Sai de mim Rory Gilmore.

Minha meta desse semestre é terminar de assistir Gilmore Girls. Tenho mais trinta dias para duas temporadas, acho que consigo. Eu vi essa série pela primeira vez quando era criança e passava no SBT sob o nome “Tal mãe, tal filha”, mas nunca me imaginei acompanhando a dita cuja. Até que minha internet pifou e eu não consigo mais baixar nenhum episódio de nenhum seriado e, coecidentemente, a namorada do meu irmão aparece com todos os episódios de Gilmore Girls disponíveis. Isso aconteceu quando eu estava de férias e assim sendo, sem nada melhora pra fazer. Assisti e parei quando as aulas começaram, afinal eu estava morrendo com toda aquela quantidade de leitura e mudança radical no meu estilo de vida, porque depois de 17 anos eu realmente precisei estudar para algo e como não o fiz fui super mal em todas as primeiras provas e ou tomo jeito, ou terei que refazer todas as matérias, o que não é muito bom, convenhamos.

Enfim, estamos em greve e meus pais não estão em casa, estou sozinha aqui o dia inteiro e de noite meu irmão junta-se à mim, para dormir. Cada um em seu respectivo quarto, obviamente. Nos primeiros dias eu fiquei que nem louca tentando manter a casa nos eixos, tentando substituir a minha mãe com todos os afazeres domésticos e tal, mas eu não nasci pra isso. Eu preciso de descanso depois de uma hora de trabalho pesado e quando eu vi que se continuasse trabalhando que nem louca não teria fim, desisti. Larguei de mão. Só tenho lavado a roupa e estendido, o resto que se dane. Enfim, acumulando-se greve com solidão e preguiça, o resultado não poderia ser diferente: voltei a assistir gilmore girls.

O detalhe é que a série é água com açúcar, sem as cenas tensas que eu sou acostumada por causa de Skins, ela é leve e ultimamente tem me irritado muito. Porque eu passei até a quinta temporada querendo ser igual à Rory. Eu até quase desisti da minha faculdade, pra ser jornalista, embora eu ache que deve ser um saco ser jornalista, só porque ela fazia parecer que era legal ser jornalista. Mas desde que a Rory entrou na faculdade, ela virou um pé no saco. E aí entra o meu problema: se nem a Rory conseguiu ser boa depois da faculdade, como é que eu posso achar que vou conseguir?

Só sei que estou passando por uma terrível crise existencial, resultado dos muitos momentos sozinha. Tenho repensado minha vida inteira, desde minha cor favorita, ao que eu realmente penso sobre física. Tenho reconsiderado absolutamente tudo. Tranquei todos os meus cursos e agora eu só tenho o teatro e, veja só, estou a um fio de desistir dele também. A sorte é que eu não posso desistir até o fim do mês, porque preciso terminar o semestre, mas do jeito que as coisas estão, duvido que eu continue depois do fim do semestre. Fora isso, eu sinto falta de sentar com alguém e jogar conversa fora, sem nenhum objetivo, sabe? Como a gente fazia no ensino médio, que parecíamos idiotas e ficavamos cantando e falando bobeiras o dia inteiro. A vida era boa e eu odiava. Eu sempre acabo por odiar.

Outro dia meu irmão mais velho estava aqui em casa e me disse algo que realmente me fez pensar, é o seguinte:  a gente SEMPRE acha que o passado foi melhor e que não o aproveitamos da maneira que deveríamos e assim que pensamos isso, automaticamente nos vem a ideia de que no futuro nós podemos consertar nosso modo de ser e passar a aproveitar as coisas, mas a gente nunca pensa no presente. Absolutamente nunca! Minha professora de teatro tem tentado fazer com que eu vivesse o presente desde fevereiro e por mais que eu tenha lutado muito para conseguir, vejo agora que ela não obteve nenhum resultado. Essa deve ser a maior falha humana, sabe. A gente não devia ser completamente insatisfeito, a gente não devia se convencer de que nào temos o bastante. Não deveríamos ficar falando e falando e falando sem termos absolutamente nada para dizer.

