Um dia com Doctor

Minha melhor amiga, Piper Chapman, foi presa por ser comparsa em tráfico internacional de drogas. Eu, como pessoa legal que sou, fui visitá-la na cadeia e uma vez acabei querendo levar presentes para ela que não eram propriamente aceitos pela segurança, o que fez com que eu fosse presa também. Viramos companheiras de cela e a vida era até divertida.

Meu trabalho na prisão era entregar comida, na verdade, cuidar do caixa do refeitório. Isto porque as detentas deveriam pagar para obter sua alimentação. O pagamento era feito com moedas, e eu tinha um imã muito forte que as grudava e ninguém conseguia pegar de mim. Minha chefe era a temida Red e as meninas da cozinha eram incríveis! Na frente do refeitório havia uma loja, repleta de manequins. E eles me assustavam, afinal, poderiam ser aliens dispostos a me atacar a qualquer momento. Por isso, eu sempre trabalhava acompanhada.

Chapman descobriu que o diretor da prisão era amigo de infância de seu pai e conseguiu uma reunião secreta com ele, que lhe garantiu a soltura. Quando ela foi me visitar, prometeu me levar para conversar com o mesmo senhor e para isso passamos pelos dutos de ventilação do presídio, até chegar na sala dele. No entanto, ela não deixou que eu saísse do esconderijo e me mostrasse, a ideia era de que eu fosse apenas uma supervisora do encontro. Era como se eles estivessem em uma televisão, eu podia ouvir, ver, mas não podia tocar e muito menos ser vista. Fiquei com medo, pois meu esconderijo era pequeno e escuro e ouvia barulhos estranhos vindos de fora. Fiz o caminho de volta e na hora que saí pela última porta, não consegui mais encontrá-la para o caso de querer voltar. Havia sido decisão sem retorno.

No momento em que saí, me dei conta que os barulhos advinham de marretas que estavam trabalhando contra a estrutura do presídio, ou seja, havia uma série de pessoas do lado de fora, querendo quebrar as paredes da nossa casa, para nos proporcionar liberdade. Enquanto isso, estava na hora de servir mais uma refeição.

Estava trabalhando normalmente, quando vi uma série de policiais assustados vindo em nossa direção, alguns estavam machucados. Eles gritavam “eles conseguiram! as barreiras foram quebradas!” e com isso, percebi que algumas das paredes haviam caído e era possível fugir. Por um momento, fiquei em dúvida se fugiria ou esperaria Chapman conseguir minha libertação. Decidi não trocar o certo pelo duvidoso e saí correndo desesperadamente.

Só que a cadeia se encontrava no deserto e para chegar até algum lugar com gente, eram muitos quilômetros de corrida. Não sabia o caminho e por isso segui o comboio. Tive que pular barrancos, correr desesperadamente e torcer para que os policiais não me alcançassem. Encontrei uma outra colega de prisão quando estávamos na frente do primeiro prédio do caminho: um hospital psiquiátrico. A mãe dela estava à espera dela, com a intenção de fazer uma internação surpresa, pois sua filha foi presa após um surto psicótico. Enquanto minha amiga pegava a chave do carro, convenci sua mãe a desistir da ideia do manicômio, pois a menina tinha passado muito tempo presa e liberdade supervisionada pela família e psicólogos parecia com o suficiente para ela. A mãe concordou e além disso, ofereceu-me carona para a cidade.

Chegando na cidade, encontrei a minha família e começamos a pensar em como dissuadir a polícia do meu caso para sempre. Considerando que as eleições se aproximavam, caso eu votasse saberiam que tinha fugido e se não votasse eu teria que pagar multa ou voltar para a cadeia. A situação precisava ser resolvida antes disso e a eleição estava muito próxima. Fomos pensar em um plano no refeitório de um shopping, pois estava morrendo de saudades de comidas “normais”. Quando finalmente escolhemos nosso prato e começamos a degustá-lo, percebi que o ambiente estava repleto de policiais e fiquei com medo de ser reconhecida, pois reconheci alguns deles. Olhei para a família e falei que precisaríamos sair dali correndo e ao mesmo tempo sem deixar rastros. O medo era que minha roupa de cadeia me denunciasse.

Assim que saímos do refeitório, fomos parar em uma sala pequena e branca, sem nenhum móvel e com apenas uma mulher vestida em uma blusa amarela e uma calça azul. Contei a ela a minha situação e pedi que trocasse de roupas comigo, ela disse que isso era impossível, mas que em breve um clone dela chegaria e ficaria com orgulho em trocar as roupas comigo. Dito e feito, dois minutos depois entra pelo meio da parede (que aparentemente era uma porta invisível) uma réplica perfeita da mulher, que se dispõe a trocar de roupas comigo. Porém, como nem tudo são flores, a roupa era extremamente apertada e desconfortável.

Saímos e fomos encontrar minha prima que é advogada e poderia me ajudar a resolver o meu caso. Estávamos conversando normalmente, quando avisto mais e mais policiais e o medo volta a crescer. Saímos do local em que nos encontrávamos e nos deparamos com a TARDIS. Doctor, que era Matt Smith, pede para que Amy e Rory me ajudem a encontrar a maior quantidade de fugitivos possível para que entrassem na TARDIS e conseguissem fugir.

Encontramos muita gente e o tempo era curto, pois os policiais se aproximavam. Aconteceu algo inédito para a rotina de Doctor e sua TARDIS: ela lotou. Tanto que eu tive que viajar com as pernas para fora, o que, cá entre nós, era muito divertido. O problema é que o excesso de peso fez com que a decolagem fosse difícil e estar com partes do corpo para fora não ajudava. Consegui entrar e fiquei tão espremida quanto em um biarticulado em horário de pico. Até que a TARDIS parou em um local aleatório, Doctor pediu para que saíssemos e desapareceu.

Estávamos diante de uma porta, a qual entramos e nos deparamos com um maravilhoso (e chique) jantar em clube elegante, sabe-se lá onde. Encontramos lugar para todos nós e comemos muito e bem, enquanto alguns recebiam notícias de que algumas pessoas foram recapturadas. Soubemos que as latinas, ao voltarem pra prisão, estavam felizes por terem tido tempo de visitar o México e que Red continuava mal humorada e irritada por não ter sido bem sucedida. Nós estávamos felizes e aparentemente despreocupadas, embora não soubéssemos onde e tão pouco qual era a nossa situação.

Foi então que eu acordei.