Para-Noia

Há um bom tempo um amigo me disse que tentava adentrar os sonhos dos outros enquanto dormia. Tratava-se de um processo esquisito que ele provavelmente viu em algum filme, mas que consistia em mentalizar muito bem a pessoa desejada antes de deitar e tentar voluntariamente sonhar com ela. Quando isso acontecesse você deveria tentar transmitir esse sonho pra pessoa, como eu não sei. Mas sempre achei essa teoria no mínimo interessante, afinal, se tem algo que sempre me invocou foi: será que sempre que eu sonho com tal pessoa ela sonha comigo?

Sei que não é bem assim, várias vezes sonhei com minha mãe e ela não tinha sonhado comigo, mas eu sempre acho que talvez em algumas ocasiões isso seja possível. Tem que ser, caso contrário, como explicaríamos aquela sensação bizarríssima que ocorre quando damos de cara com a pessoa que a gente sonhou? Não sei se é só comigo, mas sempre que eu sonho com uma pessoa aleatória e de repente a encontro me sinto muito incomodada, parte de mim sabe que ela não sabe que eu sonhei com ela ou o que aconteceu no sonho, mas outra parte fica cismada com a possibilidade de a pessoa saber sim o que aconteceu e estar te torturando de uma maneira que nem você é capaz de saber. Sim, eu sou paranoica a esse nível.

Recentemente, por exemplo, sonhei com uma pessoa da minha universidade com a qual eu nunca falei ou sequer sei o nome. Apenas a vejo por lá vez e outra e tive um sonho muito esquisito em que revivíamos uma cena de Gossip Girl e eu nem tinha visto o seriado recentemente. Estávamos em um fusca azul, no meio de uma estrada aleatória tentando solucionar um mistério que estava envolvendo alguns de nossos amigos. Típico sonho que ninguém no mundo além de mim é capaz de ter. Pois é. Enfim. O sonho foi superinteressante porque eu adoro essa coisa de ser investigadora e a gente conseguiu solucionar o mistério e do nada eu acordei em casa, mas é claro que eu ainda estava dormindo na vida real, porque quando inventaram o filme “Inception” estavam pensando em mim. O fato é que desde que isso aconteceu, todas as vezes que eu vejo a pessoa na universidade me sinto esquisita e fico envergonhada porque, Deus do céu, eu sonhei com aquela pessoa e eu não sei nem que curso ela faz.

Eu sofro muito com minha relação de sonhos. Eu queria poder escolher com quem sonhar. Queria poder escolher se sonharei em preto e branco ou a cores, porque é deveras aflitivo, mas na maioria das ocasiões os sonhos vêm em preto e branco. E desde que eu assisti a “Inception”, because I’m that paranoid, vivo pensando que quando sonho com essas pessoas aleatórias é porque elas invadiram o meu sonho e estão tentando implantar uma ideia macabra na minha cabeça. E assim sendo eu passo uma verdadeira epopeia tentando descobrir que ideia seria essa, para que eu tenha a capacidade de por mim mesma negá-la e agir completamente diferente do que o besta que entrou na minha cabeça queria que eu agisse.

O pior é que não faz o menor sentido pensar que alguém, algum dia, por algum motivo, iria querer invadir um sonho meu pra implantar uma ideia boba, não importa qual fosse. Mas desde que meu amigo disse que tentava fazer isso, fiquei realmente com medo. Vai que alguém já conseguiu? Vai que, de fato, todas as vezes que eu sonho com as pessoas, de alguma maneira elas sabem? Mas se fosse assim, eu saberia quando alguém sonha comigo e nunca senti nada diferente, mas sei que já sonharam. Pelo menos minha mãe o fez.