Eu tenho sentido tantas coisas, visto tantas coisas, pensado em tantas coisas e a falta de coragem para realmente fazer algo, somado à extrema frustração por nào ter ninguém interessado no meu “algo” e ao fato de eu raramente poder usar a minha voz de verdade para falar de verdade o que eu penso, ainda acabarão por me deixar completamente LOUCA. E eu não quero ser louca. Eu não posso. Eu não posso ser como a Rory. Eu não posso decepcionar a minha mãe como ela fez. Não posso ser tão idiota. Eu não posso continuar me espelhando em todos esses personagens que são perfeitos, mas ao mesmo tempo, sempre frustram alguém de algum modo. Eu não quero ser a Mia Thermopolis, nem a Gracie Blood e muito menos a Rory Gilmore. Eu quero ser a Herminone Granger, sabe? Aquela que não só tem cara de esperta, mas de fato é. Aquela que não fala que faz coisas, a que realmente faz. Aquela que lê, estuda e torna-se importante na vida dos outros. Eu quero ser importante na vida de alguém.

Mas eu não consigo, porque tenho na minha mente exatamente o que todos nós, pessoas comuns, normais e sem nada especial temos: chiliques que nos fazem querer acordar para a vida e em trinta segundos apenas voltamos a ser idiotas que assistem uma propaganda e querem comprar algo. Eu não quero acabar como o meu irmão. Eu não quero ser uma dessas pessoas que sai por aí comprando um monte de coisa que não precisa. Não quero ser uma das pessoas que eu sempre odiei. Estou cansada dessa coisa de me achar especial e importante, por que raios todos nós temos isso na cabeça? Essa coisa de que somos todos iguais mas temos algo que nos faz especial? Somos simplesmente todos iguais. Todos. Por isso que o mundo está perdido, com toda essa porcaria ambulante correndo à solta. Só por isso.

Eu não queria que o mês mais importante do ano começasse assim.

Por favor, me digam que o Renato Russo está chegando aqui em casa, vai me abraçar, dizer as palavras mais bonitas do mundo, que só ele conhece e no fim das contas tudo ficará bem e eu não precisarei recorrer ao meu chocolate.

Ok, vou comer chocolate, mas esse foi um bom sonho.

(Daqui)

Espanca-me

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há cerca de um ano ouvi o nome dessa nobre moça pela primeira vez. Confesso com pesar que nunca li um livro dela, porém já passei madrugadas inteiras lendo-a e relendo-a na internet. Ela tem o nome mais poético do mundo, um nome paradoxal que ao mesmo tempo é bom e ruim, porque ela é flor, ela é bela e ela espanca. E eu gosto de gente assim, paradoxal, de lua, que cada dia pensa e faz uma coisa diferente, sem medo de ser feliz, sem vergonha alguma de ser apenas o que se é.

Meu poema preferido dela chama-se “Amar” e é ele que está sendo recitado ao longo deste texto. A questão é que eu jamais havia encontrado um texto sobre amor que dissesse tanto do que eu penso. Porque tem dias que eu acordo e tudo que gostaria de fazer era amar. Eu acordo à procura de algo para amar, de algo que me transmita amor, que me dê borboletas no estômago e, infelizmente, são raras as vezes que concretizo a minha busca. As vezes sinto que nada sente necessidade de ser amado, nada nem ninguém, pelo menos nada nem ninguém dentre as pessoas que me cercam e isso é muito triste.

Eu queria amar alguém profundamente e queria ter vontade de fazer coisas motivada por essa pessoa. Queria não ter vergonha e simplesmente amá-la, independente do que isso viesse a significar. Queria viver todas aquelas coisas que pessoas apaixonadas dizem sentir e queria que essas coisas fizessem parte da minha vida cotidiana. Queria amar porque tenho o sonho infantil que me faz crer que somente isso me faria feliz. Porque nada sou além de uma garota que foi e é diariamente completamente enfeitiçada  pelos contos de fada, tanto os clássicos quanto pelos modernos. Porque passo os dias assistindo a programas que me mostram pessoas que se completam amando, mesmo que seja amando um animal de estimação. Resolvo ler um livro e sempre, absolutamente sempre, envolve amor. Para abster-me deste mundo, só vivendo no universo acadêmico o tempo todo, porque lá sim, lá não há amor. Pelo menos não explicitamente. A questão é que não consigo, sou humana e gosto de suspirar com a história alheia.

Mas eu queria ter a minha história. Queria suspirar com ela. Queria suspirar pelos meus feitos, minhas alegrias, pela minha vida, que vista de fora é brilhantemente perfeita, mas se é tão perfeita, porque continuo tão triste, tão alheia, desmotivada e ansiosa por um amor? Por que vivo tão necessitada de um belo espancamento só para recordar-me de que eu fui sim criada para sentir algo? Por quê? Perguntas e mais perguntas, que mais uma vez encontram-se se resposta alguma, jogadas ao infinito, num infindável buraco negro que insiste em sugar não só a minha alegria, mas todo o sentido que eu achava ter encontrado para a minha vida.

