Estátua

Eu sempre gostei de frio. Talvez por ter passado minha infância morando em Curitiba ou pelo trauma eterno de todos os meus verões infantis passados no calor infernal da caatinga Maranhense. O fato é que o frio sempre me encantou. Sempre gostei de andar pela rua com fumacinha saindo pela boca e minha brincadeira favorita do inverno era competir com os coleguinhas a quantidade de roupas que usaríamos. Eu sempre ganhava, porque era magra e meus casacos eram enormes, então cabia várias camadas de roupa por baixo. A única vez que perdi foi porque uma menina conseguiu colocar catorze blusas. Eu nem tinha catorze blusas.

Era 2009 e eu faria quinze anos. Ao contrário do esperado queria viajar, pois concluí que uma festa era desperdício de dinheiro, ainda mais porque ser anfitriã é um saco. Todas as minhas amigas iam para a Disney em Julho e o plano era eu ir junto, só que o dólar estava muito caro e eu fiquei com pena da minha mãe e abstraí a ideia. Por sorte, minha tia resolveu salvar meu ano e me deu de presente uma viagem para Nova York. Eu passaria o natal e o ano novo na cidade mais famosa do mundo e uma das únicas que, na época, eu tinha cogitado conhecer, porque aparecia em quase todos os meus filmes preferidos.

Peguei várias roupas de frio emprestadas dos outros familiares que já conheciam o exterior e fui.

Passei dias adoráveis, com aquele frio que me permitia colocar meia de lã, calça jeans, bota, segunda pele, blusa de lã, dois casacos, luva de couro, cachecol e chapéu e ir tirando coisas ao longo do dia conforme andávamos, porque se existe algo melhor do que se vestir para o inverno é andar horrores no inverno. A gente não sua e andar fica tão agradável que quando vemos atravessamos a cidade inteira. E nós, de fato, atravessamos a cidade inteira um dia. E foi super divertido.

Então chegou o dia da visita turística mais esperada pela maioria das pessoas e que para mim parecia ser um saco, mas eu precisava ir para cumprir o ritual: conhecer a “Estátua da Liberdade”. Lá fomos nós. No dia anterior tinha nevado, então estava bem frio, mas dane-se. Fomos mesmo assim. Eu sabia que a estátua ficava no meio do rio e que para chegarmos até lá precisaríamos pegar um barco, o que eu não sabia é que haveria uma fila descomunal para chegar até esse barco e que tal fila encontrava-se sob céu aberto.  Já que estávamos lá, encaramos. Ficamos em pé por cerca de três horas, revezando para que uma ficasse sob o Sol enquanto a outra ficava na fila por um tempo esperando. Vimos turistas de diversos países e estávamos absurdamente tranquilas. Então aconteceu.

Faltava pouco mais de dez pessoas para que chegasse a nossa vez, mas eu não aguentei. De repente parei de sentir os meus pés e minhas pernas e tinha a sensação de que ia cair a qualquer momento. Quando tinha que dar um passo, eu simplesmente não conseguia e ficava parada. Minhas mãos pararam de se mexer, minha boca tremia a ponto de eu não conseguir falar e saíam muitas lágrimas dos meus olhos. A fila andou, mas eu não consegui e enquanto minha tia ficava falando “anda Mayra, vai logo” eu não conseguia pensar em nada além de “estou morrendo” e, após um enorme esforço, consegui virar meu tronco para trás, tentando balbuciar que estava morrendo, inutilmente.

Minha tia desesperou-se. O motivo para ela ter me dado a viagem era justamente porque ela queria ir a NY e não sabia falar inglês e eu sabia, só que naquele momento eu não sabia nem falar “oi”. Na minha cabeça eu via tudo como que sob uma imensa neblina e em meio às minhas lágrimas lembrei-me da minha mãe do outro lado do continente e de toda a minha vida e ficava pensando que era aquele o momento de enxergar o filme da minha vida, mas eu não conseguia, porque ficava com pena do desespero da minha tia e sabia que precisava ajudá-la. Por sorte ela sabia gritar “help” e foi o que fez. Até que uma segurança veio até nós e nos levou para dentro da cabana.

Porque antes de pegar o barco, era necessário passar por uma cabana em que havia um detector de metais e um raio x para as bolsas, a fim de evitar ataques terroristas na Estátua. Não faço ideia de como estava a minha cara naquele momento, mas devia estar assustadora, porque a mulher do raio x arregalou os olhos ao me ver. Eu tive que tirar o casaco. Eu não consegui tirar meu casaco, foi minha tia quem o fez. E após passar por todas aquelas coisas fui logo procurar um banco para me sentar e ficar lá. Na minha cabeça era só eu ficar quieta e respirar que logo conseguiria me mexer normalmente de novo.

