gente se casou junto com eles. Acreditamos e passamos a noite dançando junto, como os noivos estavam fazendo e depois saímos dizendo que nos amávamos, pois era o que os noivos fizeram. Com seis anos todas as meninas da sala se reuniram e disseram que gostavam cada uma de um fulano, eu tive que arranjar o meu, caso contrário ficaria sem amigas. Com oito anos, os pretendentes eram outros e tínhamos passado a ser mais seletivas. Perdi-me no tempo e consegui sobreviver sem adentrar-me nesse meio torturante em que eu tinha que fingir interesse por um menino idiota só por ser bonito para ter amigas e de repente estava com catorze anos, todas as minhas novas amigas já tinham beijado algum garoto e as conversas em suma maioria eram sobre eles. E eu adentrava mesmo sem ter nenhuma experiência, só porque sempre gostei de meter o bedelho na vida alheia. E eu completei quinze anos e não ganhava mais tantos presentes de aniversário, a maioria das pessoas terminava o cumprimento com “um bom namorado”. Com dezesseis terminavam o cumprimento com “e muitos gatinhos”. Com dezessete davam três beijinhos que era “pra casar” e com dezoito faziam tudo ou diziam “nem adianta desejar essas coisas mais, né?” e eu nunca soube o que fazer nessas situações, na verdade, nunca sequer compreendi as razões para que elas existam.

Atualmente toda semana eu tenho que escutar alguém elencando motivos para que eu arranje um namorado, explicando seriamente sobre o quão a vida melhora quando isso acontece “você se frustra menos”, “beijar é bom”, “é bom ser amado” e tudo que eu consigo pensar é que eu consigo todo o amor que necessito com a minha mãe e meu pai e não estou interessada em procurar mais um ser para esse fim. E tudo que eu consigo pensar é em dizer, ”Por favor, vá cuidar da sua vida”, mas sei que meus pais ficariam chateados com a “falta de educação” e então fico calada. Porque a coisa é tão absurda que a falta de educação não é em meter o bedelho na vida alheia, mas sim em reclamar que estejam fazendo isso, porque “eles falam para o seu bem”. Quem foi o burro que disse um dia que isso seria para o meu bem?

Tenho apenas dezoito anos, mas já estou morta de cansada de rir das piadas engraçadas da vida e de fingir que estou rindo das tristes. Estou morta de cansada dessa gente que tira não sei da onde que a vida ideal é morar numa casa com quintal, ter cachorros, um marido rico e bonito e mil filhos. Não que tenha algo errado em pensar assim, o errado, sob o meu ponto de vista, consta no fato de a pessoa achar seu pensamento tão certo a ponto de tentar implantá-lo na vida de todos os outros seres que encontra. Porque eu não concordo com nada disso, mas só tenho coragem de abrir a boca em situações como esta quando sei que o interlocutor vai entender e não vai apenas dizer “ai, essa aí é uma louca que ainda acredita que pode mudar o mundo” porque, eu não acredito que eu vá mudar o mundo, minha gente! Eu só não concordo com as linhas de pensamento tradicionais e prezo pelo meu direito a ser livre para pensar e agir de acordo com o que eu bem entender! Porque eu nunca cheguei pra uma garota e disse “pare de se sujeitar a essa teoria abrupta de que você precisa estar apaixonada e ter um namorado lindo aos 15 anos para ter um futuro perfeito” eu simplesmente deixei de acreditar nisso e comecei a viver melhor comigo mesma.

Porque não há nada de errado em não querer que sua vida dependa da vida de outra pessoa. Em não querer ter um namorado só porque a sociedade lhe impõe que é o certo a fazer. Em acreditar no amor em pleno século XXI. Em tentar descobrir maneiras cada vez melhores de viver e aproveitar bem a vida, independentemente de qual linha filosófica você tenha que seguir para isso. Não há nada de errado em ser quem se é, independente se é loiro, moreno, careca, cabeludo, rei, ladrão, polícia ou capitão! Todos têm as mesmas chances e probabilidades de conseguirem o que querem da vida e até mesmo de decidirem que não querem nada! E eu não luto pela minha felicidade e os outros que se danem e não luto pela felicidade dos outros e eu que me dane, eu não luto por nada! Apenas tenho o singelo desejo de que possamos respeitar, de fato, uns aos outros e parar com essa babaquice de acreditar que a vida fácil, ou que é passada para nós como fácil, como tradicional e, diversas vezes, como certa, seja de fato a mais fácil, tradicional e certa. Meu desejo é apenas que cada um tenha a capacidade de descobrir o que é melhor para si mesmo, sem tentar impor isso a nenhum outro. É que deixem as garotas que não querem namorar ou que anseiam desesperadamente por isso, mas por algum motivo não conseguem, em paz e ao mesmo tempo em que deixem em paz a que começou a namorar aos onze anos. Eu só queria que todo mundo vivesse a vida em paz. Tanto consigo quanto com os outros. Sem essas pressões abruptas e toscas que uma sociedade e uma cultura de loucos vive nos impondo!