Falavam-me que estudando eu obteria mais conhecimento e assim entenderia melhor as coisas, mas a verdade é que quanto mais estudo, mais alheia ao resto eu fico, mais boba. Menos humana, menos gente. Porque pensar o mundo como uma incógnita certamente não me é mais apreciável, agora eu quero saber as respostas, quero buscá-las e encontrá-las e em meio a tantas procuras, acabo por me perder. Será isso bom, será que não é, será o certo ou será errado? São só mais perguntas, daquelas que talvez fiquem sem resposta. Que posso eu fazer? Nada.

Resta-me suportar as pancadas, quedas e deficiências que a vida prova ter. Resta-me submeter-me ao espancamento constante, que talvez, quem sabe, porventura, um dia ele chegue a valer a pena. Talvez um dia eu finalmente encontre o meu amor. E se não o fizer, dignar-me-ei a apenas ler. É a única fonte de felicidade que gera decepções não muito dolorosas.

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Florbela Espanca

(Daqui)

Que eu saiba me perder para me encontrar.

Memories and Changes

(8/17)

Sabe quando a teoria faz bem mais sentido do que a prática? Estou num momento desses. Talvez seja só reflexo do fato de eu simplesmente não conseguir dormir oito horas por noite e ter que interromper meu sono justamente na hora em que ele fica agradável todas as manhãs. Não sei bem o que é, mas o fato é que ando com saudades da minha escola. Talvez não da escola em si, do ato de ir para lá e tal, do ambiente. Eu sempre soube que ia sentir falta daquilo, mas na verdade, está sendo pior do que eu imaginava.

Acordo esperando que a realidade se transforme e ao invés de eu acordar 6h30 feliz porque estou a tempo, sentir aquele frio na barriga por estar atrasada. Até mudei o caminho para chegar a faculdade, porque estava surtando ao ter que passar pelo meu ponto de ônibus e simplesmente não ter que correr atrás dele, pedindo para o saudoso “seu Zé” esperar mais uns segundos, porque estava chegando. E depois pedir para ele correr, porque estava atrasada. E chegar a escola brava porque alguém tinha pegado o meu lugar e sentar para dormir durante as tediosas aulas de física. Sinto saudade das aulas de física. Ou talvez seja apenas saudades de ter o direito de não gostar de uma matéria e de não entendê-la. Porque na faculdade eu simplesmente sinto-me na obrigação de entender tudo. E não é que as coisas sejam difíceis ou chatas, porque não são e é justamente isso que me irrita, o fato de não ter com o que se irritar. Sinto saudades de todas aquelas regras terríveis. De não poder entrar na aula se chagasse cinco minutos atrasada  e ter que esconder o celular para trocar mensagens, porque se vissem que estava sendo usado eles poderiam tomar de você. Na faculdade as pessoas levam o próprio computador ou outro apetrecho com wi-fi e simplesmente ficam na internet o tempo todo em que se entediam com a aula, e ninguém reclama. Se você chega uma hora atrasado, ninguém reclama também! É simplesmente… estranho!

Mas o que mais me incomoda nessa história toda, é o fato de não ter bagunceiros na sala. Não ter gente desinteressada, que fica conversando sobre qualquer coisa ao invés de prestar atenção e faz as perguntas mais idiotas do mundo. É estar rodeada de gente que entende da mesma coisa que você e consegue fazer conversas úteis, sem aquelas discussões com quem pensa diferente. Queria que alguém pensasse diferente. Queria voltar no tempo e abraçar meus amigos vinte vezes mais do que eu fazia. Ficaria abraçada neles o dia inteiro se fosse possível. Ia aguentar todos os assuntos toscos ou aqueles que eu não entendia, porque envolviam músicas coreanas. Suportaria qualquer coisa, desde que pudesse ter diversidade de novo.