Eu não me sinto confortável com a hipótese de sonhos, de alguma maneira, fazerem parte da realidade. Essa ideia macabra de que eles influenciam a realidade, ou de que são desejos que gostaríamos de realizar… Quer dizer, já sonhei que minha melhor amiga namorava o Michael Jackson e, assim, eu posso ser louca, mas jamais ia querer que a coitada tivesse um namorado daquele! Em compensação eu já sonhei com a minha avó regendo um coral com todos os integrantes da família e depois carregando meu tio e quando eu fui dizer que era eu quem queria ir junto ela disse que estava na vez dele, mas que em breve buscaria mais um. No outro dia meu tio estava morto e seis meses depois outra tia estava. E eu sei que isso pode ser apenas coincidência, mas e se tiver algo a ver? E se tiver a mínima chance de ser real? E se, lá no fundo, os sonhos de fato querem dizer algo e não é apenas um monte de reflexos idiotas do nosso subconsciente repleto de informações inúteis? Eu não sei. Só sei que em diversas etapas da minha vida, por mais que eu seja absolutamente viciada em dormir, fico com medo de me deitar e sonhar com algo que certamente não gostaria de saber. Às vezes eu evito dormir por medo dos sonhos que podem advir do fato. Enquanto outras vezes tudo que eu preciso é de um bom sonho pra me sentir aliviada. Sonhos, o verdadeiro mistério da fé humana. E eu preciso ser uma super credora neles, tendo em vista que os meus são os maiores, mais bizarros e mais impossíveis que o universo já imaginou existir em algum momento.

Eu sei, eu sei, sou lunática, paranoica e deveria urgentemente ler o livro do Freud, mas a questão é que eu não gosto de tentar encontrar respostas para as minhas questões, gosto apenas de pensar em coisas bizarras e perder meu tempo tentando desvendá-las, por contra própria, pois com auxílio de textos seria completamente sem graça!

E nem ousem perguntar meus motivos para ter escrito esse texto, porque, fora a angústia de achar que alguém vê o que eu sonho, não há.

Estou cansada…

Ao contrário da Analu e da Rafa que estão cansadas de ficar de mau humor, eu estou cansada é da vida como um todo mesmo.

No momento estou abundantemente feliz, capaz de sair saltitando por aí, mesmo sem ter comido chocolate antes. Efeitos do teatro, certamente, pois mesmo que até agora tenhamos apenas lido, escrito e conversado, não me arrependo nem um pouco de ter voltado a frequentar aquele tão magnífico lugar, mesmo tendo que ouvir da mamãe Ana que não dou bola para ela, o que me entristece um pouco, porque seria impossível deixar de amá-la algum dia, mas bem… Preciso fazer novas amizades, ser legal com a minha turma e isso significa que não posso deixá-los no vácuo para falar com ela quando ela bem entende, mesmo porque, ela nunca abandona as amigas dela para falar comigo. Enfim. Não vim aqui falar sobre isso.

O que me traz aqui hoje é algo um pouco mais sério.

Minha rotina têm sido exaustiva e ao final de cada dia, ao invés da sensação de dever cumprido que deveria pairar ao meu redor, tudo que consigo sentir é um cansaço extremo e durmo pensando em todas as coisas que eu deveria ter feito e acabei não fazendo pela falta de tempo. A verdade é que há tanta coisa para ser feita pela minha pessoa, que está ficando difícil controlar tudo e bem, não quero decepcionar ninguém, principalmente, não quero me decepcionar, então não posso falhar, tenho que seguir meus planos para atingir minha meta final, mas está sendo muito difícil manter esse pensamento o tempo todo. Seja porque eu acordo e penso que vou estudar e prestar atenção nas aulas e me deparo com aulas chatas ou com pessoas que acham que sabem tudo e não dão bola para o que o professor está tentando falar ou ainda pessoas que acham que a escola serve para testar seus conhecimentos o tempo todo e que você deve ser ágil e responder tudo como se estivesse em uma maratona, pois caso você resolva simplesmente ficar calado será automaticamente considerado burro, demente, retardado e incapaz de ser alguém na vida ou porque eu acordo morrendo de sono e repassando na mente todas as razões para me submeter a horas sentada numa cadeira desconfortável vendo coisas que pouco me interessam. O problema é que quando eu penso nessa segunda hipótese, o próximo pensamento é “Que retardada você! A escola serve para te ensinar o básico sobre todas as coisas e você deve estar interessada e deve se esforçar para compreender um pouco de cada coisa, porque assim vais certamente ser uma pessoa melhor!”, mas ah… Não dá para manter esse tipo de pensamento todo dia o tempo todo.

