Twist and Shout

Foi assim que “o dia que tinha tudo para dar errado” começou. Um convite interessante e em seguida uma falha da pessoa que vos fala, que sempre acaba dormindo nas horas erradas e decepcionando pessoas. Emi podia ter respondido que já estava em casa e que nós sairíamos outro dia, mas como boa estudante universitária de férias que ela é, respondeu que estava passeando no shopping, ao passo em que eu levantei da minha cama, troquei de roupas e encaminhei-me ao mesmo.

Passamos por uma tarde divertidíssima de confábulos à respeito da nossa vida e existência e fomos assistir ao tal filme, que nenhuma das duas sabia do que se tratava, só sabia que era legal. E realmente era. A sala estava quase vazia, do jeito que a gente gosta e é acostumada a aproveitar em todas as férias há sei lá quantos anos. E a gente se sentou e eu comecei a me lembrar de cada uma das vezes que fomos ao cinema, porque todas foram épicas e com situações divertidas, como aquela em que entramos na sala errada propositalmente porque precisávamos ver o filme do DiCaprio e dane-se que não tínhamos idade. Então Jeise Eisenberg aparece bonito em nossa frente e um filme eletrizante e surpreendente se desenrola sob nossos olhares. E a pipoca acaba nos primeiros dez minutos. E nós morremos de rir. E fomos embora.

Então, na rampa de saída do cinema ouvimos uma música tocar e eu lembro que tinha uma exposição dos Beatles no saguão e “ei, tá tocando Beatles”, daí a gente sai correndo como duas crianças que acabaram de ver o tio do algodão doce, nos enfiamos no meio da plateia e começamos a cantar que “I need somebody to help” e que amamos mil pessoas e todas aquelas coisas beatlenescas que eu, pessoa que teve como bio do twitter por dois anos que sonha com um show dos beatles, sempre gosta de presenciar. Era um bom cover. Era uma situação bastante inusitada.

Eis que vejo ao nosso lado uma senhora de uns setenta anos, cantando todas as músicas e dançando loucamente. Sozinha ali, no meio de toda aquela multidão, aproveitando como se fosse um show da sua banda de adolescência preferida de verdade, na frente dela. E talvez para aquela senhora tenha sido justamente isso, enquanto para o casal ao meu outro lado era uma noite romântica e para as crianças da frente era uma situação dançante. Para Emi era uma coisa tranquila, para mim uma explosão de vida, risadas, reflexões e constrangimento, afinal lá estava eu, no meio do shopping, cantando loucamente e dançando como se ninguém tivesse vendo. E as pessoas estavam.

Férias, te amo.

0 thoughts on “Twist and Shout

  1. Já vi um cover de Beatles uma vez, May. Muito bom! O legal mesmo é se entregar em momentos assim, porque as pessoas que estavam vendo não pagam suas contas e não vão nem lembrar sua cara quando chegarem em casa.

    Ai, que inveja das suas férias! Beijos,

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