Queria saber exatamente que roupa deveria vestir e ter absoluta certeza de que não passaria frio com ela. E de ficar sentada nas escadas do ginásio, lendo o livro da vez, sem problema algum. Só… sei lá. Nunca imaginei que diria isso algum dia, mas acho que estou com saudades do Ensino Médio. Aquele universo doentio onde coisas horríveis aconteciam e do qual eu reclamava todos os dias e queria escapar o mais rápido possível. Sempre me diziam que eu ia valorizar o momento quando tivesse passado, mas nunca imaginei que de fato sentiria saudades da situação. Achava que mantendo as amizades e reencontrando as pessoas de vez em quando tudo ia continuar bem e eu ia conseguir viver de verdade o melhor momento da minha vida. A questão é que quando se está no ensino médio, dizem que aquele é o melhor momento, mas quando você vai para faculdade é este. Talvez essa coisa de “melhor momento” dependa do individuo e somente dele, não sei.

E não estou escrevendo isso porque estou odiando minha experiência universitária e gostaria de manter-me num universo onde ela existisse, porque isso seria uma completa mentira. Estou amando aquele lugar. Esforçando-me para aproveitar cada pedacinho dele com a maior intensidade possível, porque há milhares de portas a serem abertas. Oportunidades únicas e experiências incríveis a serem vividas e eu sei disso. O problema reside unicamente no fato de eu nunca ter de fato imaginado como seria a faculdade, nunca tê-la planejado e de repente me ver visitando aquele lugar todos os dias e ficando com vontade de ler todos os textos que eles mandam, não importa quantas páginas tenham ou de qual assunto tratem. E isso é esquisito. Porque eu não gosto de estudar. Nunca gostei. Escola foi odiada por mim desde a quinta série e teve alguns momentos amáveis depois disso, mas juro que foram bem mais escassos do que os terríveis momentos passados. E na faculdade as coisas são simples e são legais. Surpreendentemente boas e legais. E talvez eu não tenha os melhores amigos do mundo lá ainda, mas tenho certeza que terei um dia. Porque aquele lugar tem tudo para ser fantástico. As energias que pairam ali são boas.

Então talvez eu me acostume com tudo rápido. Talvez consiga gostar da ideia de apreciar todas as matérias e pessoas. Talvez ache um novo lugar para ler, melhor do que as escadas do ginásio do Ensino Médio. Talvez eu consiga finalmente aprender quantos casacos tenho que colocar para não morrer de frio, mesmo que o dia esteja aparentemente quente. Talvez não. Eu vou. Sei que vou. Pode demorar um tempo, mas é essa a parte que eu sempre gostei nas mudanças, não é? A adaptação ao novo, o momento de descobertas. E eu sei que hoje em dia sou bem mais fechada a elas do que era quando tinha cinco anos, mas vou me dar bem. Vai dar tudo certo. E em uns quatro anos estarei escrevendo sobre como sinto falta da maravilhosa faculdade, como a vida de trabalhadora é decepcionante e como eu gostaria de voltar para o Ensino Médio, o melhor momento da minha vida. Porque talvez quanto mais distantes as coisas estejam, mais fácil é para nós idealizá-las e nada melhor do que momentos platônicos para nos fazerem felizes novamente, mesmo em momentos de crises intensas.

(Daqui)

Beware, cause I’m coming back!

Comendo sopa ou soltando uma pipa, vocês que sabem.

Somos internautas e não é novidade as tais leis contra pirataria que os americanos inventaram. Por sorte seus idealizadores caíram na real e resolveram refazer as leis antes de as liberarem para votação, no entanto Megaupload continua fechado.

Talvez você não saiba, então eu explico: Megaupload é um grande site de download em que havia séries, filmes, músicas e qualquer coisa que fosse possível fazer download. Era o maior, o melhor, o mais completo, mais rápido e menos arriscado. Todos já usaram  alguma vez na vida. Daí surgiu essa história de SOPA e PIPA e o FBI começou a caçar os donos desses sites  para tomarem as medidas necessárias. As duas leis propunham o fechamento de todos os sites de download e qualquer outro site que compartilhasse algum produto que deveria render direitos autorais e estava sendo distribuído gratuitamente na internet. Elas foram revogadas, mas disponibilizar conteúdo pirata nunca foi legal e por isso todos os outros servidores de download estão com medo e aos poucos findando seus serviços, pelo menos é o que está escrito aqui. O fato é que a gente mora no Brasil e aqui menos da metade dos filmes lançados passam no cinema, sem a internet nem saberíamos da existência deles, mesmo porque sem publicidade as locadoras não os compram e assim a gente fica sem acesso a milhões de filmes. O mesmo acontece com os cd’s, tendo em vista que não há uma loja só de cd’s por aqui, pelo menos não uma loja enorme, como as livrarias. Isso significa que grande parte dos cd’s produzidos pelo mundo não são vendidos em nossas terras e sem os downloads jamais teríamos acesso a eles. Sei que existem programas que baixam músicas do youtube, mas não é com muita qualidade e do jeito que as coisas estão, não acho que eles irão durar muito. Por último, falaremos dos seriados que no Brasil só passam em televisão paga, quando vão para a aberta é dublado, zilhões de anos depois do lançamento e raramente as televisões compram todas as temporadas, fazendo com que você não saiba o fim da história. Mesmo nas televisões pagas, os seriados demoram para passar, sendo estreados aqui um bom tempo depois do que em seu país de origem, fora que muitos deles sequer passam.