Ultimamente estou cansada de acordar cedo, dormir tarde, nunca ter tempo para fazer o que quero, quer dizer… Minhas unhas, sobrancelhas e – pasmem – até meu cabelo estão terríveis e precisando de um jeito, mas não tenho mais de onde tirar tempo para arrumá-los. Preciso estudar algumas matérias que estou completamente perdida, quero estudar aquelas que eu amo e necessito estudar aquelas em que estou indo mau, também tenho que ler 9 livros antes de Novembro, quero estudar pro teatro, quero estudar sociologia e ainda tenho que fazer algum exercício físico, comer direito, continuar vendo meus filmes e arranjar tempo para escrever todas as coisas que me vêm à mente e poxa… Não cabe tudo isso em 24h, considerando que tenho que passar 5h na escola praticamente todos os dias e mais 3h nas aulas de teatro. Não estou reclamando, longe de mim. Como disse anteriormente, estou feliz como não estava há tempos, mas sinto falta de ter um tempo para descansar de tudo isso, para dormir o quanto tiver vontade, para cantar, gritar, dançar, pular por aí, inventar mais teorias loucas e observar o mundo de uma maneira mais interessante. São essas coisas que eu chamo de “vida”, não que eu não esteja vivendo, mas poderia estar vivendo muito melhor. Não que eu almeije a perfeição, mas me decepciono demais comigo mesma quando vou dormir e reparo que não abri nenhum livro para ler, não estudei bulhufas e sequer consegui tempo para fazer meus exercícios de voz e treinar um pouco de leitura. Sei que posso mudar essas coisas, mas não consigo tempo nem para tentar me organizar! Acho que isso é um reflexo da falta do final de semana completo, porque eu tenho aula nos sábados de manhã, então só tenho o Domingo de descanso e infelizmente isso não me é suficiente.

Há também aquela boa e velha preguiça que me domina desde sempre e me impede de tirar a bunda gorda da cadeira e ir fazer algo. Seja porque estou sempre com sono ou porque tenho dor de cabeça só em pensar em resolver exercícios matemáticos. O fato é que ultimamente o que antes era apenas um cansaço mental, começou a ser um cansaço físico e está em um estágio tão alto que não sei como farei para sair dessa inércia e voltar à ativa.

Todo esse cansaço tem afetado minha memória, tanto que se antes eu precisava ler uma vez para entender, agora tenho que ler duas. Se antes eu demorava poucos segundos para aprender uma coisa nova, agora preciso repassar várias vezes. Isso sem contar as informações extensas. Estou sentindo dificuldade até para recordar o que ando comendo, imagine se eu resolver recordar o que aprendo na escola? Não sei mais para onde todas essas informações estão sendo levadas, acredito que elas entrem na minha mente e morram lá dentro, porque ultimamente tem ocorrido coisas muito estranhas, como abrir num caderno e ler um texto que você escreveu e só saber disso porque está assinado, pois você não faz ideia de quando escreveu ou porquê o escreveu. Isso é muito triste. Estou ficando preocupada. A coisa fica mais grave ainda quando eu percebo que nem letras de músicas eu consigo decorar mais. Sou muito nova para ter atingido o limite máximo de memória que um ser humano pode suportar. As vezes acho que eu preciso de uma Penseira, sabem? Igual a do Dumbledore, sim, porque ele viveu por tanto tempo e lúcido somente porque podia esvaziar a mente e deixar algumas coisas ali. Penseiras seriam extremamente úteis no mundo atual, principalmente no meu mundo atual. Deixar somente as memórias aproveitáveis para cada situação dentro da cabeça enquanto as outras descansam em pequenos vidrinhos parece-me absurdamente maravilhoso.