Eu só queria poder morrer virgem aos 110 anos sem ter que ouvir toda semana algum panaca me dizendo que eu deveria estar namorando. Porque, mesmo que a felicidade esteja em falta, seja rara e uma palavra infeliz, é possível alcançá-la sem ter um homem nas costas – ou em qualquer outro lugar do corpo.

Desculpem-me, eu precisava desabafar.

Para-Noia

Há um bom tempo um amigo me disse que tentava adentrar os sonhos dos outros enquanto dormia. Tratava-se de um processo esquisito que ele provavelmente viu em algum filme, mas que consistia em mentalizar muito bem a pessoa desejada antes de deitar e tentar voluntariamente sonhar com ela. Quando isso acontecesse você deveria tentar transmitir esse sonho pra pessoa, como eu não sei. Mas sempre achei essa teoria no mínimo interessante, afinal, se tem algo que sempre me invocou foi: será que sempre que eu sonho com tal pessoa ela sonha comigo?

Sei que não é bem assim, várias vezes sonhei com minha mãe e ela não tinha sonhado comigo, mas eu sempre acho que talvez em algumas ocasiões isso seja possível. Tem que ser, caso contrário, como explicaríamos aquela sensação bizarríssima que ocorre quando damos de cara com a pessoa que a gente sonhou? Não sei se é só comigo, mas sempre que eu sonho com uma pessoa aleatória e de repente a encontro me sinto muito incomodada, parte de mim sabe que ela não sabe que eu sonhei com ela ou o que aconteceu no sonho, mas outra parte fica cismada com a possibilidade de a pessoa saber sim o que aconteceu e estar te torturando de uma maneira que nem você é capaz de saber. Sim, eu sou paranoica a esse nível.

Recentemente, por exemplo, sonhei com uma pessoa da minha universidade com a qual eu nunca falei ou sequer sei o nome. Apenas a vejo por lá vez e outra e tive um sonho muito esquisito em que revivíamos uma cena de Gossip Girl e eu nem tinha visto o seriado recentemente. Estávamos em um fusca azul, no meio de uma estrada aleatória tentando solucionar um mistério que estava envolvendo alguns de nossos amigos. Típico sonho que ninguém no mundo além de mim é capaz de ter. Pois é. Enfim. O sonho foi superinteressante porque eu adoro essa coisa de ser investigadora e a gente conseguiu solucionar o mistério e do nada eu acordei em casa, mas é claro que eu ainda estava dormindo na vida real, porque quando inventaram o filme “Inception” estavam pensando em mim. O fato é que desde que isso aconteceu, todas as vezes que eu vejo a pessoa na universidade me sinto esquisita e fico envergonhada porque, Deus do céu, eu sonhei com aquela pessoa e eu não sei nem que curso ela faz.

Eu sofro muito com minha relação de sonhos. Eu queria poder escolher com quem sonhar. Queria poder escolher se sonharei em preto e branco ou a cores, porque é deveras aflitivo, mas na maioria das ocasiões os sonhos vêm em preto e branco. E desde que eu assisti a “Inception”, because I’m that paranoid, vivo pensando que quando sonho com essas pessoas aleatórias é porque elas invadiram o meu sonho e estão tentando implantar uma ideia macabra na minha cabeça. E assim sendo eu passo uma verdadeira epopeia tentando descobrir que ideia seria essa, para que eu tenha a capacidade de por mim mesma negá-la e agir completamente diferente do que o besta que entrou na minha cabeça queria que eu agisse.

O pior é que não faz o menor sentido pensar que alguém, algum dia, por algum motivo, iria querer invadir um sonho meu pra implantar uma ideia boba, não importa qual fosse. Mas desde que meu amigo disse que tentava fazer isso, fiquei realmente com medo. Vai que alguém já conseguiu? Vai que, de fato, todas as vezes que eu sonho com as pessoas, de alguma maneira elas sabem? Mas se fosse assim, eu saberia quando alguém sonha comigo e nunca senti nada diferente, mas sei que já sonharam. Pelo menos minha mãe o fez.