Nós fomos acostumados a conviver com rios de informações, vendo filmes que nunca passarão nos cinemas daqui, ouvindo músicas que brasileiros normais jamais ouviriam e vendo todos os seriados do mundo. De repente acordamos e descobrimos que nossa liberdade está com dias contados e que em breve teremos que voltar a nos alienar somente com a Globo. Lindo.

Essas leis obviamente são reflexos da perda abusiva de dinheiro que as grandes gravadoras e produtoras andam tendo desde que inventaram o download, porém é completamente normal que as pessoas comprem os dvd’s de seus filmes preferidos, assim como os cd’s e os enormes boxes de seriados. Não é poque usufruem do download que deixam de comprar. O governo americano não percebe que acabando com a liberdade internetesca estão despertando um monstro muito maior que o do Lago Ness.

Isso porque há 20 ou 30 anos jovens entre 15 e 35 anos tinham ideais e saíam de sua zona de conforto para irem em busca deles. Hoje não. Atualmente as pessoas respiram alienação e não se importam de onde ela provém, desde que proporcione a incrível sensação de absorver informação sem precisar pensar para processá-la. Ninguém quer saber quanto o governo anda nos roubando, as razões para o euro estar caro e a União Europeia estar quase no fim, ninguém quer saber sobre os movimentos de ocupação que estão ocorrendo nas capitais ou sobre o zeitgeist ou sobre como a coca-cola financia indústrias armamentícias enquanto divulga uma imagem positiva da empresa. Ninguém quer procurar de fato a cura do câncer, ou saber se há vida em outros planetas, não. Está todo mundo pra lá de satisfeito vendo jornais que duram 40min e têm tempo para dar todo o tipo de dicas do universo enquanto resume as notícias do mundo em apenas um minuto. Está todo mundo extremamente feliz com isso. Quer dizer, estava. Agora estão tirando a alienação das pessoas, forçando-as a gastar seu dinheiro para conseguí-la. Acham que isso vai ficar barato? Pelo contrário.

Os jovens podem não ter ideais e não se importar com absolutamente nada, mas quando tirarem sua liberdade online se rebelarão. Não demorará para que os sites das editoras, produtoras e gravadoras sejam hackeados, isso sem contar os próprios sites governamentais. Se já faziam isso sem ter uma razão, imagine agora. Os internautas podem não ter bombas ou centenas de metralhadoras disponíveis, mas eles dominam bem o mundo dos códigos e com certeza não deixarão barato. Não vai demorar muito para o FBI descobrir isso.

No fim das contas o homem apenas regredirá ao que era há décadas, para só depois sentir-se apto a evoluir novamente. O que devemos fazer? Ir às ruas? Chorar por perdermos nossas séries e afins ou procurar um ideal de verdade para lutar a favor? Será que somos tão idiotas assim?

Só espero que os americanos não elejam um trouxa por estarem demasiadamente preocupados com a internet. Espero que os brasileiros acordem e parem de ser tão facilmente enganados e acima de tudo espero que finalmente as pessoas larguem um pouco da tal televisão e internet e vão ler, desenvolver seus intelectos e se preparar para fazer algo sensato assim que possível.

Se nós nunca fomos conhecidos por sermos inteligentes, creio que essa seja uma boa hora para mudar isso.

Deixando claro que sou contra SOPA, PIPA, censura e ditadura, mas acima de tudo sou contra a falta de reflexão e pensamento da população.

De trás pra frente

Minha vida não está nada agradável… Não posso escrever muito com a mão esquerda, não escrevo nada porque nem tenho mais o que escrever. Continuo sem paciência para ler, conversar, ouvir ou entender pessoas, aprender novas experiências e afins tornou-se fora de cogitação. Tudo que faço é respirar, ingerir altos índices de cacau e assistir a filmes incansavelmente. Mas não gosto de reclamar em público. Não vim aqui para isso. Vim aqui para dar uma de Mário de Andrade e mentir. Mentir-me para que todos vejam.