Tudo isso é só para dizer que mesmo meus dias parecendo enormes e passando vagarosamente, estão sendo curtos para a quantidade de coisas que eu deveria fazer. Falta também organização e motivação de minha parte, com certeza, mas não vejo como conseguir isso enquanto esse cansaço reinar meu ser. Sabem o que é sentir o braço pesado na hora de escrever, como se você tivesse nadado a tarde inteira, mas na verdade você estava em casa sem fazer nenhum grande esforço no braço? Então. Estou ficando com medo. Que médico que vocês acham que poderia me ajudar num caso desses? Porque sim, isso é caso de médico. Sério. Não que isso diminua minha felicidade e satisfação com a minha vida, mas dormir com essa quantidade gigante de cansaço não tem sido agradável e quando até dormir deixa de ser agradável, certamente há um problema.

Praquele que fez eu ser do jeito que sou :)

Não me lembro da minha vida sem ele por perto. Acho que é porque eu realmente não tive uma vida sem ele por perto, mas prefiro acreditar que mesmo se eu tivesse tido, não me lembraria dela.

Ao pensar na nossa infância poucas são as memórias. Lembro-me de acordar cedo todos os dias para ficar com a minha mãe na sacada vendo aquele pequeno indiozinho fofo com seu uniforme verde e sua mochila gigante indo com seus amiguinhos para o tubo pegar o vermelhão para ir para a escola. Lembro-me de ter 3 anos e ter que fazer suas tarefas de artes, porque mesmo com 3 anos eu era melhor do que ele. Lembro-me de ficar torcendo para ele em todos os jogos de futsal do prédio, de ir ao judô e ficar gritando em suas lutas, de correr atrás de seus amigos para mordê-los quando eles eram implicantes, de comer somente o recheio da bolacha passatempo e fazê-lo comer todo o resto, de ficar escondida atrás da porta com ele comendo todas as latas de leite condensado da casa, de brincar com os power rangers dele e as minhas barbies, de tomarmos banho juntos e de todos os dias ir até o Bom Jesus com meu pai e ficar gritando na porta “Mário Neto, meu amor, nós viemos te buscar!”.

Eu nasci e ele já tinha cinco anos, foi ele quem escolheu meu nome para formarmos uma dupla sertaneja quando crescessêmos. A gente brigava bastante, saía no tapa e eu sempre chorava e falava “mamãe, o Mário tá me batendo” e ela saia correndo para brigar com ele, mesmo quando era eu quem tinha provocado.

Nós fomos crescendo juntos, ele me ensinando como seguir cada uma das novas etapas que aparecia. Juntos passamos por todas as nossas mudanças de cidade, novas escolas, novos amigos, despedidas e recomeços.

Uma família grande e feliz!

Aos 16 anos, aproximadamente, ele ficou estranho e grosso e eu morria de medo de chegar em casa e ter que encontrá-lo, mas mesmo assim não o abandonei. Íamos para a escola juntos, pela primeira e única vez nas nossas vidas. Ele ouvindo seu heavy metal e eu,  morrendo de preguiça, dançando ao lado dele para fazê-lo rir um pouco. Foram bons tempos.

Quando eu cheguei nos 15~16 anos, a cada dia que ficava um pouco estranha ele vinha conversar comigo, me dar conselhos e sempre dizia que não queria que eu cometesse os mesmos erros que ele e, olha, espero não ter cometido.

Foi ele que sempre me apoiou em tudo que eu queria fazer, que sempre foi lá convencer minha mãe a deixar eu fazer certas coisas e ir para certos lugares. Foi ele quem me castigou quando precisei, quem brigou e me repreendeu. Por muitas vezes ele deixou de ser apenas “meu irmão mais velho” e foi meu pai, mais pai do que o verdadeiro foi capaz de ser.

E eu? Bem… Sempre tive orgulho do irmão que tenho. Foda-se se ele está gordo, magro, careca, cabeludo ou careca com trancinhas, ou meio careca e meio cabeludo, até com o topete descolorido eu tinha orgulho dele. Porque por muitas vezes ele demonstrou a força que eu não demonstrei sob diversas situações.

