Tem gente que realmente nos ensina algo…

Há no mundo pessoas capazes de mudarem a nossa vida das maneiras mais simples possíveis e eu percebi isso durante uma oficina de cinema em 2009. Foi lá que eu o conheci, Macelo Brum Lemos era o seu nome e minha amiga carinhosamente o apelidou de “Trotsky“, devido a eminente semelhança entre os dois. O chamo assim até hoje.

Trotsky é professor de Literatura na minha escola e eu passei meu primeiro ano inteiro querendo ir para o segundo para ter aula com ele. Tudo porque a oficina de cinema foi maravilhosa! Ele sabia sobre a história do cinema e ensinava de uma maneira linda e apaixonante! Graças a ele vi filmes muito bons, como “Corra Lola, Corra” por exemplo… Então fui para o segundo ano ansiosa para a minha aula de Literatura e deparei-me com o mesmo professor do ano anterior. Fiquei decepcionada. Tanto que nunca mais consegui gostar muito das aulas de Literatura.

Encontrei-o no corredor tempos depois, o abracei e disse “Você fugiu de mim!”, ele riu e disse que era para eu aguardar até o próximo ano e teria aula com ele. Aguardei pacientemente e fui para o terceiro ano ansiosa para finalmente ter aula com aquele que eu acreditava ser um ótimo professor. Para minha surpresa, ele entrou na minha sala às 7:10 da manhã do primeiro dia de aula! Meus olhos se abrilhantaram na mesma hora e eu fiquei com uma vontade imensa de correr para abraçá-lo, feliz por finalmente poder desfrutar de sua provavelmente maravilhosa aula de Literatura. Sentava na primeira carteira, cumprimentei-o civilizadamente para não assustá-lo e não parecer estar puxando saco, não gosto de gente que puxa saco dos professores, então tentei agir normalmente. Eu respondia todos os “bom dias” e afins que ele dizia, respondia grande parte das perguntas sobre a matéria também e tive um surto quando tive que faltar a primeira aula de segunda-feira uma vez, tanto que pedi para que ele me mandasse um slide com o conteúdo depois.

Eu não gostava de ir à escola, mas as aulas dele me faziam querer estar lá. A primeira aula de segunda-feira e a última de sexta-feira eram sagradas para mim. Eu poderia ir morrendo de sono pra aula, mas na dele eu ficava acordada e prestava o máximo de atenção possível.

E foi assim que eu aprendi todo o básico de Literatura, li Goethe, me interei no assunto, apaixonei-me pelo Modernismo brasileiro, por Salvador Dali e Buñuel e por Clarice Lispector. Foi assim que eu li grande parte dos livros do vestibular e gostei do que estava escrito, conheci Rubem Alves, Kafka, Drummond e diverti-me com a maneira inusitada de contar as histórias que só ele tem.

Não gostava de ir à escola, mas ficava feliz ao vê-lo por lá. Ao assistir as aulas dele em turmas alheias, só para ouvir duas vezes as histórias, ao encontrá-lo no corredor e abraçá-lo, ao ser levada para a minha sala à força e até ao ouvir ele dizer “sempre falando essa Mayra, hein” e ir correndo sentar em meu lugar, para em seguida adentrar no mágico mundo literário que sempre fez parte de mim. Ele me fez feliz. Foi capaz de me manter feliz por muito tempo.

E quando as dúvidas surgem ou eu preciso de sugestões em algum dos meus projetos, corro para mandar a ele e-mails, não importa o dia ou a hora. Mando meio repreensiva, pois acho chato abusar da bondade alheia, mas ele me responde graciosamente, dizendo que não é abuso de jeito nenhum e que tem prazer em me ajudar e por isso ele me ajuda, sempre que preciso!

Hoje é o dia dos professores e eu quis escolher um para homenagear especialmente, não hesitei ao escolhê-lo. Pode não ser o meu professor preferido, simplesmente porque acho bobo isso de ficar classificando as pessoas. Ele é especial e eu nunca vou me esquecer de seu rosto Trotskyano e de seu jeito maravilhoso de ser.

É por isso que desejo-lhe os melhores alunos do mundo, um amor infinito pelo seu trabalho, para que continue sendo tão bom. Desejo também muito sucesso às suas bandas e aos seus outros projetos pessoais e por fim, desejo-lhe felicidade, ou pelo menos, forças para continuar buscando por ela, um dia ela chega, pode ser que demore, mas chega.

Gosto muito de você Trotsky e, embora você não alegre mais minhas primeiras aulas de segunda e as últimas de sexta, espero que continue a me alegrar nos dias e horários que der aula para mim e espero também que eu possa continuar a te contatar mesmo quando o Ensino Médio terminar de fato, porque eu te considero um amigo, além de um sábio e maravilhoso professor.

Obrigada.

Só pra constar, estou completamente envergonhada por ter escrito esse texto e espero que entendam que ele significa apenas admiração, orgulho, gratidão e respeito, nada além disso, nada ruim.

0 thoughts on “Tem gente que realmente nos ensina algo…

  1. Hahaha, claro que não significa nada ruim, quem pensaria isso? o.O
    Bom, May, professores podem ser encantadores né. Que são tão bons que nos fazem apaixonar pela aula, pela matéria, pela segunda-feira de manhã..
    Eu sempre achei um saco ir pra aula de inglês, até que, no segundo semestre de 2009, a Bia entrou na sala. Ana Beatriz. Uma das melhores professoras do mundo. De repente a turma parou de faltar, eu ficava feliz da vida por ser dia de aula de inglês, e um dia que a Bia ficou doente e apareceu outra professora a gente quase chorou, HAHAH. Ela é incrível, no último dia de aula me abraçou bem forte, disse que desejava que eu fosse muito feliz em Curitiba, e que ela sabia que ia ficar tudo bem. Disse que eu era uma adolescente incrível, e que ia me tornar um ser humano admirável. E eu com vontade de trazer ela comigo.
    Acho que o que eu senti/sinto pela Bia só se compara com o que eu sinto pela Airen! E você sabe como é com a Airen, porque eu já enchi muito os seus ouvidos. Tive muitos professores queridos e amigos, com a Pri, de biologia, que é uma grande amiga minha. Mas essa sensação de encantamento, só senti com 3. Nara, minha professora de 3ª série, a Bia, e a Airen.
    Esse teu professor parece realmente fantástico, até eu fiquei com vontade de ter literatura com ele, me convida! hahaha
    Beijos, bonitinha!

  2. Ahã, sei. Só admiração, né? Achei seu professor um gatinho, eu pegava. Mas não contra pra ele, por favor.
    Não tive bons professores de literatura, infelizmente. Gostei muito dos de História e apaixonei-me por um de matemática – disciplina que sempre detestei.
    Abraços.

  3. Hora nenhum eu pensei algo que não fosse admiração. Muito menos algo “ruim” como você mesma classifica. Ao ler o seu texto, eu fui me lembrando dos professores que também marcaram a minha vida.

  4. É uma delícia ter professores assim, não é? Sou dessas com meu professor de Teatro… Ele é fantástico, não consigo encontrar palavra que o descreva melhor, rs.
    Adorei!

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