Eu não me sinto confortável com a hipótese de sonhos, de alguma maneira, fazerem parte da realidade. Essa ideia macabra de que eles influenciam a realidade, ou de que são desejos que gostaríamos de realizar… Quer dizer, já sonhei que minha melhor amiga namorava o Michael Jackson e, assim, eu posso ser louca, mas jamais ia querer que a coitada tivesse um namorado daquele! Em compensação eu já sonhei com a minha avó regendo um coral com todos os integrantes da família e depois carregando meu tio e quando eu fui dizer que era eu quem queria ir junto ela disse que estava na vez dele, mas que em breve buscaria mais um. No outro dia meu tio estava morto e seis meses depois outra tia estava. E eu sei que isso pode ser apenas coincidência, mas e se tiver algo a ver? E se tiver a mínima chance de ser real? E se, lá no fundo, os sonhos de fato querem dizer algo e não é apenas um monte de reflexos idiotas do nosso subconsciente repleto de informações inúteis? Eu não sei. Só sei que em diversas etapas da minha vida, por mais que eu seja absolutamente viciada em dormir, fico com medo de me deitar e sonhar com algo que certamente não gostaria de saber. Às vezes eu evito dormir por medo dos sonhos que podem advir do fato. Enquanto outras vezes tudo que eu preciso é de um bom sonho pra me sentir aliviada. Sonhos, o verdadeiro mistério da fé humana. E eu preciso ser uma super credora neles, tendo em vista que os meus são os maiores, mais bizarros e mais impossíveis que o universo já imaginou existir em algum momento.

Eu sei, eu sei, sou lunática, paranoica e deveria urgentemente ler o livro do Freud, mas a questão é que eu não gosto de tentar encontrar respostas para as minhas questões, gosto apenas de pensar em coisas bizarras e perder meu tempo tentando desvendá-las, por contra própria, pois com auxílio de textos seria completamente sem graça!

E nem ousem perguntar meus motivos para ter escrito esse texto, porque, fora a angústia de achar que alguém vê o que eu sonho, não há.

Coração Apertado.

Tenho andado com o coração pra lá de apertado. Não. Não tem nada a ver com o “dia dos mortos”. Eu não acredito nessas coisas. Acho que é esse o problema, eu não acredito mais em nada. Parece que a cada texto que eu leio, a cada aula que assisto, ao invés de clarear as coisas em minha mente elas ficam cada vez mais turvas e eu cada vez entendo menos sobre o mundo ao meu redor, ao mesmo tempo que o entendo infinitamente. A cada dia que passa eu descubro centenas de novas coisas e de razões para que as coisas atuais sejam da maneira que são e ao invés de pensar em algo para melhorá-las eu simplesmente fico com o coração apertado, como chocolates, muitos chocolates e tenho vontade de abster-me da humanidade, de fugir pra minha natureza selvagem logo. Eu ando cansada. Cansada de toda essa humanidade. De ter que sorrir por aí como se tudo estivesse perfeitamente nos conformes, de ter que conversar com pessoas que eu não gostaria e de não poder conversar com as que eu gostaria. Estou cansada de todo esse encargo cultural que a sociedade nos impõe, de todos esses impedimentos, essas barreiras, de todos os muros que construímos ao redor de nós mesmos e que acabam por nos sufocar. E no meio de tudo isso questiono a mim mesma, as minhas escolhas e atitudes. Questiono sobre tudo que eu fui o que sou e o que pretendo ser. E decepciono-me ao ver que a cada passo que eu dou decepciono mais pessoas, cada vez mais.

