Estava Errada.

Eu sei que hoje é o dia da copa, mas no meu calendário ainda é dia dos namorados. Afinal, que absurdo é esse de bem no ano em que eu tenho um namorado a data ser simplesmente excluída do universo? Nada disso. Se ela existiu durante todos os anos da minha vida, nada mais justo do que existir nesse também.

É que nesse dia dos namorados eu estou feliz. E não, não vou dizer que mudei de opinião e relegar à morte todos os meus pentelhamentos dos últimos quatro anos sobre como a gente pode (e deve) ser feliz mesmo sem algum enlace amoroso envolvido. Ainda acho que é um absurdo as pessoas mensurarem sua existência à partir do fato de estar ou não com alguém. Só que, do mesmo modo, acho bobo que as pessoas que estão com outras pessoas e se sentem confortáveis com isso coibam a comemoração em prol dos outros. Quero dizer, eu celebro o natal mesmo sabendo que há uma imensidão de pessoas que não acreditam em Cristo, não vejo porque não celebrar o dia dos namorados se isso me agrada. (Do mesmo jeito que acho que se você quer celebrar a copa, vai lá e arrasa.)

Sou do time que acredita que tudo aquilo que nos dispomos a fazer, temos que fazer por inteiro, dando o melhor de nós. Então, uma vez que decidi namorar, o dia dos namorados faz parte. E não é como se fosse um dia automaticamente mágico e romântico e estivesse eu como Simba e Nala navegando em um rio rosa que forma corações ao redor e se explodem e tudo é magia pura. Continua sendo um dia normal, mas potencializado com o fato de que tenho motivos para comemorar!

A comemoração não se dá ao fato de eu ter um namorado, porque, se vocês leem esse espaço há uma certa quantidade de tempo, sabem muito bem que eu sempre fiquei revoltada com as pessoas que ficavam me enchendo o saco por eu não ter um namorado. Porque para mim isso nunca foi um objetivo mor de vida. Mas aconteceu, foi inevitável. E claro que foi difícil colocar na minha cabeça que eu tinha um namorado e não havia nada de errado nisso. Porque o conceito “namorado” sempre me deu agonia e, da maneira que me foi posto a vida inteira, fez parecer que era o princípio para a perca da minha vida em prol de viver a vida de outra pessoa. Sempre me pareceu algo mais aprisionador do que libertador, mais difícil e ruim do que prazeroso e benéfico e, Zeus, como eu estava errada.

Namorar é difícil sim, porque é uma pessoa inicialmente aleatória que DE REPENTE se torna mega importante e você passa a considerar tanto quanto considera a sua família. E todas as decisões da pessoa, tudo que ela sente, tudo pelo qual está passando, tudo que acontece na vida dela, de alguma forma passa a refletir na sua. E ficar longe é automaticamente dolorido, ruim e ineficaz. E não importa quanto tempo você fique perto, vai parecer insuficiente. E é difícil as hell deixar uma pessoa aleatória invadir a sua existência até então pacífica, tranquila e muito-bem-obrigada. Mas é bom. É divertido. É leve. É feliz.

Eu vim fazer um texto de dia dos namorados não porque torço para que todo mundo tenha um namorado logo e condeno os que não querem ter. Vim só porque eu estou feliz, bem, tranquila, minhas notas estão boas, minha vida tá cheia, as crises estão diminuindo e o universo mesmo sendo, frio, sombrio e cinza, parece bonito e iluminado. Então, é isso. Parece que uma hora ou outra até as coisas que a gente nunca viu sentido (a.k.a dia dos namorados!)  passam a transmitir coisas agradáveis. E nem falo isso só porque ganhei um presente bacana, quero dizer, o presente foi ótimo, mas não seria tão bom se o resto fosse uma merda. E me surpreendo comigo mesma todos os dias em saber que não é.

Sendo lindos e divos, pfvr. <3

~~Claro que parte de estar namorando de um jeito divertido corresponde ao fato de a outra pessoa ser tão retardada quanto eu (oi, Willian) e é por isso que a gente ri da nossa cara toda vez que se encontra, postando selfies no nosso tumblr inteiramente dedicado a isso! #fikdik~~

Um Dia em Selfies

Costumo me irritar com selfies. Não com o ato de tirá-las – acho ótima essa coisa das pessoas gostarem da ideia de reproduzir as próprias imagens, porque vejo como sinal de uma melhora geral na auto estima, considerando que ninguém postaria milhares de fotos do próprio rosto caso se considerasse a pessoa mais horrível do universo. O que me irrita nas selfies é sua irrelevância e constância frequente. Selfies são legais e bacanas quando acompanhadas de um bom plano de fundo, uma boa história, uma legenda explicativa que faça a expressão facial ter sentido ou qualquer coisa que a contextualize. Logo, vejo uma grande diferença entre selfies bacanudas e tudo de bom e aquelas mequetrefe que nem dá vontade de curtir, porque parece que a pessoa só posta porque tem ego muito alto.