Hoje eu sei que não importa quantos dos meus amigos me façam ter um dia ruim, quantas desilusões amorosas eu possivelmente tenha, quantas notas baixas e não importa nenhum dos meus motivos para ficar triste, porque eu vou chegar em casa e esperar ele chegar do trabalho, ele vai olhar pra mim e dizer “How chibica!” e eu vou responder sorrindo “Howshi!”, nós vamos fazer o nosso toque maneiro, nos abraçar e jantar juntos. Ele pode reclamar que estou no banheiro dele há três horas, mas quando eu resolver sair de lá, ele vai me puxar para a cama dele e nós vamos conversar, rir, chorar, nos abraçar, trocar carinhos e encher o saco um do outro. Sei que vou ter um bom ombro amigo para chorar quando precisar e que quando eu estiver assustada, posso fugir para a cama dele de noite que ele vai me receber. Porque nós somos irmãos, nós aprendemos a ser assim. E eu seria capaz de fazer qualquer coisa para deixá-lo um pouquinho mais feliz.

Sei que no decorrer da vida ele vai conhecer pessoas mais especiais e vai compartilhar momentos incríveis com elas, talvez até se esqueça da minha existências às vezes e digo que também provavelmente farei isso, é natural. Mas ninguém poderá roubar as minhas lembranças e os momentos que nós construímos juntos. Sei que daqui 10, 20 ou 50 anos, seremos os mesmos bons irmãos que somos hoje. Nunca nos tornaremos meros “conhecidos”, porque é impossível. Mesmo que a gente more numa distância incrível, não vou conseguir te abstrair da minha vida, porque, porra… Você é meu irmão! Uma das poucas coisas da minha vida que tenho orgulho absoluto.

Então é isso, querido Mário Ribeiro Resende Neto, Juanito para os íntimos, tenha um bom ano, você merece os melhores anos do mundo, toda a felicidade possível, muita comida, saúde, música, amigos, alegria, paciência e momentos relaxantes. Te desejo quantias infinitas de yogulang também e saiba que mesmo que todos os seus amigos, namoradas, familiares e resto do mundo te abandonarem, você ainda vai ter essa pessoinha minúscula e irritante aqui disposta a te ajudar, ok? Lembre-se de que você sempre terá a mim e minha mordida de pit bull para atacar quaisquer possíveis amigos implicantes, sem a menor piedade.

Obrigada por aturar minhas tpms, grosserias, irritações, má criações etc e tal e por favor, avise quando sair de casa, diga pra onde vai etc, porque minha mãe não se preocupa mais, mas eu me preocupo, tá bom?

Espero que daqui 4 anos possamos ter conversas longas e divertidas a respeito de Marx e alguns outros filósofos/sociólogos.

Eu te amo muito e realmente não sei que tipo de pessoa eu seria se não tivesse sua influência, obrigada por ter me influenciado e não deixe o Estado te corromper, volte para o caminho da luz!

Feliz 22 anos!

Toradora

Eu não sou do tipo que ama animes, na verdade não gosto muito deles. Quando digo isso não é porque tenho algo contra algum anime especificamente, é apenas porque não gosto de otakus e de gente que é viciada ao ponto de só conversar sobre isso o dia inteiro, como sou facilmente influenciável, prefiro me manter afastada de qualquer tipo de influência otaku, para não me transformar em uma.

Há algum tempo um amigo meu vêm insistindo para que eu assistisse “Toradora”, um anime que, segundo ele, eu iria gostar, porque é fofinho. Eu, sabiamente, resisti com firmeza por muito tempo, mas minhas férias são um poço de tédio sem fim e eu não aguentava mais ver primeiros episódios de série e não gostar delas o suficiente para seguí-las, então… Caí na tentação e comecei a ver o tal “Toradora”.

Agora que já terminei, posso dizer que devia ter resistido à tentação. Não que o desenho seja ruim, pelo contrário, é tão bom que me fez ter vontade de assistir a todos os outros animes que já me falaram que eram legais, o problema é que se eu fizer isso vou acabar sendo uma chata que só fala sobre animes!