Hoje o dia foi lindo, acordei sob luzes maravilhosas de um amanhecer que misturava as cores mais agradáveis dentre a palheta de cores peceptíveis aos olhos humanos. Feliz, coloquei meu braço para fora da janela e pude sentir aquele vento avassalador, capaz de abalar qualquer estrutura e de obrigar-me a colocar vários casacos sobre o meu corpo. Saí no horário certo e peguei ônibus com o meu motorista preferido, seu Zé. Percorri as ruas conversando com a menina de Paranaguá e o amigo dela e o seu Zé, que deixou cada um de nós em seus respectivos pontos, como se estivéssemos em uma van particular. Fui para a escola e deparei com as pessoas que eu não gostava muito e eram da minha sala, sorri ao vê-las e fiquei feliz ao entrar na mesma sala que elas e assistir às nossas aulas em nosso horário normal, ouvindo as perguntas bobas que alguns faziam, os comentários construtivos de outros e ao ver as pessoas de sempre dormindo ali atrás. Na hora do recreio encontrei todas as minhas amigas, elas voltaram a estudar na minha escola e agora passamos os recreios juntas, como nos velhos tempos. Sorrimos juntas e foi divertido. A manhã acabou como que instantaneamente e lá estávamos nós, no restaurante da Lari, comendo o almoço mais delicioso que o Centro dessa cidade pode oferecer, tendo um Lancy como sobremesa e voltando para a escola papeando futilidades até que eu adentrasse no maravilhoso mundo da sociologia. Hoje a sala estava mais cheia que o normal, tinha um monte de gente interessada e falamos sobre como os índios influenciam e são influenciados pela cultura da população branca. Todos acrescentaram algo para a aula e quando ela terminou fomos para o ginásio, tocar violão, cantar, conversar, rir e jogar conversa fora, cada um fazendo aquilo que se sentia apto. Depois voltei para casa alegremente, andando pela XV enquanto sorria e apreciava os escassos raios de Sol que haviam sobrado do amanhecer, tendo em vista que a grande maioria deles já havia sido encoberto por nuvens e minha Curitiba estava nublada e ventosa como eu sempre a amei. Cheguei em casa e lá estavam as minhas tias, em suas habituais visitas, falando mal uma das outras, rindo, conversando, planejando viagens e falando das mais diversas esquisitices que só as pessoas do meu sangue são capazes de passar por. Depois de rir e comer bastante ao lado da minha família, dirijo-me ao meu quarto, onde encontro meus diários e cadernos e estou inspirada o suficiente para escrever em todos eles. Depois de rechear folhas e mais folhas, resolvo ler. Leio coisas que escrevi há milhões de anos, leio blogs de amigos, leio livros que estão espalhados pela estante, leio, abundantemente. Olho no relógio e noto que já está ficando tarde, então resolvo tomar banho, ouvindo os bons metais de sempre, enquanto canto loucamente mesmo sem necessariamente saber todas as letras. Lavo meus cabelos quatro vezes, até ter certeza de que o cheiro do shampoo continuará ali e que a tinta colorida usada na semana anterior está realmente indo embora. Enxugo-me apressadamente para que dê tempo de ver mais um filme. Entro no msn e combino com alguém de assistir determinado filme, vemos ao mesmo tempo, cada um em sua respectiva casa para poder comentar loucamente depois e então eu resolvo dormir, afinal amanhã ainda é sexta e há um dia inteiro de aula pela frente! Sexta tem aula de literatura, não posso faltar aula. Despeço-me de meu amigo do msn, desejo uma boa noite a toda a minha família e deito em minha cama. Quando consigo começar a dormir, meu celular vibra, é uma mensagem de boa noite de uma pessoa inesperada. Sorrio, respondo e volto a dormir, tranquilamente. Em meia hora estarei sonhando com unicórnios no planeta do chocolate devorando os cogumelos raivosos, porque sou dessas que sonha desgrenhadamente e em poucas horas estarei descansada o suficiente para levatar-me e iniciar tudo novamente! Foi um dia agradável, estou feliz e completa.

Pena que é tudo mentira.

Como diria Mário, “Ponha essas palavras no reverso e saberás o que se passa comigo”.