É preciso ter cuidado com as selfies, principalmente porque elas viciam. Aprendi muito sobre o vício em selfies com Elleena, minha amiga malasiana. Convivi com ela por apenas seis semanas e tenho mais fotos do que com muita gente que convivi por anos. Cada dia, cada roupa, cada lugar, cada história, cada situação, tudo merecia uma selfie. Eu, claro, ria, tirava junto e ficava enchendo o saco dela por causa da mania engraçada. Três meses depois, tenho reparado que minha quantidade de selfies cresceu vorazmente e, claro, já sei de quem é a culpa.

Explicada minha relação ambígua com as selfies, vamos ao post!

Ontem (10/05), minha turma de arqueologia fez uma aula de campo para o litoral do Paraná, região onde há muitos sambaquis. Como a última aula de campo da matéria me deixou em um estado alfa perante à minha completa irrelevância se comparada à imensidão do mundo (tanto em tamanho quanto em tempo), decidi que precisava repetir a experiência – mesmo sendo sábado, estando frio e não valendo nota. A diferença da vez é que consegui arrastar Willian, o que é bem difícil – mesmo. Até pensei em desistir, mas depois que ele confirmou que iria, era impossível. Eu precisava ver para crer. A gente foi, dormiu, comeu, subiu, desceu, reclamou, fugiu da chuva, conversou e riu bastante. Um bom dia. E o que isso tem a ver com selfies? Ah sim, decidimos tirar uma selfie em cada lugar, o que foi uma pena, porque se tivéssemos decidido antes poderia realmente contar o dia através de selfies. Por hora, segue-se doze pares de rostos e uma pequena situada em cada um.

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1 – Prestes a subir em um sambaqui que não era visitado há muitos anos e por isso não tinha uma trilha. Ele foi alvo de piratas buscando tesouros e era grande, cheio de mato e perigos. Alguém foi na frente abrindo o caminho e o resto do bando seguiu, na cara e na coragem.

2 – Após descer do sambaqui, para provar ao mundo que YES WE COULD e que sobrevivemos.

3 – Um morro repleto de construções rochosas em formas de caverna. Menos difícil de subir, pois havia uma trilha visível e não era muito íngreme – apenas escorregadio.

4 – Ainda no morro com as construções rochosas, apenas para mostrar a imensa quantidade de bananais.

5 – Começou a chover e, por sorte, estávamos ainda perto das rochas e fomos nos abrigar em uma caverna, sentados em uma pedra muitíssimo bem posicionada e imaginando como eram feitas as refeições há 5mil anos.

6 – Paramos para lanchar no meio da tarde – quando já achávamos estar indo para casa e termos recém descoberto que não – e encontramos uma estátua no meio do caminho. Não identificamos o santo que ela representa, mas não precisávamos disso para tirar uma selfie.

7 – De repente, estávamos na praia de Guaratuba vendo rochas polidoras.

8 – Aí ficamos sabendo que embaixo da ponte – e da santa – havia outras várias pedras polidoras e afins, mas que já estavam sendo inutilizadas pela civilização atual. Pelo menos a selfie ficou boa.

9 – Atrás da ponte era bem o lugar em que os pescadores estavam, a paisagem era bonita demais para ficar sem foto.

10 – Depois de atravessar quase que a praia inteira e chegar no monte de pedras em que várias pessoas tiram fotos no verão – e descobrir que também são resquícios de civilizações antigas – resolvemos tentar ignorar o vento e lançar mão da última selfie da viagem.

11 – Só que não resistimos, porque estava ficando escuro e o celular tinha flash: precisamos testar.

12 – Na última parada da viagem foi a vez do doce – que era ácido – e que, apesar dos nomes, nem eram drogas, mas sim açúcar gelatinoso.

E é com uma maratona tosca de selfies que supostamente contam algo que digo a vocês: as melhores companhias são as que te acompanham nas coisas mais retardadas possíveis.

Hipnose

Bentinho convenceu-me aos meus onze anos que o amor se demonstraria pelos olhos. Ele, provedor da paixão mais intensa que conheci no universo literário, ultrapassando – ao meu ver – o jovem Romeu e tantos outros, olhava para Capitu, a moça com o nome mais feio possível, e se perdia em seus olhos. De ressaca, oblíquos e dissimulados.