Sentei-me e em pouco tempo uma segurança veio perguntar se eu estava bem. Minha tia não entendia o que ela falava e eu não conseguia responder. Tudo que fiz foi balançar a cabeça com aquele tradicional sinal que significa “não” e ela entendeu. Me pegou praticamente no colo e me levou para a frente de um aquecedor, que estava cheio de gente em volta. Ela fez todo mundo sair, colocou uma cadeira, me fez sentar e falou pra minha tia tirar a minha roupa e friccionar minha pele, para estimular a circulação, porque eu estava com hipotermia. Sabe-se lá como, minha tia entendeu o que era pra fazer e as duas juntas salvaram a minha vida.

Quando eu olhei para as minhas mãos e consegui movimentar meus dedos voltei a chorar, mas dessa vez era de felicidade. Na minha cabeça meu futuro era o mesmo que o daquele pirata que tira o próprio dedo congelado em “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, mas, por sorte, não precisei fazer isso. Eu, inteira, desejando ardentemente voltar para casa e me esquentar e nunca mais sentir frio na vida e a moça dizendo para minha tia em qual lugar deveríamos ficar no barco para que eu não voltasse a ter aqueles sintomas. Recuperada, olhei para ela e falei “Moça, por favor, nos tire daqui. Não quero ir na Estátua, preciso me esquentar.” e ela respondeu afirmativamente, dizendo que eu não deveria ir à Estátua, mas ela não queria falar isso e tal. Enquanto nos levava para fora, ensinou-nos onde ficava a cafeteria mais próxima e nos disse para ir até lá, pedir um café e ficar lá dentro até eu me sentir bem o suficiente para continuar o passeio.

Fomos à cafeteria e depois descobrimos estar perto de onde eram as “torres gêmeas”, mas nenhuma das duas conseguiu foto nenhuma naquele dia, porque não estávamos em condições de tirar as luvas. E quando voltamos pra casa, depois das 22h, após uma aventura bizarríssima em um restaurante esquisito, tudo que conseguimos dizer uma para a outra foi “ufa! estamos vivas”.

Não conheci a Estátua da Liberdade, quase virei uma estátua. Achei que nunca mais sentiria tamanho frio e de fato não senti em nenhum dos outros dias que lá estive, tão pouco quando fui a Londres, local que todos me falaram ser mais frio que NY. Nesta manhã, porém, acordei com dois graus negativos e sem as roupas super potentes que meus familiares me emprestaram. E, se em 2009 jurei a mim mesma que nunca mais reclamaria de frio, retiro o juramento e digo que hoje eu tenho todo o direito de fazer isso pelo simples fato de minha boca estar azul sem eu precisar colocar meu batom, mesmo eu estando dentro de casa.

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Inverno, eu te amo. Frio, te amo mais ainda.

O que é Cultura?

Não venha me dizer que é ouvir óperas, assistir teatros e entender a obra de Machado de Assis. Isso não é cultura, apenas um conjunto de coisas que poucas pessoas apreciam, mas não as torna melhor ou pior que alguém.

Estou me preparando para ingressar no curso de Ciências Sociais, a faculdade será decidida de acordo com a minha aprovação nos vestibulares, nota-se que não estou preocupada com o ato de passar e que o vestibular não é motivação o suficiente para me fazer prestar atenção naquelas aulas chatas de matemática à respeito de números complexos. Mas eu presto atenção em sociologia, eu gosto muito de sociologia e, na preparação para o vestibular, encontra-se uma lista de livros sociológicos que devem ser lidos por todos os candidatos do curso, estou encarregada de lê-los portanto. O escolhido desse bimestre foi o “Cultura: Um conceito antropológico” e, bom, é um livro de 116 páginas com o intuito de te fazer entender o significado do conceito de cultura. O que eu aprendi?

Aprendi que segundo os antropólogos cultura é um conjunto de ideias, práticas e costumes que definem uma sociedade. Algo que pode ser aprendido com a convivência e que é reapassado involuntariamente de geração em geração. O ser humano é o único animal dotado de cultura porque é o único animal dotado de linguagem e sem a linguagem torna-se impossível transmitir os costumes para as outras gerações. A linguagem humana, no entanto, surgiu através de símbolos e desenvolveu-se junto com a cultura, sendo a própria linguaguem uma manifestação cultural.