Porque eu não quero vencer na vida. Eu não quero ser alguém. Eu não quero ser milionária. E nem é porque eu não queira, se eu fosse milionária certamente não reclamaria, mas eu sei que não quero tentar ser uma. Não quero condenar-me a trabalhar horas a fio como uma otária, aguentando todo tipo de imbecilidade para acumular bens materiais. Eu morreria de preguiça muito antes de conseguir. Sim, eu sou muito preguiçosa. Talvez a pessoa mais preguiçosa que já pisou nessas terras. Na verdade, acredito que se existe um Deus que cria as pessoas, quando ele foi me criar pensou em uma pessoa que acumulasse todos os defeitos que ninguém quer ter e todas as qualidades que ninguém quer ter e daí nasceu eu. Eu. A pessoa que sempre foi “a esquisita” não importa onde ela estivesse, mesmo que fosse um lugar esquisito. Porque consegue ser mais esquisita que os lugares esquisitos. Eu sempre fui aquela que as pessoas gostam de conversar sobre assuntos polêmicos só para argumentar e que gostam de conversar sobre coisas fúteis só para rirem da minha risada. Nunca fui a pessoa que as pessoas conversam quando simplesmente precisam conversar com alguém. E, ao contrário, eu não costumo puxar assuntos polêmicos ou fúteis, eu geralmente inicio conversas para saber essencialmente sobre o outro e para ter uma oportunidade de falar sobre mim. Eu gosto de falar sobre mim porque tenho esperança de que fazendo isso acabarei por lembrar-me mais sobre mim e tenho esperança de um dia descobrir da onde eu vim e porque estou aqui. A verdade é que mesmo dizendo que não, eu sempre quis ser aceita. Todos querem. Eu sempre quis sentir que pertencia a algum lugar e eu fui capaz de sentir isso várias vezes, mas sempre dura pouco. Pouco demais. Tão pouco que nem vale apena. Eu sempre quis mais do que eu tive. Não no quesito material, na intensidade mesmo. Sempre quis coisas mais intensas. Que eu pudesse por à prova  e ter certeza de que sempre continuariam ali. Mas nada sempre continua ali, só meus pais mesmo e eu nunca entendi o que acontece com os pais para que suportem tantas barbaridades feitas por seus filhos. Sei que escrevendo assim pareço uma rebelde revoltada que daria tudo para sair em um ônibus esquisito, com roupas rasgadas e delineador tocando guitarra e cantando músicas revolucionárias, mas, bem, essa não sou eu. Eu não sei quem eu sou, mas certamente não sou essa. Estou muito mais para a garota que passa os dias com o coração espremido dentro de si, morrendo de vontade de viver tudo intensamente, mas que se sente incapaz de fazer toda e qualquer coisa. Estou mais praquela que queria ser capaz de ler tudo que a universidade manda, mas que não há santo que a faça conseguir. Que gostaria de ver todos os filmes de sua lista, mas que dorme no meio deles e que só consegue embarcar em livros quando os percebe muito distantes de sua realidade. Estou mais pra garota esquisita, que sempre será a garota esquisita, não importa onde esteja, por razões diferentes, claro, mas sempre a garota esquisita. Eu devia simplesmente acostumar-me com isso, mas é difícil. Às vezes eu queria ser mais normal, queria conseguir ir bem em matemática pra fazer engenharia e não precisar pensar sobre nada, apenas agir mecanicamente. Queria ter vontade de vencer na vida, casar de branco em uma Igreja e fazer um chá de bebê convencional. Queria ter coragem de fazer uma tatuagem num lugar super visível, olhar pra ela a vida inteira e nunca enjoar. Só queria aceitar coisas não efêmeras, mas me parece absolutamente impossível. Tudo me parece impossível, inclusive viver. A verdade é que eu sempre chorei quando meus pais vieram me contar que a gente ia se mudar, mas faz dois anos que peço quase todo dia para eles para a gente ir embora daqui, porque eu não aguento mais. Porque estou aqui há tempo demais. Porque não me identifico mais. Porque eu quero nascer de novo, outra vez. Porque eu as vezes tenho a vontade insana de deletar todas as minhas fontes de comunicação internetescas e desaparecer por décadas, para quando reaparecer só as pessoas realmente importantes ainda lembrarem-se de mim. Porque eu tenho mania de viver testando as pessoas e pior, viver testando a mim mesma. De viver analisando a todos, observando de longe, sem conseguir participar, por mais que eu morra de vontade de participar. Não aguento mais essa imprecisão, não sei como lidar com ela. E a cada dia eu entendo mais as razões pelas quais Peter Pan escolheu nunca crescer. Tudo que eu queria era ir à Terra do Nunca. Para nunca perder a capacidade de sonhar sempre e de acreditar que todos os meus sonhos são passiveis de ser real algum dia, desde que eu me esforce para isso. Sou apenas um emaranhado de palavras de apoio moral muito bonitas que não se encaixam para ninguém, nem para mim mesma.

“Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém? Me fiz em mil pedaços, só pra você juntar.” Quase Sem Querer – Legião Urbana