Mas, como eu já fui tentada e já caí na tentação, vim até vocês com o intuito de tentá-los a fazer o mesmo que eu, assistir a “Toradora”.

Os motivos são simples, é uma história que mistura amor e amizade de uma forma surpreendente e todos os personagens são cativantes a ponto de você querer que todos sejam felizes e ficar desesperadamente triste quando percebe que só alguns atingirão a felicidade. A emoção corre solta, é tudo tão fofo e perfeito que você fica agoniado e triste só por perceber que seu mundo não é nem um terço daquilo, mas além de chorar bastante com a história, você aprende lições essenciais para a vida, além de rir bastante em alguns momentos e torcer para que tudo dê certo. É o tipo de coisa que você começa a assistir e não tem mais vontade de parar, é muito legal! Se vocês estiverem sem nada para fazer, baixem e divirtam-se!

Acreditem se quiser, mas eu até decorei a musiquinha! E o detalhe é que a música é em ~~japonês~~ -qq

Mas além de vir aqui falar sobre o anime em sí, vim falar especificamente sobre a personagem “principal”,Taiga Aisaka. Eu juro para vocês que nunca tinha assistido alguma coisa em que tivesse algum personagem tão parecido comigo quanto essa menina. Sério. Ela é parecida comigo em tudo! Todas as decisões que ela toma, são exatamente as mesmas que eu tomaria, tudo que ela faz é exatamente o que eu faria, somem isso com:  ela ser baixinha, brava, amar bater nos outros, um tanto grossa, mas extremamente fofa, inteligente, esforçada, não saber andar de bicicleta, ser super confusa e insegura e… tã-dã, SOU EU! Acho que a única coisa de diferente é que eu sei nadar, não sou milionária, não fui abandonada pelos meus pais e, hm… acho que só!

Eu ficava muito agoniada ao ver ela fazer exatamente todas as cosias que eu faria! Era como se ela lesse a minha mente antes de agir! E tudo que ela fez com o Ryuji? Eu também acabaria fazendo aquilo!  Aliás, já fiz algo parecido.

Sério… Assistam pelo menos para me dizer se eu realmente sou tão parecida com ela quanto penso ou é apenas imaginação.

Fora isso, eu finalmente entendi a real diferença entre amor e paixão assistindo esse desenho. No começo a Taiga e o Ryuji acham que amam a Kushieda e o Kitamura, mas na verdade eles são apenas apaixonados por eles, porque é impossível você amar de verdade alguém que você nem conhece direito. Já nos primeiros episódios você percebe que a Taiga vai acabar amando o Ryuji e isso realmente acontece, mas não porque eles estão encantados com o rosto um do outro ou algo do tipo, mas sim porque a amizade deles ficou tão forte que, mesmo involuntariamente, construíram um amor. O amor real não surge do nada, é construído após algum tempo e exige esforço de ambas as partes, mas muitas vezes é difícil perceber que ele existe e muitas vezes perceber isso não é o suficiente para começar a viver à base dele. Mesmo amando verdadeiramente alguém, não é apenas isso que importa. Não é só por causa disso que você vai automaticamente se casar com a pessoa e estará destinado a um futuro feliz e farto, o amor não vem sozinho e quando uma pessoa não se sente segura e não é madura o suficiente para conviver com este sentimento, ela acaba dando um jeito de se livrar dele, pelo menos por um tempo. Mas se você realmente ama alguém, não importa para onde ou por quanto tempo a pessoa resolva fugir, quando ela voltar e estiver pronta para viver o amor, você a aceitará de volta e, mesmo tendo sofrido com sua partida, entenderá seus motivos para ter feito isso.

Esse anime me mostrou que meu futuro marido tem que ser uma mistura perfeita do encanto e charme de Chuck Bass com a ingenuidade de  Sid Jenkins, um pouco da lealdade de Ron Weasley,  toda a fofura e prestatividade de Ryuji Takasu, além do jeito diferente de amar que cada um deles possui!