Faz-se necessário que todos os membros de certa sociedade tenham uma base de sua cultura, para assim poderem vir a agir ativamente na melhoria de tal sociedade.

A cultura, porém, é influenciada externa e internamente e não é estática, podendo assim sofrer graves mudanças ao longo dos anos.

No fim das contas “Tarzan” e o conceito de “Escola” são os melhores exemplos encontrados por mim para definir tal conceito.

Tarzan porque ele é um ser humano, criado por um bando de macacos, portanto a cultura dele é a cultura do grupo de macacos. Ele fala a língua deles, veste-se e age de acordo com eles, sendo considerado humano apenas pelo fato de possuir as características físicas de um. Quando a Jane aparece na história, o papel dela é ensiná-lo a ser civilizado, a ser “homem”, então ela o ensina a vestir-se, comer, comportar-se e até mesmo a falar de acordo com a cultura dela, que é a inglesa. Mostrando assim que a cultura não é intrínseca à pessoa, mas sim ensinada, é uma questão de aprendizado, observação e costumes. Ninguém nasce com tal cultura, ela é adquirida com o tempo.

Escola porque ela é o instrumento utilizado pelas sociedades modernas para transmitir cultura para os mais jovens. Você nasce e aprende com seus pais a falar, comer, agir em sociedade e tal, mas você vai para a escola para aprender todas as descobertas que os humanos fizeram, para que tendo esse básico fique com vontade de pesquisar mais e assim fazer mais descobertas. A escola, portanto, é responsável por nos fazer conhecer todas as coisas que os humanos já fizeram e isso é cultura!

Bom… esse post está pronto desde terça-feira, quando eu estava lendo esse livro e estudando para a prova de quarta-feira. Não devo ter ido bem na prova, mas eu parei de me importar de verdade com essas coisas na sétima série. Só acho chato tirar notas ruins porque fica todo mundo me zoando e tal, mas ah… fazer o que, né? Pelo menos eu aprendi o que é cultura! Espero que vocês também tenham aprendido agora!

E me desculpem por não fazer um post super interessante, mas meu nível de criatividade tá muito baixo hoje.

Então… Boa semana e aproveitem o frio sem moderação alguma!

 

Ela e Ele.

Ela estava linda, andando calmamente a caminho do parque, essa era a primeira vez que o veria pessoalmente. Kate costumava ser simples e discreta, considerava-se esperta demais para ter sentimentos, mas às vezes não conseguia fugir deles. Ela tratava as pessoas como brinquedos. O conheceu a dois meses, em um desses sites de conversas anônimas. No início fora atraída pelo mistério do relacionamento, depois foram se conhecendo melhor, sem o anonimato para escondê-los.

O Sol estava brilhando forte naquele dia e Kate não entendia o motivo, afinal era 19 de Julho, deveria estar frio. Apesar do Sol, Kate estava arrepiada, seu coração disparado, não sabia o que esperar do encontro. Tinha acabado de voltar do internato quando o conheceu, estava desacostumada a lidar com meninos, tantas coisas ocorreram no internato… Estaria ela pronta para um relacionamento?  Olhou no relógio, faltava um minuto para a hora marcada, apressou-se. Estava nervosa demais para prestar atenção em algo, apenas andava. “Ele é apenas um garoto”, repetia baixinho.

Ela era idealista e pouco adepta à tecnologia, por ele chegou a ficar 12 horas em frente ao computador. Na única vez que o viu, pela webcam, sentiu algo estranho. Os olhos dele lhe aceleravam o coração. Daí veio o medo, afinal ela não costumava ter sentimentos. O mistério a seduzia, ela não conseguia parar de falar com ele e assim marcaram o encontro.

Agora Kate caminhava ansiosa, já conseguia ver o parque. Pensava na alegria da mãe quando disse que iria se encontrar com um garoto, na preocupação do pai quando disse da onde se conheciam e nos olhos do menino, olhos sem os quais já não podia viver.

Chegou ao parque, foi até a lanchonete, pediu um sorvete de amora e se sentou, na terceira cadeira do lado esquerdo, exatamente como combinaram.  Olhou o relógio novamente, já era para ele ter chegado.

Logo cedo, naquele mesmo dia, Kate havia comido seus ovos  fritos, vestido sua melhor roupa, feito escova no cabelo e até passado maquiagem. Antes de sair, quando foi checar sua aparência no espelho, não se reconheceu, pensou então se ele reconheceria, se ele gostaria dela daquele jeito e logo depois fingiu não ter pensado isso. Por que ela deveria se importar com o que ele acharia dela? Virou-se e partiu, sem mudar absolutamente nada em seu look.