Tudo Começou na Feira do Livro

Minto. Tudo começou enquanto eu pensava em ir à feira do livro. Havia combinado de me encontrar com minha amiga às 15h20min num lugar específico que ficava a 5min de casa, mas ela sempre se atrasa, então resolvi me atrasar também e saí de casa quando eram 15h20min. Desci do elevador com o celular no ouvido, era ela desesperada dizendo que uma coisa horrível tinha acontecido e perguntando onde eu estava. Desesperei-me e saí correndo pela rua para chegar até ela o mais rápido possível. Encontramo-nos e eu perguntei o que raios havia acontecido, então ela me contou que no sábado daquela semana (era uma quinta) havia ganhado um casaco que ela sonhara por muito tempo. Disse que era o casaco que ela mais quis na vida e que fez a família inteira passar uma manhã com ela procurando por ele. Foi o mais caro que ela ganhou, mas ela ficou tão feliz que tudo valeu apena. Decidiu então usar o casaco nesse dia, só que acabou esquentando e ela estava segurando-o na mão. Pegou o ônibus para ir ao meu encontro e então se tocou de que não estava mais com o casaco, porém não se lembrava de onde havia deixado ou da última vez em que havia visto. Ligou para o último lugar em que esteve e a moça disse que não havia nenhum casaco lá, mas que havia visto um casaco amarrado na mochila dela. Desesperada, ela me disse que estava pensando em fazer o caminho de volta para tentar encontrá-lo no chão da rua ou dentro do tubo do ônibus, quiçá dentro do próprio ônibus. Eu fui com ela, afinal, tinha programado passar a tarde com ela e atravessamos a cidade em um ônibus que não tinha um casaco perdido. E chegamos em um tubo sem casaco perdido. E andamos pela rua sem sinal algum de um casaco no chão. E procuramos nos rodapés e perguntamos para alguns lojistas e até para o guardador de carro e ninguém tinha visto o casaco. Pude ver no rosto dela uma frustração sem tamanho. Ao mesmo tempo em que ela afirmava estar assim somente por que “minha mãe vai me matar” eu sabia que na verdade era porque aquele era o casaco dela, que ela tinha lutado pra ganhar e perdera sem nenhuma explicação. Sem saber o que fazer, apenas repetia baixinho “Era só um casaco, você tem outros” e ela “mas não aquele!” ao que eu replicava “Mas você tem outros! Vai ver quem pegou não tinha nenhum! Era só um casaco!” e então eu percebi que não, não era só um casaco.

Meu filme e livro preferidos possui o mesmo título “Clube da Luta”. Muito mais do que a história de um louco que expelia sua indignação perante o mundo através de brigas clandestinas, para mim é a história de um novo estilo de vida, de uma nova sociedade, de um bando de macacos espaciais revolucionários, de um amor bizarro entre um cara que nem sabe quem é (não que algum de nós saiba), enfim, sob o meu ponto de vista, sir Chuck Palahniuk acabou criando uma filosofia de vida, ferrenhamente utópica, mas ainda assim uma filosofia. Muito provavelmente ele fez isso sem intenção e até deve ter estranhado os efeitos que tudo que escreveu naquelas páginas em branco foram capazes de causar na vida de tanta gente. Clube da Luta é, ou eu tento fazer com que seja, meu lema de vida. É um lema niilista em que posses não servem para nada, apenas para nos tornar um bando de bocós que esquece de pensar em toda a geopolítica e sociologia do mundo pois está encantado demais com o novo tênis da Nike de R$1959 que saiu na loja e ou você vai comprar a vista, ou parcelado, ou nunca vai ter (mas vai morrer de vontade mesmo assim). Tem uma frase que diz que só depois que perdemos tudo é estamos livres para sermos tudo e outra que diz que as coisas que a gente possui acabam nos possuindo. Meu coração borbulha vendo esse filme, lendo esse livro ou simplesmente ouvindo essas frases, pois além de poesia eu penso que é verdade. É a mais pura verdade. É uma triste verdade, daquelas que eu daria tudo para desvencilhar-me, mas que não consigo.

Eu comprei um porta-cartão de MacBeth, no Globe Theatre em Londres. Ele era lindo, tinha desenho de sangue e uma frase do texto – que infelizmente, não me recordo. Eu sempre quis ter um porta-cartão legal e eu comprei o meu, o mais legal de todos. Então eu fui ao cinema com o meu pai pela primeira vez na vida e fiquei tão empolgada com a situação que não sei onde o deixei. Com isso perdi a carteirinha de estudante que estava dentro e assim sendo, quando voltei ao cinema fui até o guichê e disse que tinha perdido minha carteirinha ali. Achei a carteirinha, mas ninguém sabia do meu porta-cartão. Naquele momento aquilo não era somente um porta-cartão, era o MEU porta-cartão. Porque quando a gente decide que possui as coisas, nossa relação com elas e com o mundo ao redor muda por completo.

Minha amiga disse “Você não tem nenhuma roupa que ficaria triste por perder?” e eu respondi que somente meu poncho azul. Ledo engano.