Fui à praia depois de quatro anos e lembrei de como aquilo era o amor da minha vida. Percebi que a água, as ondas e toda aquela insensatez e falta de continuidade me encantavam. Passei horas sentada olhando. Só olhando. Olhando e deixando o meu coração transbordar. Olhando e sendo absurdamente seduzida por algo que gritava “mergulha em mim” e “deixa eu te envolver” e eu fui e minha cabeça ressonava “quero ficar assim pra sempre” e vinha mais uma onda, uma quase morte, uma criança em busca de segurança, uma correnteza assustadora, eu voltava a mim e retornava à areia. Pouco depois o ciclo se repetia.

Você é assim.

Olhando para o mar, enquanto ele me seduzia fortemente para em seguida me fazer correr, eu via o seu rosto. Olhava para toda aquela imensidão, plenitude, beleza e os seus olhos oblíquos, de ressaca e dissimulados apareciam ocupando todo o espaço. Era como duas fotos contrapostas, como se você fosse o mar me olhando. Como se você estivesse lá dizendo “mergulha em mim” e “deixa eu te envolver”. E foi aí que eu percebi que eu realmente iria. Mesmo sabendo que poderia levar um capote, morrer afogada, levar uma pranchada na cara ou nunca mais conseguir encontrar minha barraca, eu iria.

Lá, hipnotizada, seduzida, absurdamente feliz eu só pensava em mergulhar em você.

Os Sentidos da Saudade

Em seus olhos posso enxergar um brilho que me consome. Com meus olhos posso passar horas olhando para os seus e me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo, simplesmente por poder fazê-lo. Sua visão de mundo me encanta e enquanto a escuto e tento entender, misturo um pouco com a minha e acabo por ser uma pessoa melhor. O que seus olhos veem são passados para os meus através de textos ou fotos a respeito deles e faço questão de retribuir à altura. Não vemos as mesmas coisas, nem dos mesmos modos, mas vemos.

Com meu olfato sinto o cheiro delicioso de um perfume que se chama Vodka e enquanto a barriga formiga de felicidade simplesmente por estar perto, a cabeça se esforça para não fazer com que a bochecha fique muito corada. Com meu olfato saio pelas ruas do mundo procurando perfumes parecidos, só para me sentir um pouco mais perto e poder ficar feliz.

Meus ouvidos deliciam-se com a enxurrada de palavras super rápidas e inteligentes sobre qualquer assunto que esteja em jogo e também com as imitações de daleks e com as músicas inventadas. E tem as mensagens de voz, geralmente monossilábicas, mas sensacionais. Eles também ouvem todas as músicas que foram indicadas e os vídeos, geralmente hilários. As orelhas, que adoram ser acariciadas, gostam ainda mais quando vêm destas mãos. As suas, macias, geladas e mordíveis são motivo de agradecimento por existirem.

A boca, absurdamente linda, independente se fechada, ou se com um sorriso bobo ou uma gargalhada maçante, que me hipnotiza e produz uma das vozes mais lindas e gostosas de serem ouvidas. As duas, que quando se encontram e produzem beijos que arrisco dizer serem mais gostosos do que qualquer chocolate que eu já tenha provado. As risadas nonsense que surgem depois disso.

O toque quente e acolhedor, que arrepia, que consola, que irrita, que está ali. Os carinhos dados e recebidos em situações tão diferentes e desconexas. Os abraços apertados que fazem as costas reclamarem. Os abraços com direito a colo. Os abraços. As brincadeiras com as mãos. O sentir um ao outro. O estar lá.

A saudades, aquela que aperta, que dói, que machuca, que dilacera e que insiste em continuar aumentando, mesmo quando a gente acha que não tem mais para onde ir. A saudades gerada pela distância física e uma proximidade em todos os outros sentidos que simplesmente nos impede de não senti-la.

O amor. Eu. Você. Ah… Você.

Agonia

Passei o dia morrendo de vontade de te abraçar. Eu já te disse alguma vez que queria ter como te guardar em um potinho perto da minha cama pra poder apertar toda vez que ficasse com vontade? Eu tenho essa vontade, tanto a de ter o potinho como a de te apertar. Várias e várias vezes.