Se algum dia encontrarei alguém assim? No mundo real não, mas é para isso que servem a sua cama, seu travesseiro e cobertor, afinal… O que seria uma pessoa se ela não tivesse sonhos e metas?

Tenham uma boa semana!

P.s.: Obrigada Thiago, por ter me feito assistir a isso. Eu realmente estava precisando de algo assim!

Coisas que só o tempo faz…

Estava fazendo uma “limpa” no meu quarto e resolvi rasgar todos os papéis inúteis que certamente haveriam pelo caminho, me deparei então com meus cadernos da oitava série (2008), do primeiro ano (2009) e do segundo ano (2010)  e resolvi rasgar todas as folhas usadas, todas as provas, tudo. Mas tenho mania de escrever nas divisórias, escrever coisas sobre mim, escola, amigos, qualquer coisa que vier na cabeça e foi assim que comecei a perceber uma gigante diferença entre os três anos.

Em 2008 “Preciso tirar 8,5 na média final de matemática, se não serei oficialmente burra na matéria. Vocês podem achar que sou dura demais comigo mesma, mas pra mim quem tira menos de 8,5 na média FINAL é definitivamente burro na matéria.” – média final – 8,7

Em 2009 “GEENNTEEE Preciso de 4,8 pra passar em matemática e só falta um bimestre! Socorro!!!” – média final – 6,2

Em 2010 “PQP tô no último bimestre e preciso de ~~6,8~~ pra passar de ano em matemática!! Totalmente ferrada!!! HELPP!!” -média final – 5,8

Okeis, depois da recuperação subiu pra 7,8, mas mesmassim.

Em 2008 eu era “burra” em 2 de 10 matérias.

Em 2009 em 8 de 13 matérias.

Em 2010 em 9 de 13 matérias.

Em 2008 eu tinha hora cronometrada no pc, fazia as tarefas de casa, estudava muito para as provas e tinha aflição só de imaginar que ficaria em alguma recuperação algum dia.

Em 2009 eu só fazia as tarefas quando tava afim, estudava só pras provas que gostava ou quando tava muito ferrada, dormia em várias aulas e achava recuperação digno de mim.

Em 2010 acho que só fiz tarefa de casa uma vez e olha lá. Quando valia nota, eu copiava as tarefas. Não estudei pra nenhuma prova, até me ferrar o suficiente para ser obrigada a fazer isso, tava pouco me lixando pras minhas notas, desde que eu passasse de ano. Sabia o livro de história praticamente inteiro de cor. Passava o dia inteiro no computador, fazendo sabe-se lá o que e quando não estava no computador estava dormindo. Uma completa vagabunda. Achei um absurdo ter ficado de recuperação final, pois “não mereci”.

Em 2008 “Gosto mais das minhas amigas do que da minha família!”

Em 2009 “Amigas? Tenho amigas? Acho que não.” -muda de sala-

Em 2010 “Quem precisa de amigas na escola quando se tem a minha família e o teatro?”

Descrição de mim em 2008 “Sou muito estranha e assustadora, falo demais e sem pensar, por isso as vezes sou grossa e ofendo pessoas que não merecem. Me irrito facilmente, por qualquer coisa e em qualquer lugar, quando estou irritada tendo a bater nas pessoas, mesmo que elas não tenham nada a ver com a minha irritação. Belisco também! E dizem que dói! Bom… Estou tentando parar de fazer essas coisas, mas sempre faço e só depois me dou conta que falhei de novo, ainda bem que tenho amigas que me ajudam a não ser mais assim, porque deve ser legal ser uma pessoa legal! Também tenho algumas qualidades,  sou legal, divertida, confiável e surpreendente! Admiro pessoas sinceras e que sabem guardar segredos. Sou viciada em comer chocolate e ver filmes. Sou extremamente fresca com comidas e só tomo água, não gosto das coisas, mas nunca as experimentei.”