Outro dia, por exemplo, estava eu dentro do ônibus e sinto uma mão dentro da minha bolsa, olho para trás e um cara havia acabado de tirar minha carteira dali. Eu virei com cara de brava, apontei o dedo nas fuças dele e disse ”Você pegou minha carteira!”, ele negou e eu disse que eu havia visto que ele tinha pegado e então o empurrei e a carteira caiu no chão do ônibus, bem na hora em que o mesmo havia chegado em seu próximo ponto deixando a porta aberta livre para o fedelho fugir, enquanto eu pegava a carteira do chão, escondia ela embaixo de tudo na bolsa e mudava de porta. Naquele momento não havia nada mais importante para mim além de salvar a minha carteira. Porque não era só uma carteira, era a minha carteira, com as minhas coisas dentro.

Tenho pensado muito sobre os ensinamentos de Tyler Durden e talvez eles sejam realmente apenas ficcionais, quero dizer, nem meu irmão, que gosta e acredita nisso mais do que eu foi capaz de segui-los, pelo contrário, ele faz tudo o que Tyler diria para jamais ser feito! Talvez seja apenas ficção. Mas gente, é bom e verdadeiro demais para ser apenas isso! E se alguém um dia decidisse que a bíblia é só ficção, as pessoas deixariam de tentar segui-la? Duvido muito. As vezes eu sinto que a doutrina de Tyler é a doutrina da minha vida, a que deve guiar a minha vida. Não inteiramente, não sem exceções, não sem mudanças ou interpretações minhas, afinal, é a minha vida e não é um livro qualquer que me vai dizer como devo vivê-la, mas, mesmo assim, algo me diz que devo basear nem que seja uma pequena parte da minha existência para seguir os seus preceitos, porque, caros amigos, são preceitos mais do que verdadeiros.

As coisas que eu possuo já me possuíram. Eu deixei que isso acontecesse. Apeguei-me a elas. Tenho pensado no que eu faria caso de repente minha casa pegasse fogo, muito provavelmente eu choraria e entraria em crise existencial e só me consideraria apta a viver novamente após ter recuperado pelo menos grande parte das coisas, principalmente os livros. Com as roupas eu realmente não tenho muito apego, tendo em vista que grande parte delas são heranças de parentes que não querem mais usá-las e me dão. Mas os meus livros, bem, eu morreria por dentro caso tivesse que abster-me deles e creio que o mesmo aconteceria caso minhas barbies ou meu poncho azul desaparecessem, porque eu não possuo mais essas coisas, elas me possuem. Elas mandam em mim mesmo sendo meros objetos inanimados. Elas de certa maneira regem meu modo de vida e tornaram-se parte absoluta de minha pessoa. O que seria de mim sem a Mandy ou meus esmaltes, maquiagens e a bolsa do Jack Skeleton? A gente desde sempre aprende a fixar nossa existência na existência de outras pessoas e necessitamos de tanta autoafirmação que pessoas tornam-se pouco e precisamos de mais, cada vez mais e então surge nossa obcessão por coisas. Ter coisas simplesmente pelo ato de tê-las. Possuí-las. Porque é muito mais legal dizer que você TEM o livro tal do que você dizer que pegou ele emprestado na Biblioteca Pública. Porque é sensacional ter aquela Barbie que todos queriam, mas só você tem. Porque a gente gosta de ter coisas. Ao mesmo tempo, o que há de errado nisso, são apenas um bando de coisas, certo? Sim, mas a partir do momento que elas se tornam mais importantes para a gente do que outras pessoas, do que estudar, do que pensar, do que ser e do que viver, elas deixam de ser apenas coisas e passam a nos possuir. O computador me possui. Infelizmente. Eu não sou livre para ser ou fazer o que eu quiser porque estou aqui, cercada de grilhões perante… Perante meras coisas. Coisas que ninguém se importa e talvez ladrão algum pensasse em roubar, mas que para mim são muito mais do que isso. E se eu, que nem sou uma garota tão fútil, sou assim, imagino como devem ser aquelas garotas que nada sabem, nada fazem, nada sentem e nada são, mas tudo têm. A que bases uma pessoa assim se sustenta? Que tipo de vida uma pessoa dessas é capaz de levar?