Sentada olhando os patos no lago e os casais nos pedalinhos, Kate viu seu sorvete acabar. Será que ele não viria? Começou a ficar insegura. Eis que entra na lanchonete um rapaz, alto, magro, inteiramente vestido de preto e com um gorro. Ela não sabia qual era a real aparência do garoto que esperava, só conseguia se lembrar de seus olhos. Sabia que reconheceria os olhos em qualquer lugar. O rapaz virou-se para Kate e começou a andar em sua direção, foi chegando perto e ela percebeu que ele estava usando óculos escuros. Ele puxou a cadeira e se sentou, ao lado dela, pediu um sorvete de amora também, conforme haviam combinado e olhou para ela, como se fosse tudo que sabia fazer.

“Olá”, Kate começou a conversa. “Oi! Desculpe-me pelo atraso, não lembrava em qual lanchonete tínhamos combinado”  “Não, tudo bem, também acabei de chegar.” “Ah, que bom então, mas… cadê seu sorvete?” “ah, hm… Já”, ele a interrompeu dizendo “Você está linda!” “ah, hm… Obrigada” e então eles ficaram em silêncio. Aquele famoso silêncio constrangedor que paira em primeiros encontros. Ela não conseguia parar de pensar nos olhos dele, queria vê-los. Por que ele estava usando aqueles óculos? Nem estava sol ali! Será que estava machucado? Ela queria muito saber.