Em 2009 “Sou muito estranha e assustadora. Ninguém no mundo me entende, parece que sou uma alienígena jogada aqui para algum tipo de experiência. Sou uma droga com sentimentos, não sei o que eles significam. Não tenho amigas, sou completamente sozinha. Sou irritante e irritável. Bato em quem me provoca, mas na maioria das vezes reprimo minha raiva e desconto em mim mesma. Qualidades? Gostaria de saber se tenho alguma, mas não tem ninguém para me falar. Admiro pessoas felizes e que são amadas. Sou viciada em comer chocolate e ficar na internet boiando. Sou fresca com comidas, mas acho que um dia isso passará.”

Em 2010 “Sou absolutamente normal. Igual a todos os idiotas jogados aqui na Terra. Tá, talvez eu tenha algumas individualidades, mas garanto que são poucas. Tenho poucos amigos, mas eles bastam. Estou quase conseguindo entender os sentimentos, mas acho legal a dúvida que eles causam na gente. Nunca bato em ninguém, só encosto nas pessoas depois que as conheço por um bom tempo e se eu bato nelas não é por raiva, é por impulso, mas nunca dói. Sou nutrida de força interior, mas exteriormente sou uma magrela fraca que não consegue nem carregar a mochila sem ficar corcunda. Admiro pessoas realizadas e que são apaixonadas pelo que fazem. Sou viciada em Tumblr, Twitter, Harry Potter, MSN, chocolate e algumas pessoas. Não me preocupo nem um pouco com a minha alimentação, se sobrevivi até agora assim, sobreviverei por muito tempo ainda.”

Em 2008 eu ia ao psicólogo porque… me achava burra e ficava muito brava comigo quando tirava 9,0 ao invés de 10,0.

Em 2009 porque queria morrer a qualquer custo, não importava quem fosse o assassino ou a arma utilizada.

Em 2010… Não fui ao psicólogo.

Em 2008 “Eu AMO a escola!!! Queria morar aqui se pudesse! É tudo tão perfeito e maravilhoso nessa escola! Fins de semana e férias são um SACO! Por que eles existem?”

Em 2009 “Odeio a maldita escola. Pra que tenho que ir até lá? Não podia estudar em casa e ir lá só fazer as provas? Escola é tão chato. Todas aquelas pessoas que se odeiam e odeiam estar lá, fingindo estarem felizes e enganando a si mesmas, com a intenção de aprender algo, sendo que na verdade só decoram as coisas para ir bem nas provas. Pra que ir bem nas provas? São apenas números! Fodam-se os números. Para que estudar todas aquelas coisas inúteis? PRA QUE? Queria simplesmente poder não ir pra escola.”

Em 2010 “Adoro a escola! Minha turma é HILÁRIA! Eu posso estar extremamente triste, que eles conseguem me fazer feliz! Mesmo aprendendo um bocado de coisas inúteis, é divertido ir pra lá. Mesmo não tendo os melhores amigos do mundo lá, é legal conhecer pessoas novas e usufruir do convívio social que a escola proporciona. As notas são apenas números e o sistema de avaliação é extremamente precário então… É só não ligar pra ele e fazer uma auto-avaliação sempre. Aprenda tudo que achar necessário e divirta-se nas outras aulas! Odeio as férias, porque me sinto sozinha e sem graça, mas me canso quanto chega na metade do semestre. Acho que as férias poderiam ser mais curtas e mais frequentes! Sei lá, duas semanas por bimestre, talvez… Enfim.”

Matérias preferidas em 2008: Matemática e História

Em 2009: Filosofia e Geografia.

Em 2010: História, Sociologia, Geografia e Química.

Se essas três Mayras se encontrassem, certamente haveria discussão. Como é possível haver coisas tão diferentes em tão pouco tempo? Como é possível que a gente mude tanto, mesmo sem se esforçar para isso?

Vocês acham que eu regredi ou evoluí?

O tempo é surpreendente, não é mesmo? Quem diria que aquela nerdizinha retardada de 2008 viraria essa rebelde folgada que vos fala hoje? Nós nunca sabemos o que está para acontecer, por isso apenas devemos nos esforçar para fazer o melhor possível. Devemos viver da melhor maneira possível.

O que me aguarda em 2011?