Por fim, estou precisando ir a um grupo de apoio para uma doença que não possuo a fim de, tomara, encontrar o meu Tyler, que me guiará através das entranhas do universo e fará com que eu finalmente compreenda como é possível viver sem se deixar ser possuída por um emaranhado de objetos inanimados. Por muito tempo busquei o sentido da minha vida, a razão para ela existir e o que eu deveria fazer com ela, mas eu nunca tinha parado para pensar que essa decisão talvez não seja só minha, não caiba somente a mim, mas sim, também e inclusive a todas as coisas que eu tenho e que me detêm. Agora eu entendo os motivos para que uma grande pessoa que eu conheci me proibisse expressamente de chamá-la de “minha” qualquer coisa, ela não queria ser possuída pela minha pessoa, da mesma maneira que eu não quero – e me sinto deveras incomodada com quem acha o contrário. Porque a posse não é maléfica somente quando ocorre com objetos inanimados, pelo contrário, com os animados ela pode tornar-se ainda pior – ou melhor, depende do contexto. Tudo que sei é que meu contexto no planeta Terra, minha missão perante a humanidade é a mais simples de todas: esforçar-me ao máximo para ser livre a ponto de fazer com que as decisões a serem tomadas na minha vida sejam apenas minhas. Minhas e de mais ninguém. Pode parecer egoísta, mas a verdade é que quando eu estiver me acabando de chorar depois de finalmente ter coragem de doar minhas Barbies, quem estará chorando não serão todas as pessoas que conheço e digo amar, quem estará chorando e sofrendo será única e exclusivamente a minha pessoa. Porque há ocasiões em que ser egoísta é a única coisa que nos resta e, bem, torna-se correta. Afinal, tudo que é errado em determinadas ocasiões torna-se correto.

* Caso vocês queiram saber, quando minha amiga chegou em casa descobriu seu casaco em cima de sua cama. Ela havia esquecido-o em casa quando saiu e não perdido em qualquer lugar que fosse.

 

 

 

Contos de Fadas?

Primeiramente devo afirmar que a minha birra não é com os contos de fadas. Eu, como toda boa criança, assisti a todos e sei a grande maioria de cor. No entanto, pelo fato de ter um irmão mais velho, detinha-me nos contos menos afeminados, é por isso que meu preferido é “Rei Leão”, seguido por “Peter Pan”. Os de “menina” que eu gostava eram somente “Alice no País das Maravilhas” e “Cinderella”, este último somente pela cena a seguir. Achava fantástico o fato de uma fada mudar a roupa dela pra uma tão maravilhosa e em seguida transformar uma abóbora em carruagem. Só isso.

Certo, preciso fazer uma desambiguação antes de abordar o tema que desejo. Existem os contos e existem os Contos de Fada. Contos são aqueles fantásticos que em suma maioria foram criados por dois irmãos geniais e que não tinham nada de angelical ou infantil envolvidos, mas foram adaptados e tornaram-se populares. Contos de Fada, por outro lado, são a interpretação que a Walt Disney fez desses contos. No original não haviam fadas envolvidas, por exemplo. Já nos da Disney… Bem. Vocês sabem tudo que neles é abordado.

Muitas crianças ouvem histórias de seus pais antes de deitar e muitas delas são histórias escritas em livros, Contos de Fadas ou outras coisas. Em outros casos as histórias são contadas e, perdoem-me se estiver errada, mas creio que raramente um pai ou uma mãe sentará para contar – sem se basear em um filme ou livro – uma história como a da Branca de Neve, por exemplo. Porém, muitos contam outras histórias, que nunca tiveram um filme, como a da Chapeuzinho Vermelho, dos Três Porquinhos e de João e Maria. Eu só ouvia essas três últimas da minha mãe e nunca existirá uma história mais fantástica para a minha pessoa do que “João e Maria”. Sem brincadeiras.

Eu vim falar hoje sobre o efeito que essas histórias têm em nós. Uma vez comecei a ler um livro chamado “A Psicanálise nos Contos de Fada”, infelizmente não terminei, mas pretendo algum dia pois é um assunto que me atrai bastante. As meninas são induzidas a assistir esses filmes desde que se entendem por gente e em diversos casos antes disso, simplesmente porque está no senso comum que é o tipo de cultura ocidental que todas as crianças devem ter. O detalhe é que ao fazer uma criança saber decorado um filme de princesa você está, na maioria das vezes, criando artifícios na mente dela para acreditar em coisas irreais, e não estou falando da fantasia, dos bules falantes e das feras que viram príncipes, estou falando é de coisas como morrer e ressuscitar com o beijo do amor da sua vida. Ou ser salva por ele. Ou encontrá-lo em uma festa após ter que mudar totalmente quem você é. Eu acho que esses contos fazem com que as meninas pensem que precisam de um príncipe. De um rapaz viril e cavalheiro que as faça sentir como princesas, porque o referencial delas de felicidade plena é a realeza. Qual outra explicação vocês tem para o fato de um casamento real como o ocorrido na Inglaterra ano passado tomar proporções tão grandes? Aquilo foi um símbolo – para a maioria das garotas – de que contos de fadas existem sim e assim, infelizmente elas continuam se enganando.