Passei o dia pensando no que fazer para conseguir mostrar pra você o quanto gosto da sua pessoa e o quanto ela significa para mim e o quanto me importo com a sua existência e torço pela sua perpetuação e para que ela seja positiva de algum modo. Escrevi alguns textos que estavam entalados na minha garganta há algum tempo e não conseguiam sair nunca, mas não consegui escrever nada para você. Passei o dia inteiro tentando, comecei, recomecei e pensei que talvez eu não devesse me esforçar tanto, mas logo esse pensamento sumia e eu lembrava que deveria me esforçar sim, porque se não me esforçasse por alguém tão significativo eu seria oficialmente uma bocó. E eu não quero ser uma bocó, embora seja por várias vezes. Mas sabe, essa é uma das coisas que eu gosto em você: você me faz saber que estou sendo uma bocó e eu imediatamente fico arrependida e tento reparar os meus erros e talvez um dia eu consiga, juro que tenho me esforçado. E, olha, estou conseguindo escrever!

Passo muito tempo da minha vida pensando na sua. Não que eu não pense na minha também, mas quando canso de pensar em mim, penso imediatamente em você. Quando algum problema surge eu começo a pensar no que você faria naquela situação e eu nunca sei, porque outra das coisas geniais em você é que você tem essa habilidade maravilhosa de ser imprevisível e saber lidar com as coisas da maneira exata como elas devem ser lidadas. E quando eu gasto muito tempo tentando pensar no que você faria e não consigo, te pergunto. Porque me sinto apta a perguntar qualquer coisa pra você e a contar qualquer das minhas histórias malucas. Não que você seja um ser soberano e tenha resposta pra tudo, ou que ache minhas histórias malucas plenamente aceitáveis. É só que a sua existência e capacidade de compreensão fazem com que a minha existência tenha uma nova perspectiva e isso sempre me ajuda na minha tentativa inusitada de estar sempre tentando resolver os problemas da vida – que eu mesmo crio, sem nem precisar.

Eu gosto da perspectiva que você dá pra minha vida. Gosto de passar momentos conversando com você. Gosto do fato de que me sinto apta a conversar sobre o que eu quiser. Fico brava quando não recebo atenção, mas logo lembro que não somos o centro do universo um do outro e que é egoísta demais da minha parte querer fazer parecer que somos. Então eu desencano, eu falo com você só quando eu acho que tenho e fico torcendo para que você venha falar comigo quando acha que tem, porque acho chato sentir aptidão pra falar sobre as coisas e isso não ser recíproco. E quando você surge com questionamentos sobre a sua vida eu, mesmo me sentindo uma inútil por não fazer ideia de como ajudar, fico feliz porque de alguma forma talvez você ache que eu sirva para algo e eu queria servir para algo, porque você tem muita serventia pra mim.

Eu sempre sou muito solícita em fazer homenagens de aniversário e em pensar coisas exclusivas que tenham a ver com o meu relacionamento para com a pessoa em questão, mas eu não consegui fazer isso com você. E isso me frustrou. E eu chorei – e eu nunca tinha chorado por algo relacionado  a você. É que aniversários são os dias em que as pessoas são o centro do mundo, é assim que eu vejo eles, é assim que eu me sinto no meu aniversário. E eu me senti mal por perceber que não consigo escrever mil caracteres de coisas lindas e maravilhosas ao seu respeito. E não é porque eu não sinto coisas lindas e maravilhosas, eu só não sei falar sobre elas. Eu tenho um quê de vergonha de você as vezes e acabo fazendo tudo achando que estou desencadeando uma série de pensamentos de “que guria psicótica” – embora você tenha me dito que sou neurótica – e eu morro de medo de um dia você me achar completamente maluca e parar de falar comigo. Não é nada disso. Eu só me importo muito com você. Só quero te ver rodeado de coisas boas o suficiente para fazerem esquecer suas dores. Só quero que você atinja todos os seus objetivos de vida e que consiga se realizar em tudo que resolva se meter. Só quero que você saiba que não está sozinho no mundo e que sempre vai ter uma pessoa de cabelos coloridos querendo saber um pouquinho sobre você, para compartilhar algum momento, criar algo e ser um pouquinho mais feliz e realizada às suas custas. E não acho que isso seja egoísta. Ou talvez seja. Talvez você seja a maior alegria egoísta que eu tenho, aquela que pode ser de todo mundo, mas também vai ser um pouquinho minha e eu vou dar tanta importância e significação que vai parecer ser apenas minha, mesmo que não seja. E talvez seja por isso que não sinto ciúmes de você, mesmo sendo uma das pessoas mais ciumentas que conheço, porque o egoísta seria querer que alguém assim fosse meu.

Um dia você me disse que amor é saber que a pessoa vai estar do seu lado não importa o que aconteça. Eu não sei se você vai estar ao meu lado não importa o que aconteça, muitas vezes eu acho que não, que provavelmente eu serei apenas um borrão na sua memória, mas ainda assim, eu amo você. Porque eu não pretendo te transformar em apenas um borrão.

Feliz 23 anos.