Um Dia em Selfies

Costumo me irritar com selfies. Não com o ato de tirá-las – acho ótima essa coisa das pessoas gostarem da ideia de reproduzir as próprias imagens, porque vejo como sinal de uma melhora geral na auto estima, considerando que ninguém postaria milhares de fotos do próprio rosto caso se considerasse a pessoa mais horrível do universo. O que me irrita nas selfies é sua irrelevância e constância frequente. Selfies são legais e bacanas quando acompanhadas de um bom plano de fundo, uma boa história, uma legenda explicativa que faça a expressão facial ter sentido ou qualquer coisa que a contextualize. Logo, vejo uma grande diferença entre selfies bacanudas e tudo de bom e aquelas mequetrefe que nem dá vontade de curtir, porque parece que a pessoa só posta porque tem ego muito alto.

É preciso ter cuidado com as selfies, principalmente porque elas viciam. Aprendi muito sobre o vício em selfies com Elleena, minha amiga malasiana. Convivi com ela por apenas seis semanas e tenho mais fotos do que com muita gente que convivi por anos. Cada dia, cada roupa, cada lugar, cada história, cada situação, tudo merecia uma selfie. Eu, claro, ria, tirava junto e ficava enchendo o saco dela por causa da mania engraçada. Três meses depois, tenho reparado que minha quantidade de selfies cresceu vorazmente e, claro, já sei de quem é a culpa.

Explicada minha relação ambígua com as selfies, vamos ao post!

Ontem (10/05), minha turma de arqueologia fez uma aula de campo para o litoral do Paraná, região onde há muitos sambaquis. Como a última aula de campo da matéria me deixou em um estado alfa perante à minha completa irrelevância se comparada à imensidão do mundo (tanto em tamanho quanto em tempo), decidi que precisava repetir a experiência – mesmo sendo sábado, estando frio e não valendo nota. A diferença da vez é que consegui arrastar Willian, o que é bem difícil – mesmo. Até pensei em desistir, mas depois que ele confirmou que iria, era impossível. Eu precisava ver para crer. A gente foi, dormiu, comeu, subiu, desceu, reclamou, fugiu da chuva, conversou e riu bastante. Um bom dia. E o que isso tem a ver com selfies? Ah sim, decidimos tirar uma selfie em cada lugar, o que foi uma pena, porque se tivéssemos decidido antes poderia realmente contar o dia através de selfies. Por hora, segue-se doze pares de rostos e uma pequena situada em cada um.

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1 – Prestes a subir em um sambaqui que não era visitado há muitos anos e por isso não tinha uma trilha. Ele foi alvo de piratas buscando tesouros e era grande, cheio de mato e perigos. Alguém foi na frente abrindo o caminho e o resto do bando seguiu, na cara e na coragem.

2 – Após descer do sambaqui, para provar ao mundo que YES WE COULD e que sobrevivemos.

3 – Um morro repleto de construções rochosas em formas de caverna. Menos difícil de subir, pois havia uma trilha visível e não era muito íngreme – apenas escorregadio.

4 – Ainda no morro com as construções rochosas, apenas para mostrar a imensa quantidade de bananais.

5 – Começou a chover e, por sorte, estávamos ainda perto das rochas e fomos nos abrigar em uma caverna, sentados em uma pedra muitíssimo bem posicionada e imaginando como eram feitas as refeições há 5mil anos.

6 – Paramos para lanchar no meio da tarde – quando já achávamos estar indo para casa e termos recém descoberto que não – e encontramos uma estátua no meio do caminho. Não identificamos o santo que ela representa, mas não precisávamos disso para tirar uma selfie.

7 – De repente, estávamos na praia de Guaratuba vendo rochas polidoras.

8 – Aí ficamos sabendo que embaixo da ponte – e da santa – havia outras várias pedras polidoras e afins, mas que já estavam sendo inutilizadas pela civilização atual. Pelo menos a selfie ficou boa.

9 – Atrás da ponte era bem o lugar em que os pescadores estavam, a paisagem era bonita demais para ficar sem foto.

10 – Depois de atravessar quase que a praia inteira e chegar no monte de pedras em que várias pessoas tiram fotos no verão – e descobrir que também são resquícios de civilizações antigas – resolvemos tentar ignorar o vento e lançar mão da última selfie da viagem.

11 – Só que não resistimos, porque estava ficando escuro e o celular tinha flash: precisamos testar.

12 – Na última parada da viagem foi a vez do doce – que era ácido – e que, apesar dos nomes, nem eram drogas, mas sim açúcar gelatinoso.

E é com uma maratona tosca de selfies que supostamente contam algo que digo a vocês: as melhores companhias são as que te acompanham nas coisas mais retardadas possíveis.

One thought on “Um Dia em Selfies

  1. Eu não poderia concordar mais, May! Alias acho que tudo que é muito banalizado acaba perdendo sua beleza de uma certa forma. Mas ó, curti os teus selfies e achei o lugar e o rapaz da foto umas gracinhas hahaha beijão, flor!
    http://mahjestic.com/blog

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