Somos criadas para esperar que um belo dia encontraremos um cara perfeito que nos amará, nos pedirá em casamento e seremos felizes para sempre. Mas não é assim que acontece. A disney nos enganou! A gente vai crescer e descobrir que não há príncipes encantados. Que não vamos saltitar por aí com um grande amor que surgirá do nada. Que não precisamos ser donzelas e muito menos estarmos em perigo para conseguir ser o que queremos ser. As mulheres lutaram por muito tempo para serem reconhecidas como gente, como seres pensantes e capazes de sobreviver sem o auxílio masculino, mas as crianças até hoje continuam engolindo os malditos filmes da Disney que ensinam todo o contrário! Uma garota não precisa casar para ser feliz. Não precisa ter a realização da sua vida na vida de outra pessoa. Ela pode fazer isso, com certeza, mas não precisa e essa é a diferença que precisamos entender! Não estou colocando a culpa somente nos contos da Disney, mas eles têm um papel fundamental na coisa.

Eu adoro esses filmes, acho legal a parte lúdica e fantástica, mas não consigo deixar de entristecer-me ao perceber que grande parte das garotas realmente acredita que um dia as coisas acontecerão como esses filmes nos mostraram. Entristeço-me ao ver que a Pequena Sereia precisou deixar sua espécie, seu reino, sua vida, mudar seu próprio corpo para só então conseguir viver feliz com um rapaz. Entristeço-me ao ver que a Cinderela só se casou depois de ter abandonado a vida de faxineira e ter entrado num padrão de beleza e arrumação para ir a um baile pomposo. É baseando-se nesses exemplos que muitas meninas querem continuar magras. Querem ser loiras e ter olhos claros. Querem cantar Taylor Swift e achar que um dia o Príncipe Encantado aparecerá a elas. Minha prima me disse uma vez que o que arruinou a vida dela foram esses filmes: ela cresceu vendo homens perfeitos e relacionamentos que davam muito certo sem base alguma para isso e acreditou tanto que não conseguiu aceitar nenhum homem ou relacionamento real até hoje. Gente, isso é ridículo. É um absurdo. É o fim do poço. É jogar fora todas as lutas feministas. É se achar inferior e, principalmente, é ser otária.

Acho que está mais que na hora de ser repassado para as meninas crianças que Príncipes Encantados NÃO existem e que se existissem seriam uns chatos. Que todas as pessoas do mundo têm defeitos. Que elas podem ser felizes, mas precisarão batalhar muito para isso. Que elas não podem ser tão cheia de não-me-toques, pelo contrário, devem ir à luta, achar algo pra fazer e ir lá e fazer. Que ninguém é melhor que ninguém. Que você não vai achar um Príncipe mais facilmente caso você se mude para um país monárquico ou pinte seu cabelo de loiro, ou seja tão magra quanto uma modelo anoréxica. Que entre “casar” e “ser feliz para sempre” há uma enorme e larga ponte. Que é possível ser feliz, bem sucedido e bem visto sendo solteira. Que você não precisa ter as medidas exatas ou ser sempre uma dama. Que você pode ser quem quiser e fazer o que quiser pois é esse o nível da sociedade em que vivemos. Que os irmãos Grimm não escreveram essas baboseiras e que eles teriam vergonha de ver como sua obra foi mascarada. Que ser princesa deve ser um saco e para saber disso basta ler “O Diário da Princesa” ou ver aquele filme com a Julia Stiles e, principalmente, que a gente deve aceitar nossas limitações, aceitar quem somos, aceitar os parceiros que a gente encontrar ou simplesmente ser satisfeita e contente caso não encontre.  De acharem outra palavra para denominar meninas(os) que se encaixam nos padrões. De pais pararem de chamar os filhos de “princesinha” ou “príncipe”. Está na hora das meninas assistirem mais a “Valente” e “Enrolados” do que a essas baboseiras de princesas.. De se apaixonarem mais por “Vida de Insetos”, “Toy Story” e “Bee Movie” do que por Donzelas em perigo. Está na hora dos contos de fada serem mais como “Shrek” e menos como “Bela Adormecida”. Por fim, está na hora de diminuir o número de visualizações desses Contos de princesa, afinal, eles não ensinam nada de principesco, mas sim a ser boba e ter uma vida mesquinha.

* Gostaria de dizer que creio que “A Bela e a Fera” exclui-se um bocado desse parâmetro, pelo fato de que é ela quem salva o Príncipe e não o contrário, além de que o filme tem uma ludicidade e fantasia honráveis e aquela biblioteca é a mais bonita do mundo.