Foi vez de ele quebrar o silêncio “Por que você olha tanto para os meus óculos? Gostou do modelo?”, justamente a única pergunta que ela estava rezando para que ele não fizesse. “Ah, hm… É. O modelo é bem bonito! Onde você comprou? Será que ficaria bom em mim?” “Você está pedindo para provar meus óculos? Que engraçado.” E ele fez exatamente o que ela esperava que fizesse, o que ela queria que fizesse. Tirou os óculos de seu rosto e colocou-os no dela. “Ótimo”, ela pensou. Agora os olhos dele estavam à mostra, mas ela não conseguia enxergá-los, pois os óculos eram realmente escuros. “Ficou bom em você! Pena que não tem um espelho aqui.” Ele disse. “Ah… Que bom que você achou isso!” “Quer saber? Fique com eles para você, não está muito claro aqui mesmo.” “Ah não. Não posso aceitar, são lindos, mas são seus e, como você disse, não está muito claro aqui.” “Ok, é impressão minha ou você fez tudo isso só porque queria que eu os tirasse?” E agora, o que ela deveria dizer? A verdade?  Ele a acharia uma completa idiota. “Não, eu realmente os achei bonito, mas não para serem usados agora.” “Então você vai aceitar ficar com eles?” “Hm… Não me parece certo.” “Eu imploro, fique com eles, tenho vários parecidos em casa.” “Se eu aceitasse, poderia guardar na minha bolsa e não usar agora?” “Haha, sua preocupação era essa? Claro que poderia.” “Então… Muito obrigada pelo presente!” Finalmente. Ela estava livre dos óculos, retirou-os imediatamente, guardou-os e quando foi olhar nos olhos dele, ele estava virado, olhando os patos no lago e os casais nos pedalinhos. “Quer saber? A gente devia dar uma volta. Não viemos ao parque para ficarmos sentados conversando sobre meus, quer dizer, seus óculos.” “É”, disse ela, ”você tem razão”. Eles se levantaram, pagaram os sorvetes, saíram da lanchonete e caminharam em direção ao lago. Ela não parava de tentar encontrar os olhos dele, mas parecia que ele estava fugindo. Agora, ela olhava fixamente para ele e ele, com os braços entrelaçados nos dela, olhava para o céu. “Gosto de analisar o formato das nuvens, sei que parece coisa de criança, mas é algo que me distrai.” “Comigo aqui você precisa de outra coisa pra se distrair?”, foi o que Kate pensou, mas só pensou, porque não podia admitir para si mesma que queria mais atenção, que queria saber o que exatamente estava acontecendo ali. Tudo que ela sabia é que precisava olhar em seus olhos. Olhou para o céu também e disse “É, realmente… As nuvens são muito bonitas. Achava que eram feitas de algodão, quando era menor” “Eu sempre achei que eram mashmellows gigantes!” “Haha” “Finalmente.” “O quê?” “Eu te fiz rir.” Foi aí que ele conseguiu deixá-la vermelha, pela primeira vez. “Acho que a gente devia ir ao pedalinho.”  Ele disse, para mudar de assunto.  “Pedalinho? Mas… Só tem casais nos pedalinhos, seria estranho.” “Aposto que está dizendo isso porque tem preguiça de pedalar, eu pedalo para você.” E então eles foram para o pedalinho, ela ainda sem ter visto seus olhos. E o silêncio reinou novamente. “O que foi?”, ele perguntou. “Nada, não sou muito de falar.” “Não tente me enganar, eu te conheço. Sei que todos os dias antes de sair de casa você se olha no espelho, sei que gosta de ovos com a gema dura, que passou anos em um internato só com garotas, que se apaixonou por uma dessas garotas, que tem um pai super durão e uma mãe super amável, que prefere coisas discretas e que fica quieta quando tem algo lhe incomodando.” “Você sabe que me apaixonei por uma garota? C-c-como você consegue sair comigo sabendo disso?” “Olha, eu não me importo Kate. Eu gosto de você, exatamente do jeito que você é, pelo que você é.  E eu sei que você parece durona, nunca admite gostar de ninguém, mas no fundo, tem um coração de manteiga. A Mary não soube te amar como você merece, mas eu sei.” Ela se afastou. “C-c-como você sabe sobre a Mary? Eu nunca contei para ninguém.” “Eu disse que te conheço, Kate.” Agora ela estava com medo dele. Ele sabia coisas que ela jamais havia contado sequer a seu diário. E ele disse que gosta dela. A pior coisa do mundo, na visão de Kate, é fazer com que alguém goste de você, porque a partir desse momento, você é capaz de magoá-la profundamente, com um minuto de silêncio, ou um sorriso falso. Ela não precisava que ele gostasse dela. Ela só estava ali por causa dos olhos. O que aconteceu com Mary foi doloroso demais para que ela pensasse em repetir a dose. Ela não precisava se apaixonar, não precisava gostar de alguém. Foi no meio de toda essa confusão de pensamentos que ela percebeu o que estava acontecendo, ele tinha diminuído o ritmo de pedaladas e estava olhando fixamente para ela, aflito. Ela finalmente pôde ver seus olhos. Eram realmente os mesmos daquele dia na webcam, eram aqueles olhos que fizeram seu coração disparar. Redondos, grandes, com as pontas externas meio levantadas, as pálpebras escondidas sob ele aberto, vivo. Os cílios grandes e castanhos. A pupila quase invisível dentro daquela íris castanha, escura e densa. Era o olhar mais lindo que ela já havia visto. Bastaram apenas três segundos admirando-o para que ela tivesse certeza absoluta de que fora feita para estar perto daqueles olhos, para sempre. Depois de encará-lo por mais algum tempo, finalmente disse “Há uma coisa que você não sabe sobre mim.” “Ah é, o quê?” “Eu não usava muito o computador até te conhecer, não costumava falar muito com as pessoas. Eu nunca havia falado para a minha mãe sobre algum garoto, nunca tinha convencido meu pai a me deixar sair com um. Nunca tinha pensado tantas vezes em ir embora enquanto estava no meio do caminho. Nunca tinha sentido meu coração disparar tanto apenas por ver que você tinha me dito ‘oi’ e, principalmente, nunca tinha sentido borboletas no meu estômago, tido calafrios  e me perguntado se estava no céu, apenas por olhar nos seus olhos.” Dessa vez, foi ele quem ficou vermelho. “É, Adam… Acho que eu gosto de você.” Ela não acreditava que tinha dito isso, ficou constrangida e para se reerguer segurou bem forte a mão dele, e começou a pedalar junto. Eles saíram do pedalinho, ela o levou até uma das árvores vazias do parque, deitou-se para ver as nuvens, com ele ao seu lado. Os dois se abraçaram e ficaram ali até que escurecesse. Não precisaram falar mais nada. Ambos  sabiam que não havia nada mais a ser dito.

I LOVE NEW YORK!

I dreamed with New York last night.
I spent the best days of my life there.
Ok, not all the best days, but the ten best days, yeah.
Anyway. When I woke up I discover something…
I miss New York!
I miss the coffe, the malls, the winter, the cold,
The people, the breakfast, the hotel’s bedroom…
I miss everything.
Was so perfect! *-*
I know, I’ll never feel like that anymore.
I need more.
I need more New York.
I need that t-shirt, ‘cause I really, really can say now:
I LOVE NEW YORK!